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| Mazzola e Walter Abrahão, na TV Tupi, em 1963 |
sábado, 7 de maio de 2011
Revista do dia - FATOS & FOTOS 1962
A capa da Fatos & Fotos de 1962 trazia em sua capa os dois maiores jogadores que o Brasil já viu: Pelé e Garrincha. A foto foi antes de uma partida onde Santos e Botafogo trocaram faixas de campeões.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O Craque disse e eu anotei - RAFAEL
Obtive o telefone do Rafael Cammarota através do meu amigo Matheus Trunk que trabalha na Alltv. Contatei-me com ele e marcamos a entrevista. O Rafael é uma pessoa que fala o que pensa, sendo que tem uma história rica dentro do futebol, pois passou por boas equipes, sendo que o quarto onde guarda as suas lembranças é uma prova disso. Confiram a matéria.
FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS: O seu começo como goleiro foi no Corinthians?
RAFAEL CAMMAROTA: Comecei como Amador, depois fui pra Ponte Preta e voltei para o Corinthians. Saí vendido e voltei comprado.
FTT: Quando você começou a jogar no Corinthians no final dos anos 60 e início da década de 70, chegou a treinar com o Luiz Morais, o Cabeção?
RAFAEL: Sim, eu treinei com ele. Cheguei ao Corinthians em 1969, levado pelo Haroldo Campos. Eu estudava no colégio Paes Leme, considerado a boate de São Paulo, porque ficava na esquina da rua Augusta com a Paulista, sendo que existe hoje um grande banco lá. Jogava futebol de salão na linha e no gol. E o Doutor Haroldo me convenceu a fazer um teste no Corinthians. De 159 garotos, ficaram três e eu. Tive o prazer de trabalhar com o Cabeção, Luizinho Pequeno Polegar, José Castelli (Rato) e o Dino Pavão. Tinha um carinho muito grande por eles. Estas pessoas foram os meus ídolos, peguei o final de carreira do Cabeção e do Luizinho.
Rafael Cammarota o primeiro a esquerda no começo da carreira no Corinthians.FTT: Você teve alguma referência como goleiro?
RAFAEL: Espelhei-me bastante no Ado. Gostava de vê-lo jogar, era canhoto como eu e vinha do Paraná. Tinha um goleiro italiano que gostava muito de ver jogar, que era o Dino Zoff.
FTT: Com quais jogadores você jogou nas Divisões de Base do Corinthians?
RAFAEL: Joguei com o Nílton, Ojeda, Wladimir, Laércio, Minervino e o Cândido. Eu acho que em termo de jogadores com qualidade técnica, nossa época tivemos muitos mais frutos em termos de atletas que começaram no Amador do que hoje. Atualmente pra se revelar um grande jogador é difícil achar. E quando se consegue, já está nas mãos de algum empresário.
FTT: Você começou a jogar nos Profissionais em 1974. Por sinal, ficou pouco tempo.
RAFAEL: Pra subir, demorei cinco anos, passando por Juvenil A e B, Extra-Amador, Aspirante e Profissional. Hoje você vê garotos com 17 anos já militando entre os Profissionais. FTT: Depois desta passagem pelo Corinthians, você foi jogar na Ponte Preta.
RAFAEL: Fui emprestado pra Ponte Preta na troca do Galli e do Mosca. Foi aí que realmente começou a minha carreira, porque a Ponte foi um grande celeiro de goleiros, além do Guarani nesta época. Jogar na Ponte Preta foi uma escola pra mim.
FTT: O Waldir Peres tinha acabado de ir pro São Paulo.
RAFAEL: Eu até peguei carona com ele em um corcelzinho azul. Vim de Campinas pra cá e ele acertando com o São Paulo. Na Ponte Preta já tinha o Moacir jogando, mas ele estava suspenso à nível jurídico. O Carlos ainda não tinha começado, porque estava nos Juvenis.
FTT: O que você tem a dizer sobre o grande goleiro Carlos?
RAFAEL: Grande amigo e companheiro, tanto ele como o Moacir. Vemos-nos até hoje. Morei de baixo da arquibancada da Ponte Preta quase quatro anos. Nós falávamos que um dia seríamos grandes e chegaríamos à Seleção Brasileira. Dos três o único que não chegou foi o Moacir, mas capacidade e qualidade pra isso ele tinha.
FTT: A Ponte Preta formou uma bela equipe que foi Vice-Campeã Paulista. Como jogava este esquadrão?
RAFAEL: Jogava por música. A capital do futebol brasileiro passou a ser Campinas, por causa do Guarani e da Ponte Preta. As duas equipes sobrevivem até hoje desta rivalidade, como Coritiba e Atlético ou Botafogo e Comercial. Tem que existir as grandes rivalidades no futebol. O time da Ponte de 1973 a 1977 não tinha pra ninguém. Não perdemos a decisão para o Corinthians, mas por coisas extra-futebol. Se fosse pela bola mesmo, mereceríamos ser Campeões Paulistas.
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| Ponte Preta x Corinthians 1977 |
FTT: Depois da passagem pela Ponte Preta, começou uma nova fase no futebol paranaense, do qual foi o grande momento da sua carreira, iniciando no Grêmio de Maringá.
RAFAEL: Eu não ia para o Grêmio de Maringá, pois meu empresário estava me levando pro Londrina, sendo que não conhecia o Norte do Paraná. A minha carreira começou ali depois de um acidente que tive, com sete fraturas no rosto e risco de perder a visão do olho esquerdo. O empresário me levou para o Norte paranaense e o treinador era o Paulo Leão. Eu ia para o Londrina e quando chegamos de manhã, ele me disse que era uma cidade bonita com muitos prédios, sendo que não os vi. Eu perguntei onde estavam os prédios e me disseram que tinha serração. Quando tomamos o café no hotel, consegui ver que não era Londrina, mas Maringá. O Paulo Leão queria ver se eu acertaria por aqui e acabei ficando.FTT: No Maringá você foi no final dos anos 70. O que tem a dizer desta passagem?
RAFAEL: Fiquei em Maringá quase quatro anos. Foi o reinício da minha carreira. Para os médicos de Campinas, eu não jogaria mais futebol, por causa de um acidente que tive, pois a metade do meu rosto no lado esquerdo é platina, devido a um choque que tive com o Dario, o Dadá Maravilha. Foi algo que me marcou bastante, pois diziam que eu ia voltar com medo. Eu dizia que goleiro não pode ter medo. Corri o risco de ter dupla visão, de longe vendo dois e de perto ver um. Isso não existe pra goleiro, tanto é que num jogo no final do ano fomos jogar contra o Taubaté, sendo que o Muricy estava com a gente, além do Pedro Rocha, Tião e Adão. Tínhamos um time excelente. Eu estava com 62 pontos no rosto e era noivo da minha esposa. Larguei o meu carro em frente ao barracão de zinco, que nem existe mais, na Avenida Ibirapuera. Falei pra ela buscar o carro, pois quero ver se de longe vou ver dois carros e de perto ver um. Graças a Deus não ocorreu nada de mais, estourei somente quatro pontos e tirei aquela dúvida que tinha. Tive na minha carreira sete contusões dificílimas e saí bem de todas.
A VOLTA PARA O CORINTHIANS
FTT: Depois do Grêmio Maringá você voltou para o Corinthians, pegando o começo da Democracia Corintiana.
RAFAEL: O que disse a 30 anos atrás, digo novamente hoje, “que a Democracia era boa pra três”. São coisas que passaram. Se fosse atualmente, ficaria na minha, pelo que penso no momento. Na época pela idade que tinha, pelo caráter e por impetuosidade, pois falava as coisas sem medir as consequências, me prejudiquei um pouco. Hoje pensaria duas vezes, porque o Corinthians é o meu time de coração, estava onde queria, voltei porque quis, conseguindo provar o meu valor, mas infelizmente briguei com as pessoas erradas.
RAFAEL VOLTA AO PARANÁ, DESTA VEZ NO FURACÃO
FTT: Então você saiu do Corinthians, voltou para o Paraná e desta vez pro Atlético.
RAFAEL: Tinha propostas do Flamengo, Palmeiras e Santos. O Adílson Monteiro Alves não queria me emprestar pra nenhum desses clubes, alegando que o meu problema não era físico ou técnico, mas disciplinar. O Palmeiras queria uma troca com o Gilmar, sendo que depois nos encontramos em 1985, ele pelo Bangu e eu no Coritiba. Escolhi o Atlético porque me dei muito bem no Paraná, sendo ídolo e conquistando títulos.
FTT: Justamente nesta época do Atlético jogavam o Assis e o Washington.
RAFAEL: Era o Casal 20. Eles começaram em 1982. O Hélio Alves foi buscar o Washington no Internacional e o Assis no interior de São Paulo. Tinha o Capitão, Nivaldo, Jair Gonçalves e o Roberto Costa. Era um time duro do goleiro ao ponta-esquerda. Tínhamos dois ou três jogadores pra mesma posição. De 81 a 85, no Paraná, não tinha pra ninguém. O Atlético foi o terceiro do Brasil com 70 clubes, somente perdendo para o Flamengo no Rio de Janeiro e ganhando em Curitiba. Em termos de time e de camisa, tanto o Atlético como o Coritiba eram fortes na época.
FTT: O Atlético também tinha um goleiro muito bom, que era o Roberto Costa.
RAFAEL: Jogamos juntos durante três anos. Tinha também o Joceli, que morreu em Santo André.
Rafael Cammarota e Mauricio Sabará segurando o poster com o Atletico PR campeão de 1983.
FTT: Uma passagem muito boa pelo Atlético Paranaense, indo depois para o Coritiba.
RAFAEL: Neste meio houve uma negociação com a Portuguesa de Desportos, envolvendo o Jorge Luiz, Nivaldo e eu. Em 1984 era classificatório o Campeonato Brasileiro, com o Atlético Paranaense não se classificando. Fomos emprestados pra Portuguesa, sendo que o seu presidente era o Oswaldo Teixeira Duarte. Chegando aqui em São Paulo tínhamos que ficar com o mesmo salário do Atlético. Ele disse uma coisa que eu não gostei, falando que o Atlético do Paraná era um time pequeno e a Portuguesa era grande. Disse à ele que estava enganado, porque em termos de estado e time, é um grande time do futebol paranaense e com uma grande torcida. Se for pra mim ficar com o mesmo salário, eu volto pra Curitiba. Só ficaram o Jorge Luiz e o Nivaldo. Houve interesse do Hélio Alves e do Angelino que eu galgasse a minha ida pro Coritiba.
RAFAEL VAI PARA O RIVAL EGANHA O BRASILEIRO
FTT: O futebol paranaense você conhece como poucos, tendo a felicidade de participar do Atletiba, jogando em ambos os lados. É um clássico forte como os demais do futebol brasileiro?
RAFAEL: Era e é até hoje. Eu acho que em termos de Atlético Paranaense, a cobrança é bem maior. Você perder um Atletiba, fatalmente no dia seguinte terá dispensa de jogador e briga. O Atlético é o Corinthians no Paraná. Tem um Corinthians Paranaense que não dá pra comparar com o de São Paulo. Já o Coritiba é o Palmeiras. A rivalidade é muito grande, mas a diferença é que você jogando no Coxa contra o Atlético é um jogo mais normal, existindo a rivalidade, mas com menos cobranças. A torcida atleticana cobra mais que a do Coritiba, que é mais pacífica e entendedora.
FTT: Chega provavelmente o grande momento da sua carreira, quando é contratado pelo Coritiba, time do qual foi Campeão Paranaense em 1986 e Brasileiro no ano de 1985, provavelmente o título mais importante da história do clube. Como foi a sua passagem pelo Coxa?
RAFAEL: Deixei o meu nome escrito na história. Faço parte do museu do Coritiba. É o maior título do clube e graças a Deus ajudei a conquistar. Fiz parte de um grupo excelente, uma família e pena que as grandes festas deles no mês de agosto não vão ter mais, pois quem fazia veio a falecer. Minha passagem do Atlético para o Coritiba foi tumultuada, pois em termos de torcidas, não queriam que eu fosse para o Coxa. Muita gente me dizia que essas saídas de um clube pra outro nunca deu certo. Lembrei do Zé Roberto, que jogou nos dois, jogando tão bem como eu. Pra mim é balela, porque joguei 25 anos no futebol. o que joga não é a camisa, mas a pessoa. Vestia a camisa de outro clube da mesma forma que vestia a do Atlético, com amor, garra e determinação, honrando o uniforme que vestia.
FTT: No Coritiba você fez parte de um time muito bom, que tinha o goleiro Jairo que é recordista de partidas pelo Coxa, Lela, Índio e muitos outros.
RAFAEL: O ataque era formado por Lela, Índio e Edson. Já o meio-de-campo jogava com Amarildo, Almir e Tóbi. Lá atrás tinha eu, André, Gomes, Heraldo e Dida. No início o capitão era o Heraldo, sendo depois o Gomes, que era o único que tinha sido Campeão Brasileiro, pelo Grêmio.
FTT: Neste Campeonato Brasileiro você foi eleito o melhor goleiro da competição. Teve uma partida histórica no Mineirão, contra o Atlético Mineiro, nas semifinais, que você pegou tudo.
RAFAEL: Foi num domingo, pois decidimos o título numa quarta-feira à noite, no Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte enfrentamos 75 mil pagantes. Por coincidência era aniversário do Nelinho, que batia mal na bola (risos...). Era um Rogério Ceni da época. Nós entramos em campo debaixo de vaias. Tinha uns 5 mil torcedores do Coritiba. Disse que este parabéns pra você seria pra nós no final do jogo. Eles tinham certeza que iriam ganhar. Encontrei com o Reinaldo aqui em São Paulo e ele me disse que tinha certeza que perderíamos pra eles no Mineirão, se não fosse eu, sendo que respondi que “se não fosse o time do Coritiba”. Naturalmente eu trabalhei mais, pois o Coxa mais se defendeu do que atacou. A força individual do Atlético era superior à do nosso time, pois sabíamos das nossas limitações, porque o técnico Ênio Andrade conversava bastante conosco, tínhamos liberdade pra conversar com ele cara a cara, aprendi muito com o Ênio e que em termos de futebol entendia bastante.
No video o gol da partida em Curitiba e uma defesa de puro reflexo de Rafael no Mineirão.
FTT: Foi 0 a 0 no Mineirão, chegando a grande final contra o Bangu, sendo que os outros times fortes no campeonato eram o Flamengo, Grêmio, Sport e São Paulo.
RAFAEL: Em Coritiba ganhamos do Atlético Mineiro por 1 a 0 com o Jairo no gol, sendo que o único jogo que fiquei de fora por conta do cartão amarelo, além de uma partida contra o Cruzeiro com o Gérson no meu lugar. O time jogou 36 partidas e atuei em 34. A equipe do Flamengo tinha Zico, Adílio e Andrade. Eu sonhei com esses caras antes do jogo. Ganhamos deles no Maracanã com um gol do Amarildo, sendo que o goleiro deles era o Fillol. O Coritiba não foi campeão por acaso, pois como o Bangu, penamos pra chegar à final. E era separado, com os vinte maiores e os vinte maiores. O Bangu saiu do menor e uniu na final pra saber quem era o campeão do Brasil. O Flamengo não quis depois jogar com o Sport em Recife.
Rafael ergue a taça de campeão brasileiro de 1985. O titulo mais importante na historia do Coritiba .FTT: A final do Campeonato Brasileiro foi provavelmente o maior jogo da história do Coritiba e talvez da sua carreira, Rafael.
RAFAEL: Não posso dizer que foi, pois também fiz grandes partidas em outras equipes. Fui vice-campeão da primeira Copa do Brasil pelo Sport, perdendo para o Grêmio na final, em 1989. Só não ganhamos por causa de erro da arbitragem, o que existe até hoje. Empatamos em 0 a 0 na Ilha e perdemos por 2 a 1 em Porto Alegre, um resultado contestado. Em termos de título, o que me marcou bastante foi a conquista do Campeonato Brasileiro, mas na questão de performance nos outros 14 clubes, sempre mostrei um bom trabalho, inclusive na Seleção Brasileira.
FTT: Fale desta final contra o Bangu.
RAFAEL: Primeiro precisamos passar do Atlético Mineiro. Que foi o nosso grande trunfo. Pensavam que iríamos chegar a Minas e o Atlético iria atropelar, pois já estava bom demais para o Coritiba. Mas conseguimos segurar os 0 a 0, sendo que já tínhamos vencido por 1 a 0 em Curitiba. Ficamos até terça-feira em Belo Horizonte, nos concentrando na Toca da Raposa. O Bangu jogava com o Brasil de Pelotas no Maracanã, ganhando por 3 a 1. Nós empatamos com jogadores de nível de Seleção Brasileira. Eles contavam que o Coritiba seria uma presa fácil dentro do Maracanã. Não era só a torcida do Bangu, mas do Rio de Janeiro contra o Coxa. Torcedores nossos eram somente 10 mil, mas tinha mais de 2 milhões e meio em Curitiba torcendo pra gente. Eu acho que o estado todo naquela noite torceu pra nós, porque era o Paraná contra o Rio. Foi um grande jogo. Saímos do hotel Copacabana Plaza as 5 horas da tarde. Eu ainda brinquei com o Senhor Ênio, dizendo que “o jogo era às 21h40min, tendo que sair agora”! Ele falou que eu iria ver o trânsito que iríamos pegar. Chegamos no estádio às 8 horas da noite. O Bangu chegou às 21:35, tendo que os jogadores dele sair do ônibus e ir a pé para o Maracanã. Entramos em campo e ficamos esperando 35 minutos por eles, tanto é que o jogo acabou à 1 e meia da manhã. Foi um sufoco geral, com o Coritiba mais marcando do que jogando. O intuito mesmo era levar para os pênaltis e levamos. A equipe do Bangu teve muito mais volume de jogo. O Ênio armou o time pra tentar ganhar em esporádicos contra-ataques com o Lela, Edson e Índio. Fica difícil, porque o Bangu em termos individuais tinha grande s jogadores.
Rafael salvando o Coritiba na finalissima contra o Bangu no Maracanã.FTT: O Coritiba foi Campeão Brasileiro e você foi escolhido como o melhor goleiro da competição. Chega 1986 e no final deste ano é convocado pra Seleção Brasileira que se classifica para o Panamericano de 87.
RAFAEL: Fui convocado para a principal, mas não pude me apresentar. É uma história engraçada. Fizeram um jogo amistoso entre Coritiba e Atlético, que era pra dar a maior renda do estado, com o Campeão Brasileiro e o Paranaense. Iríamos entregar a faixa de Campeão Paranaense pra eles e receberíamos a de Campeão Brasileiro deles. Só que esqueceram que a rivalidade é grande e choveu o dia inteiro. Eles esperavam que ia dar uma renda estrondosa , mas deu 2 mil pagantes. O que eu implorei pra não ter aquele jogo, pra marcar outra data, mas eles queriam jogar. No gol do Atlético, o Dé estava impedido, com todo o mundo correndo pra cima do bandeira. Se não me engano, expulsaram o Gomes e depois teve o cai cai, comigo participando. E quando cheguei em casa, minha esposa disse que perdi a Seleção Brasileira, pois eu sabia que seria convocado , porque o Telê Santana havia dito, sendo que os goleiros eram o Carlos, eu, Paulo Vítor e Gilmar (Bangu). Estava suspenso a nível estadual, mas jogava a Libertadores. A nível de Seleção Brasileira, se você for convocado, servirá o seu país. Uma coisa regional não pode impedir algo nacional. O Telê disse que não foi por motivo técnico ou físico, mas jurídico. Acabei não sendo convocado e no meu lugar entrou o Leão, que foi a última Copa do Mundo dele, reclamando depois por ser o terceiro goleiro. Em vez de ser o Gilmar do Bangu convocado, foi o do São Paulo, que depois acabou sendo cortado. Acabei convocado para o Pré-Olímpico. A convocação pra Copa foi na sexta-feira e na segunda eu fui absolvido. Convocaram-me para o Pré-Olímpico, jogando com Dunga e Dida. Eu era o vovô deles. Nosso treinador era o Jair Pereira e fizemos uma grande campanha no Chile.
Rafael e suas diversas faixas de campeão nos times paranaenses: Gremio Maringá, Atletico e Coritiba Mauricio Sabará e rafael Cammarota com um poster do goleiro nos tempos de Coritiba.
FTT: Você sonhava em ir pra Copa do Mundo de 1990?
RAFAEL: Sonhava e tinha condições, pois ainda estava bem. Mas a grande chance que tive foi em 1985, mas por causa de um Atletiba, fiquei de fora. Hoje você sendo Campeão Brasileiro se tem grandes pretensões. O Coritiba foi campeão sem gastar um tostão, porque a premiação que nos foi prometida não foi paga. Eu não tenho medalha de Campeão Brasileiro. O Evangelino, que Deus o tenha em bom lugar, teve a brilhante idéia de vender as nossas medalhas para os sócios do Coritiba. E na festa que teve em Coritiba eu falei para que nos devolvessem estas medalhas, pois elas nos pertencem. Não existe você não ganhar a medalha. Aquela euforia que estava no Maracanã, queríamos pegar o troféu e fazer a festa, porque as luzes foram apagadas, deixando apenas uma torre acesa. Não houve nem entrega de faixas. Deram o troféu em nossas mãos e tchau. Estávamos com o ordenado atrasado. Hoje é diferente. Naquela época era normal atrasar o pagamento. Achavam que atrasando, o cara jogava mais. Pelo contrário, isso atrapalha o atleta dentro do campo, porque ele tem água, luz, telefone e família pra sustentar. Naquela época se usava esta tática, atrasar o pagamento, que ele joga.
FTT: Depois do Coritiba você jogou também pelo Sport.
RAFAEL: Disputei a Taça do Nordeste, que ganhamos. Aí veio a Copa do Brasil, onde o Sport chegou à final contra o Grêmio, em 1989. O juiz Aragão nos prejudicou. Empatamos em 0 a 0 na Ilha, com muitos erros de arbitragem no meu modo de entender. Lá em Porto Alegre, a coisa pegou, porque o Olímpico estava lotado, com o Mazzarópi fazendo gol contra após um cruzamento de bola, jogando ela pra dentro do gol. O Grêmio empatou. E o segundo gol foi feito pelo Cuca, em uma falta que não existiu. Cobraram ela rapidamente, com o Cuca entrando e fazendo o gol. Este jogo foi no domingo e na quarta-feira jogamos contra eles pelo Campeonato Brasileiro, ganhando de 2 a 0 do Grêmio no Olímpico, com eles gozando a gente dizendo que não valia mais nada. Mas o verdadeiro campeão, na minha opinião, deveria ser o Sport, por tudo aquilo que fizemos na primeira Copa do Brasil.
O time do Sport Recife , vice campeão da Copa do Brasil 1989
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FTT: Pra finalizar, eu vou falar do grande clube da sua carreira, que foi o Coritiba, que acabou de ser Campeão Paranaense neste ano de 2011, sendo que está mais de 20 partidas só ganhando.
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| Rafael salvando mais uma na final contra o Grêmio |
FTT: Depois do Sport você jogou em quais clubes?
RAFAEL: Joguei em 13 clubes. Voltei para o Atlético Paranaense em 1991, que estava na Segunda Divisão e subimos pra Primeira. Retornei ao Coritiba em 92, da mesma forma, voltando também pra Divisão Principal. Aí vim para o Santo André. Estive no São José entre 1988 e 1989, sendo Vice-Campeão Paulista perdendo duas finais para o São Paulo, sendo que tenho muitas saudades do time da Águia do Vale. Joguei também no Fortaleza, Ferroviária, Paulista de Jundiaí e meu último clube foi o Brasil de Pelotas, com 40 pra 41 anos, em 1995. Aí quis parar. Comecei a minha nova carreira em uma Escolinha de Futebol, virei treinador de goleiros e em 2006 me firmei como técnico de futebol.
FTT: Por sinal você teve uma passagem famosa pelo Atlético Catarinense.
RAFAEL: Fui pro Atlético através de um convite do Teodoro, que era empresário de futebol, empresariando atualmente somente cantores sertanejos. Fiz uma boa campanha na Barbarense, onde fiquei um ano e meio. Me transferi para o União de Mogi e depois para o Atlético Catarinense, onde fiz uma boa campanha de 6 jogos, tínhamos que ganhar 5 pra ir à final, sendo que perdemos a classificação para o Tubarão, que subiu pra Primeira Divisão e permanecemos na Segunda.
FTT: Pra finalizar, eu vou falar do grande clube da sua carreira, que foi o Coritiba, que acabou de ser Campeão Paranaense neste ano de 2011, sendo que está mais de 20 partidas só ganhando.
RAFAEL: Fez 22. Eu disse em uma rádio de Curitiba, que é um mérito muito grande, mas não dá pra fazer comparações. O time de 1971 a 1976, no Paraná, não tinha pra ninguém. De 85 a 89 também foi um grande time. Cada um na sua época. Não deixamos de aclamar o que o Coritiba fez neste ano, pois é o mesmo time que havia caído em 2009. Foi um time montado pelo Nei e espero que no Brasileirão tenha a mesma performance e iremos agora equiparar com o Palmeiras em termos de Copa do Brasil, acredito que será um grande jogo, espero que vença e vá as finais. Se um time conseguiu tantas partidas invictas, foi campeão, chegou a hora de mostrar que é grande.
REPORTAGEM: Maurício Sabará Markiewicz.
FOTOS: Estela Mendes Ribeiro.
Revista do Dia - El Gráfico
A revista argentina El Gráfico de 17 de Maio de 1967 trás em sua capa o zagueiro brasileiro Orlando Peçanha.
Encontros eternizados - Bruno Conti , Liedholm e Falcão
Niels Liedholm, Bruno Conti, Dino Viola presidente da Roma e Falcão em 1982. A Roma era o clube poronde atuavam Bruno Conti e Falcão para orgulho de Viola.
terça-feira, 19 de abril de 2011
O Craque disse e eu anotei - DARIO
Quem me passou o telefone do Dario foi o Getulio, meu ultimo entrevistado. Agendei a entrevista já imaginado que seria talvez a mais descontraida de todas as entrevistas realizadas até hoje. E não deu outra. Foram duas horas de um bate papo super descontraido com um cara que trasnborda alegria.
Confiram a historia de Dadá Maravilha, Dada Peito de Aço, Dadá Beija Flor ou simplesmente Dario.
FTT - Como o Atlético te descobriu no Campo Grande?
DARIO - Olha, eu devo muito da minha carreira a um bebado.
O Atlético foi ao Rio para contratar o Carlinhos que jogava no São Cristovão. Eles jogaram no sabado.O Carlinhos foi o melhor em campo e o São Cristovão ganhou de 1 x 0 com um gol dele.O diretor do Atletico gostou muito e fechou com ele. Só que na saida, um bebado indagou o diretor atleticano perguntando porque ele estava levando o Carlinhos pra Minas. E ele respondeu dizendo que precisava de um goleador no time e o levaria para Belo Horizonte. O bebado então caindo pelas tabelas disse a ele que pra fazer gols ele deveria levar então o Dario do Campo Grande e não o Carlinhos . O bebado começou a segurar na perna do dirigente que chamou um PM e lhe disse que o bebado estava sendo inconveniente .O policial então falou com o diretor. Vamos fazer um acordo. Que tal o senhor voltar aqui no Maracanã amanha que tem rodada dupla e ver o Dario jogar. Ele é bem ruim mas faz gol mesmo.
O diretor então saiu e depois de um tempo já se preparava para ir embora quando o proprio Carlinhos falou com ele: olha eu se fossse você , ia amanhã ver o Dario pois nós jogamos contra eles , perdemos de 3x1 e os tres gols foram dele. Ele joga a bola na na frente e não dá pra ver nem a placa .
Nós iamos jogar na preliminar do Fla Flu contra o Bonsucesso . O senhor Gradim , nosso treinador chegou para mim e disse que precisava de mim na partida e eu fui. Ganhamos de 4 com 4 gols meus. A torcida pedindo pra lançar no "9" porque ninguem me conhecia .
O diretor do Atletico estava lá e no final foi no vestiario. Perguntou se eu queria jogar no Atletico e eu surpreso falei que topava. Ele disse que eu era muito magro e eu falei que me desse o que comer que eu ia dar a eles muitos gols. Ele me disse se eu sabia o que estava falando e eu respondi que confiava em mim e que ele acreditasse tambem.E fui para o Atlético.
FTT - Chegou no Atlético e foi logo jogando ?
DARIO - Eu fiquei um ano e pouco na reserva até a chegada do Yustrich. Ele me disse que ninguem me queria, que iam me emprestar mas não arranjaram nenhum clube. O que eu pensava disto. Eu pedi a ele que me desse chance para treinar de verdade porque eu me sentia isolado por todos , exceto pelo Lola que me ajudava. Eles me colocavam pra treinar faltando 5 minutos, ninguem me dava bola e eu ficava com esta fama de perna de pau.Yustrich então falou que eu ia treinar. Chegou no treinamento ele deu a escalação com o 9 sendo o Dario. Os jogadores falaram com ele pra jogar com 10 mas não colocar este perna de pau no time deles. O tecnico disse que ele ia jogar pois ficou sabendo que ele fazia gols no Rio de Janeiro e queria ver ele atuar aqui. No primeiro tempo do coletivo 2x0 para os reservas com dois gols meus. O Yustrich chegou perto de mim e falou: menino você até que não é tão ruim assim não. Eu falei: quer ver isto mudar me coloca no time titular. Ele me perguntou se eu não era meio mascarado e eu disse que apenas confiava em mim. Ele me trocou com o Vaguinho. Naquela epoca não tinha este conforto de hoje em dia e nós trocamos de camisa, aquela camisa suada. O time titular virou pra 3x2 com tres gols meus.
Acabou o treino o sr. Yustrich reuniu os jogadores e me perguntou se queria falar algo para eles. Eu disse que sim e desabafei. Disse a eles que eu iria ser um dos maiores jogadores de Minas , a torcida iria ficar com calos nas mãos de tanto bater palma e eu iria colocar o feijão no prato deles.Cansei de ser humilde, ser humilhado e a partir de hoje sou um doido. Os jogadores ficaram olhando um pra cara do outro.
Eu passei a jogar no time titular e fui artilheiro do mineiro (1969) com 29 gols.
Atletico em 1968 - A partir da esq. Humberto Monteiro, Vânder, Vanderlei, Djalma Dias, Mussula e Cincunegui e agachados Vaguinho, Amaurí Horta, Dario, Oldair e Tião
FTT - E alem de ser artilheiro em 1969 foi tambem em 70, 72 e 74?
DARIO - É , eu sou o maior artilheiro na historia do campeonato mineiro.
FTT - Em 1969 outra grande alegria. O Atletico vence a Seleção Brasileira com um gol seu.
DARIO - Nossa e que alegria. Nesta epoca eu estava fazendo gols de todo jeito e comecei a botar nome neles. A imprensa então correu para mim e queria saber como iria se chamar o gol,contra a seleção brasileira. Eu disse a eles que não colocaria nome desta vez em respeito a historia desta seleção e dos jogadores que ali estavam. Eram as "Feras do Saldanha". eu disse que estava feliz em colaborar , treinar contra eles.
A imprensa acabou cutucando o Saldanha e perguntaram a ele porque não me convocava. Ele foi muito infeliz e disse que eu não jogava nada e tinham pelo menos 10 centroavantes melhores do que eu na epoca. Eu respondi a imprensa que a seleção estava invicta até então porque não tinha jogado contra o Dadá; O Saldanha ficou sabendo e marcou o jogo.
Naquele dia eu joguei demais. Corri muito e infernizei a defesa deles. Eu fiz um gol e o Amaury outro. O Medici pegou o jatinho e veio ver o jogo. No final perguntaram pra ele o que tinha achado da partida. Ele disse que quando o Dario pegava na bola, ninguem pegava ele. Falou que era o melhor atacante do Brasil. Aí a imprensa pegou isto e foi no Saldanha. Lá falaram que até o presidente queria ver o Dadá na seleção. Ele respondeu: ele escala o minsiterio e eu escalo a seleção. A imprensa já não gosta de fofoca e voltou no presidente dizendo a resposta do Saldanha. Imediatamente o Medici mandou tirar ele e que iria cair todo mundo. Aí deu aquela confusão e o Zagallo assumiu, me convocando e mais outros quatro jogadores
FTT - Pelé, Carlos Alberto e Gerson tinham poder de decidir coisas ali dentro da seleção?
DARIO - Não tinham não. O Zagallo tinha comando, ele impunha respeito e seu modo de falar mostrava personalidade e dava confiança na gente.
FTT - Quando voltaram da Copa, você, Fontana, Piazza e Tostão desembarcaram em Belo Horizonte. Como foi a recepção?
DARIO - Nossa eu não acreditava. Ficava me beliscando para ver se era verdade. Parece que todas as pessoas sairam de suas casas e foram para a rua comemorar. Foi muito emocionante desfilar entre tanta gente.
FTT - Qual treinador viu potencial no seu futebol e investiu em você?
DARIO - Foi o Gradim. Ele disse que eu era ruim mas corria muito e se soubesse aproveitar isto eu faria muitos gols. Me fez treinar mais de 100 cabeçadas por dia e inevitavelmente eu tinha de ficar bom. Depois o Yustrich aprimorou algumas coisas. Me deu confiança. Teve ainda o Telê em 70. Ele me disse que era para mim treinar acertar passes de 2 metros sem errar que já estava muito bom porque de 20 metros era impossivel. (Nesta hora eu dei gargalhadas). E eu passei a ser um dos que menos errava passes nos jogos mas porque? Porque só dava passes curtos, não dava de curva, não enfeitava o pavão e só jogava facil. Eu dizia: não sei fazer e não vou inventar.
FTT - Desde a inauguração do Mineirão o Cruzeiro havia conquistado todos os campeonatos. Foi penta. A pressão devia ser grande por parte da torcida atleticana. Como foi finalmente desbancar aquele time e conquistar o mineiro de 1970?
DARIO - Olha, eu nem sei se deveria falar o que eu vou falar, mas a verdade é que eu cheguei a ficar anestesiado em jogo do Atletico contra o Cruzeiro vendo o time deles jogar. Eu entrava no campo e ficava babando vendo o Dirceu Lopes jogando. Não só ele mas o Natal, Evaldo, Raul, Piazza, Tostão. Os caras eram de outro planeta. Teve um lance que não me esqueço. O Dirceu Lopes pegou a bola no meio campo e eu fui entrar nele. Foi quando ele enfiou a bola debaixo das minhas pernas e eu caí sentado.Depois ele driblou o Vanderlei , o Vantuir e chutou na trave. Eu dei graças a Deus porque não foi só eu que fui driblado (risos) senão iam dizer que foi culpa minha porque tomei debaixo das pernas. O Cruzeiro vencia por 1x0 com gol de Rodrigues e eu subi numa bola de cabeça com o Fontana e empatei a partida no finzinho do primeiro tempo. No segundo eu fiz mais um e finalmente vencemos o Cruzeiro por 2x1. Depois ganhamos outros jogos e fomos campeões mineiros.
FTT - Você enalteceu aqui aquele time do Cruzeiro dos anos 60. Era um time cadenciado, de toque de bola , a bola de pé em pé enquanto o Atlético jogava na velocidade de seus pontas fossem o Vaguinho, Tião ou Romeu e você correndo no miolo da area. Você acha que seria o mesmo Dadá se tivesse jogado naquele time do Cruzeiro ao invés do Atlético?
DARIO - Acho que não. Aliás prefiro nem entrar muito no merito desta questão pois adoro o Evaldo, o considero um atacante excepcional e que se completava com Tostão e Dirceu Lopes. se deslocava muito e tinha toques rapidos. Agora eu seria muito importante para o Cruzeiro, nem digo como titular , mas talvez um reserva de luxo. Porque o Cruzeiro era um time de muito toque mas quando pegavam um time que distribuia porrada, dificultava para o Cruzeiro.E nestas horas eu poderia entrar pois eles tinham jogadores extrordinarios para cruzar na area e na area com Dadá não tinha pra ninguem.
FTT - Teve algum ponta com quem você se entendia melhor, que os cruzamentos era perfeitos?
DARIO - O jogador que mais me completou foi o Tião "Cavadinha". Me desculpem a modestia mas eu vi duplas sensacionais como Reinaldo e Marcelo, Tostão e Dirceu Lopes mas dupla para fazer gols igual Dadá e Tião nunca existiu e nem vai existir no futebol mineiro. Depois eu peguei no Internacional o Valdomiro. Eram estilos diferentes pois o Tião cruzava pra mim no decimo quinto andar, onde só eu ia e não tinha perdão. Já o Valdomiro cruzava rapido e eu tinha de acompanhar e fazer o queixo no ombro. Então eu juntei as duas coisas. A impulsão que era de 90 parado , que é altura para jogador de volei pular e a velocidade para acompanhar as jogadas.
Dario e Tião "Cavadinha". Um completava o outro. Tião cruzava e Dadá colocava pra dentro das redes.
FTT - O Atlético campeão brasileiro em 1971 teve pelo menos tres grandes lideres em campo: Vanderlei Paiva, Oldair e Vantuir. Mas na hora do vamos ver mesmo quem era o grande lider deste time, aquele que empurrava os jogadores a vitoria?
DARIO - Foi até bom você falar pois o Oldair é um cara que eu tenho uma enorme admiração. Outro dia eu escrevi numa cronica minha para o jornal que o Atletico não precisa de reinaldo, nem Cerezo, nem Dario. O Atletico precisa de um Oldair. O grande capitão da equipe. Ele tinha ascendencia sobre a gente . Tinha vez que eu ia lá pra trás pensando em ajudar e ele me dava cada esporro. Vai lá pra frente , seu lugar é lá. Ele tinha um poder sobre todos os jogadores, organizava o time.
FTT - Este time do Atlético de 1971 foi o melhor que você jogou?
DARIO - Não digo que foi o melhor porque o Atletico do Reinaldo foi fantastico (75/80) . Olha se for olhar tecnica o time do Reinaldo foi muito melhor. Agora se você falar em raça, eficiencia e amor a camisa nunca houve um time igual ao nosso. A torida gritava Galo e a gente corria feito louco em campo. Teve jogo em que o Humberto Monteiro trombou com o Lola de tanta vontade que foram na bola.
Dario fazendo de cabeça o gol mais importante da historia do Atletico. No Maracanã venceu o Botafogo por 1x0 conquistando o campeonato brasileiro de 1971.
FTT - Qual a sensação que você sentiu quando fez aquele gol no Maracanã dando o titulo ao Atlético?
DARIO - Não há palavras para descrever o que eu senti. É como eu sempre digo. Não fiz o gol mais bonito mas fiz o gol mais importante na historia do Atletico. Isto ninguem me tira.
DADÁ AGORA É RUBRO NEGRO
FTT - Como foi sua ida para o Flamengo em 1973?
DARIO - Olha, eu cheguei no Flamengo e vi que tinham varios jogadores cheios de vaidade, que faziam questão de tocar de curva, jogar pra torcida; E eu não acompanhava estes lançamentos porque batia de canela. E os caras não facilitavam meu trabalho. Nós teriamos um jogo contra o Bangu e precisavamos vencer por pelo menos 5x0 para entrar em condições de brigar pelo titulo contra o fluminense. O Zagallo chegou e falou que nosso time não estava fazendo gol e coisa e tal. Eu então falei que os caras estavam dando passes de efeito e eu batia de canela mesmo. Agora se lançarem normnal tem gol.Voces olham quantos gols eu tenho no campeonato? Um gol e o artilheiro já tem oito.Agora lancem pra mim que eu vou ser artilheiro do campeonato .Conclusão. No jogo com o Bangu os caras tocaram direito e eu fiz 5 gols e nós vencempos por 8x0.
Jogo: Flamengo 8 x 0 Bangu
Competição: Campeonato Carioca - 2º Turno
Data: 19/07/1973
Estádio: Maracanã
Time: Renato, Moreira, Chiquinho, Fred, Rodrigues Neto, Liminha, Zé Mario, Doval, Dario, Paulo Cesar e Arilson.
Gols do Flamengo: Dario(5), Doval(3) e Paulo Cesar.
Público: 17.863
Flamengo 1973 - A partir da esq. Renato, Moreira, Fred, Chiquinho, Liminha e Rodrigues Neto;
agachados estão Vicentinho, Paulo Cesar, Dario, Doval e Arílson
Chegamos a final , o Fluminense chegou a fazer 2 x 0 eu fiz dois gols empatando a partida mas eles fizeram mais dois e venceram por 4x2. Eu ainda fui o artilheiro do campeonato com 15 gols.
Ficha Técnica: Fluminense 4 x 2 Flamengo.
Motivo: Decisão do Campeonato Carioca de 1973.
Data: 22/08/1973.
Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro).
Árbitro: José Favilli Neto (SP).
Renda: Cr$ 970.501,00.
Público: 74.073 pagantes.
FFC: Félix; Toninho, Bruñel, Assis e Marco Antônio; Carlos Alberto "Pintinho", Kléber e Marquinhos; Dionísio, Manfrini e Lula. Técnico: David Ferreira, o "Duque".
CRF: Renato; Moreira, Chiquinho Pastor, Fred e Rodrigues Neto; Liminha, Zico e Paulo Cézar; Vicentinho (Arílson), Dario e Sérgio. Técnico: Zagallo.
Gols: Manfrini aos 40', Toninho aos 45', Dario aos 70' e aos 78', Manfrini aos 80' e Dionísio aos 82'.
FTT - E nesta epoca do Flamengo você viu surgir um jogador chamado Zico.
DARIO - O Zico já mostrava que iria ser fora de serie. Teve um dia que iamos jogar contra o Goiatuba en Goias e ele me falou. Dadá o tanto de gols que você fizer eu vou fazer.Eu falei com ele :menos né garoto, menos. Chegamos lá e vencemos por 6x2 e cada um fez tres gols. Ali ele mostrou a sua personalidade mesmo tão novo. Poucos dias depois nós fomos jogar na Africa e empatamos o jogo em 4x4 com dois meu e dois dele e ele matou a pau nesta partida. Aí eu falei: Zico tem que ser titular. Que fique Doval e Zico, Dadá e Zico mas ele tem que ser titular.
(Flamengo 4 x 4 Seleção do Zaire - 22/02/1974)
A partir da esq. Renato, Moreira, Fred, Tinho, Liminha e Rodrigues Neto. Agachados: Rogério, Paulo Cesar caju, Dario, Zico e Marquinhos.
Dario contra o Vasco pelo campeonato carioca de 1973.
A VOLTA PARA O ATLÉTICO
FTT - Saiu do Flamengo e voltou para o Atlético. Porque a saida?
DARIO - O Zagallo chegou para mim e disse que via que eu não estava tão satisfeito no clube e que o Atlético estava me querendo. Se eu queria sair. Eu disse que sim e voltei para o Atlético.
FTT - E no Atlético para variar foi artilheiro.
DARIO - Pois é, cheguei no Atlético em 74 com o campeonato já adiantado e o Roberto Batata era o artilheiro com 10 gols. Eu falei que não tinha problema que eu ainda iria pega´lo; Acabei sendo artilheiro com 24 gols.
UM DOS MELHORES MOMENTOS NA CARREIRA NO SPORT RECIFE
FTT - Do Galo para o Sport. Foi um grande momento em sua carreira.
DARIO - Olha. não dá para explicar minha fase no Sport. Eu fiz 99 gols em um ano e dois meses. Quebrei todos os recordes lá. Quebrei o recorde mundial de gols em uma unica partida quando fiz 10 gols no Santo Amaro. Fiz gol de todo jeito. Faziam 13 anos que o Sport não vencia o campeonato pernambucano e fomos campeões.
FTT - E você foi artilheiro dois anos seguidos .
DARIO - Fui. Em 1975 eu fiz 32 gols e em 76 fiz 30 gols.
Eu estava muito bem lá, era idolo da torcida mas ai o Inter fez uma proposta irrecusavel. Ofereceu o Ramon que já tinha jogado no Santa Cruz e era um grande artilheiro e mais uma boa quantia em dinheiro.
FTT - Você jogou nos tres grandes de Pernambuco. Com qual você teve mais identidade?
DARIO - Olha, eu fiz um bom campeonato no Nautico, fomos vice campeões , no Santa Cruz tambem mas o meu aproveitamento no Sport foi espetacular. Fomos campeões depois de longo tempo qeu o time não ganhava e minha identificação coma torcida foi grande.
INTERNACIONAL CAMPEÃO GAUCHO E BRASILEIRO
FTT - O que dizer deste Inter ?
DARIO - Olha ele foi considerado o melhor time dos anos 70 e então você imagina.Um timaço.
FTT - Você jogava em um time com muita qualidade tecnica, mudou alguma coisa no seu jeito de jogar?
DARIO - O time era fantastico. Tinha o Figueroa, o Falcão que para mim foi um dos maiores jogadores que conheci. Se mandassem um tiro no seu peito ele dominava e deixava cair suave no gramado. Marinho Peres, Carpegianni. Mas tinha dois pontas rapidos, o Lula e principalmente o Valdomiro com quem eu me entendia muito bem.
FTT - No gol do titulo do Inter contra o Corinthians em 76 você parou no ar?
DARIO - Parei!................mas parei só 14 segundos (nesta hora eu não resisti, parei a entrevista e rolei de rir). O meu normal era 15.
FTT - Grenal era um jogo especial para você?
DARIO - Era. Eu decidi varios grenais. Quando eu cheguei a imprensa veio me provocando falando que quem mandava em Porto Alegre era o Alcindo do Grêmio. Eles tinham ganhado o ultimo jogo por 3x1 . Alcindo tinha deitado e rolado neste jogo. E então eu disse que se preparassem porque o reinado dele tinha acabado. No proximo grenal eu decidi e sempre fazendo aquelas palhaçadas com a imprensa , promovendo o espetaculo.
FTT - Falando nesta sua irreverencia, nas brincadeiras que sempre fazia me diga uma coisa. Esta alegria não escondia um pouco da trsiteza que você carregava da sua infancia ou era uma forma de compensar e alegrar meninos que no momento passavam o que você passou?
DARIO - A sua pergunta foi muito inteligente e eu vou tentar dar uma respotsa inteligente. O que quero dizer , é que no fundo era mesmo uma revolta minha.Eu não tinha muitas condições , sempre fui muito humilhado, principalmente quando entrei para o futebol profisional. Logo que eu cheguei para o Atletico , só pra você ter uma ideia, minha ex esposa pegou um taxi e o motorista falou com ela: vem cá, você gosta de futebol? Ela falou que gostava. O motorista então falou: pois é, o Atletico contratou um jogador ai mas o cara é ruim demais. Se eu ver ele passando na rua passo com o carro por cima dele.
Aí quando ela chegou em casa, ela falou isto comigo chorando. Eu chorei tambem e fiquei revoltado.Foi aí que resolvi mudar tudo. Falei comigo mesmo que a partir daquele dia eu iria ser "doido". Fui na televisão e falava que ia ser o maior jogador de Minas, prometia gols, dava nome a eles. No começo era uma forma de me extravasar, mas depois vi que estava alegrando as pessoas com aquilo. A imprensa adorava aquilo, pois todo mundo estava acostumado com o feijão no prato e eu coloquei o estrogonofe. A imprensa do Brasil inteiro passou a me ligar querendo saber se iria ter gol e qual seria o nome.
FTT - Voltando a falar no Inter você acredita no trabalho que está se iniciando do Falcão como treinador ? Não acha perigoso ex idolos assumirem papeis de treinadores ou presidentes dos clubes?
DARIO - Não! Não é não. Sinceramente, acho que ele vai se dar muito bem. Primeiro que está todo mundo torcendo por ele, os colorados se uniram em torno dele e o astral então é totalmente diferente, é favoravel ao seu trabalho. E ele é de fino trato com os jogadores, respeita os atletas, educado e tenho certeza que os jogadores vão morrer por ele. Alem do que tem uma identidade com o clube. Veja bem, é comum no meio do futebol um jogador menosprezar um tecnico perguntando para um companheiro :onde este cara jogou? E alguem vai ter coragem de questionar o Falcão sobre seu passado? Então ele tem o respeito dos comandados.
FTT - Contra qual zagueiro você travou seus maiores duelos?
DARIO - A foi o Luiz Pereira. Ele era demais. Ganhou muito Motoradio em cima de mim. Me deu até balaõzinho.
Teve o Perfumo tambem que era extraordinario , era craque mas quando eu jogava na frente adeus, não tinha pra ele.
Agora teve um que no dia em que eu jogava contra ele até tremia. O Leonidas do Botafogo. Rapaz o que ele me deu de caneta e balãozinho , acabava comigo.
Agora como jogador e homem quem eu tenho a maior admiração é o Piazza. É um dos melhores amigos que tenho e foi um jogador sensacional que jogava para o clube.
FTT - Você não ficou no Atletico tantos anos como outros jogadores, talvez somando , uns cinco anos. Nos outros clubes ficou em media dois anos em cada um. Porque esta paixão pelo Clube Atlético Mineiro?
DARIO - Vou tentar te responder sutilmente, já que sua pergunta não é facil. Olha, eu cheguei no Atletico como um ilustre desconhecido e foi lá que eu fiquei famoso. Tanto que quando se fala no Dadá, os caras associam a minha imagem ao Atletico. O clube me lançou para o mundo.
FTT - Você notava uma diferença no tratamento da torcida do Atletico em relação as outras para com você?
DARIO - Não. Fui idolo no Bahia, no Sport mas o que ficou marcado mesmo foi no Atlético e Inter pois conquistei brasileiros nestes clubes. A torcida do inter me adora tambem. Sou muito querido em Porto Alegre. Eu costumo dizer que sou bigamo pois amo tanto o Atlético como o Inter.
FTT - Teve algum clube que faltou para você jogar ?
DARIO - A minha maior frustração é não ter jogado no Corinthians. Eu vou ser sincero, com todo respeito que eu tenho ao Atletico, Flamengo e Internacional que muito me honraram vestir estas camisas mas se eu jogasse no Corinthians e fizesse estes gols que eu fiz aqui eu teria um prestigio perto de Pelé. Porque um gol pelo Corinthians, a midia é muito maior.
FTT - Foi destino, coincidencia ou porque você jogou praticamente só em times de massas ? (Flamengo, Atlético, Inter, Bahia, Sport, Santa Cruz, Coritiba)
DARIO - Não foi apenas coincidencia. O pessoal, os dirigentes falavam que meu estilo se associava a estes clubes.Falavam que o Dadá só joga em time de massa e eu acabava explodindo nestes clubes mesmo. Eu por exemplo já escutei que tentaram levar meu nome para o São Paulo e Santos mas falavam que eu não tinha o perfil do clubes.O mesmo do Fluminense.
FTT - E como sempre pergunto a todos entrevistados, aponte aqui cerca de sete daqueles que foram os maiores jogadores que você viu jogar.
DARIO - Lola. Jogava demais , pena que não levou a carreira tão a serio. Reinaldo. Falcão, minha nossa que categoria. Tostão, Dirceu lopes, Piazza. Edu eu era fã dele. Valdomiro , Zico, Leonidas o zagueiro. Pelé e Garrincha estão em outro patamar.
Confiram a historia de Dadá Maravilha, Dada Peito de Aço, Dadá Beija Flor ou simplesmente Dario.
FTT - Como o Atlético te descobriu no Campo Grande?
DARIO - Olha, eu devo muito da minha carreira a um bebado.
O Atlético foi ao Rio para contratar o Carlinhos que jogava no São Cristovão. Eles jogaram no sabado.O Carlinhos foi o melhor em campo e o São Cristovão ganhou de 1 x 0 com um gol dele.O diretor do Atletico gostou muito e fechou com ele. Só que na saida, um bebado indagou o diretor atleticano perguntando porque ele estava levando o Carlinhos pra Minas. E ele respondeu dizendo que precisava de um goleador no time e o levaria para Belo Horizonte. O bebado então caindo pelas tabelas disse a ele que pra fazer gols ele deveria levar então o Dario do Campo Grande e não o Carlinhos . O bebado começou a segurar na perna do dirigente que chamou um PM e lhe disse que o bebado estava sendo inconveniente .O policial então falou com o diretor. Vamos fazer um acordo. Que tal o senhor voltar aqui no Maracanã amanha que tem rodada dupla e ver o Dario jogar. Ele é bem ruim mas faz gol mesmo.
O diretor então saiu e depois de um tempo já se preparava para ir embora quando o proprio Carlinhos falou com ele: olha eu se fossse você , ia amanhã ver o Dario pois nós jogamos contra eles , perdemos de 3x1 e os tres gols foram dele. Ele joga a bola na na frente e não dá pra ver nem a placa .
Nós iamos jogar na preliminar do Fla Flu contra o Bonsucesso . O senhor Gradim , nosso treinador chegou para mim e disse que precisava de mim na partida e eu fui. Ganhamos de 4 com 4 gols meus. A torcida pedindo pra lançar no "9" porque ninguem me conhecia .
O diretor do Atletico estava lá e no final foi no vestiario. Perguntou se eu queria jogar no Atletico e eu surpreso falei que topava. Ele disse que eu era muito magro e eu falei que me desse o que comer que eu ia dar a eles muitos gols. Ele me disse se eu sabia o que estava falando e eu respondi que confiava em mim e que ele acreditasse tambem.E fui para o Atlético.
DARIO - Eu fiquei um ano e pouco na reserva até a chegada do Yustrich. Ele me disse que ninguem me queria, que iam me emprestar mas não arranjaram nenhum clube. O que eu pensava disto. Eu pedi a ele que me desse chance para treinar de verdade porque eu me sentia isolado por todos , exceto pelo Lola que me ajudava. Eles me colocavam pra treinar faltando 5 minutos, ninguem me dava bola e eu ficava com esta fama de perna de pau.Yustrich então falou que eu ia treinar. Chegou no treinamento ele deu a escalação com o 9 sendo o Dario. Os jogadores falaram com ele pra jogar com 10 mas não colocar este perna de pau no time deles. O tecnico disse que ele ia jogar pois ficou sabendo que ele fazia gols no Rio de Janeiro e queria ver ele atuar aqui. No primeiro tempo do coletivo 2x0 para os reservas com dois gols meus. O Yustrich chegou perto de mim e falou: menino você até que não é tão ruim assim não. Eu falei: quer ver isto mudar me coloca no time titular. Ele me perguntou se eu não era meio mascarado e eu disse que apenas confiava em mim. Ele me trocou com o Vaguinho. Naquela epoca não tinha este conforto de hoje em dia e nós trocamos de camisa, aquela camisa suada. O time titular virou pra 3x2 com tres gols meus.
Acabou o treino o sr. Yustrich reuniu os jogadores e me perguntou se queria falar algo para eles. Eu disse que sim e desabafei. Disse a eles que eu iria ser um dos maiores jogadores de Minas , a torcida iria ficar com calos nas mãos de tanto bater palma e eu iria colocar o feijão no prato deles.Cansei de ser humilde, ser humilhado e a partir de hoje sou um doido. Os jogadores ficaram olhando um pra cara do outro.
Eu passei a jogar no time titular e fui artilheiro do mineiro (1969) com 29 gols.
Atletico em 1968 - A partir da esq. Humberto Monteiro, Vânder, Vanderlei, Djalma Dias, Mussula e Cincunegui e agachados Vaguinho, Amaurí Horta, Dario, Oldair e Tião
FTT - E alem de ser artilheiro em 1969 foi tambem em 70, 72 e 74?
DARIO - É , eu sou o maior artilheiro na historia do campeonato mineiro.
FTT - Em 1969 outra grande alegria. O Atletico vence a Seleção Brasileira com um gol seu.
DARIO - Nossa e que alegria. Nesta epoca eu estava fazendo gols de todo jeito e comecei a botar nome neles. A imprensa então correu para mim e queria saber como iria se chamar o gol,contra a seleção brasileira. Eu disse a eles que não colocaria nome desta vez em respeito a historia desta seleção e dos jogadores que ali estavam. Eram as "Feras do Saldanha". eu disse que estava feliz em colaborar , treinar contra eles.
A imprensa acabou cutucando o Saldanha e perguntaram a ele porque não me convocava. Ele foi muito infeliz e disse que eu não jogava nada e tinham pelo menos 10 centroavantes melhores do que eu na epoca. Eu respondi a imprensa que a seleção estava invicta até então porque não tinha jogado contra o Dadá; O Saldanha ficou sabendo e marcou o jogo.
Naquele dia eu joguei demais. Corri muito e infernizei a defesa deles. Eu fiz um gol e o Amaury outro. O Medici pegou o jatinho e veio ver o jogo. No final perguntaram pra ele o que tinha achado da partida. Ele disse que quando o Dario pegava na bola, ninguem pegava ele. Falou que era o melhor atacante do Brasil. Aí a imprensa pegou isto e foi no Saldanha. Lá falaram que até o presidente queria ver o Dadá na seleção. Ele respondeu: ele escala o minsiterio e eu escalo a seleção. A imprensa já não gosta de fofoca e voltou no presidente dizendo a resposta do Saldanha. Imediatamente o Medici mandou tirar ele e que iria cair todo mundo. Aí deu aquela confusão e o Zagallo assumiu, me convocando e mais outros quatro jogadores
FTT - Pelé, Carlos Alberto e Gerson tinham poder de decidir coisas ali dentro da seleção?
DARIO - Não tinham não. O Zagallo tinha comando, ele impunha respeito e seu modo de falar mostrava personalidade e dava confiança na gente.
FTT - Quando voltaram da Copa, você, Fontana, Piazza e Tostão desembarcaram em Belo Horizonte. Como foi a recepção?
DARIO - Nossa eu não acreditava. Ficava me beliscando para ver se era verdade. Parece que todas as pessoas sairam de suas casas e foram para a rua comemorar. Foi muito emocionante desfilar entre tanta gente.
FTT - Qual treinador viu potencial no seu futebol e investiu em você?
DARIO - Foi o Gradim. Ele disse que eu era ruim mas corria muito e se soubesse aproveitar isto eu faria muitos gols. Me fez treinar mais de 100 cabeçadas por dia e inevitavelmente eu tinha de ficar bom. Depois o Yustrich aprimorou algumas coisas. Me deu confiança. Teve ainda o Telê em 70. Ele me disse que era para mim treinar acertar passes de 2 metros sem errar que já estava muito bom porque de 20 metros era impossivel. (Nesta hora eu dei gargalhadas). E eu passei a ser um dos que menos errava passes nos jogos mas porque? Porque só dava passes curtos, não dava de curva, não enfeitava o pavão e só jogava facil. Eu dizia: não sei fazer e não vou inventar.
FTT - Desde a inauguração do Mineirão o Cruzeiro havia conquistado todos os campeonatos. Foi penta. A pressão devia ser grande por parte da torcida atleticana. Como foi finalmente desbancar aquele time e conquistar o mineiro de 1970?
DARIO - Olha, eu nem sei se deveria falar o que eu vou falar, mas a verdade é que eu cheguei a ficar anestesiado em jogo do Atletico contra o Cruzeiro vendo o time deles jogar. Eu entrava no campo e ficava babando vendo o Dirceu Lopes jogando. Não só ele mas o Natal, Evaldo, Raul, Piazza, Tostão. Os caras eram de outro planeta. Teve um lance que não me esqueço. O Dirceu Lopes pegou a bola no meio campo e eu fui entrar nele. Foi quando ele enfiou a bola debaixo das minhas pernas e eu caí sentado.Depois ele driblou o Vanderlei , o Vantuir e chutou na trave. Eu dei graças a Deus porque não foi só eu que fui driblado (risos) senão iam dizer que foi culpa minha porque tomei debaixo das pernas. O Cruzeiro vencia por 1x0 com gol de Rodrigues e eu subi numa bola de cabeça com o Fontana e empatei a partida no finzinho do primeiro tempo. No segundo eu fiz mais um e finalmente vencemos o Cruzeiro por 2x1. Depois ganhamos outros jogos e fomos campeões mineiros.
Dario comemorando com os jogadores do Atletico o primeiro titulo mineiro na era Mineirão, em 1970.
FTT - Você enalteceu aqui aquele time do Cruzeiro dos anos 60. Era um time cadenciado, de toque de bola , a bola de pé em pé enquanto o Atlético jogava na velocidade de seus pontas fossem o Vaguinho, Tião ou Romeu e você correndo no miolo da area. Você acha que seria o mesmo Dadá se tivesse jogado naquele time do Cruzeiro ao invés do Atlético?
DARIO - Acho que não. Aliás prefiro nem entrar muito no merito desta questão pois adoro o Evaldo, o considero um atacante excepcional e que se completava com Tostão e Dirceu Lopes. se deslocava muito e tinha toques rapidos. Agora eu seria muito importante para o Cruzeiro, nem digo como titular , mas talvez um reserva de luxo. Porque o Cruzeiro era um time de muito toque mas quando pegavam um time que distribuia porrada, dificultava para o Cruzeiro.E nestas horas eu poderia entrar pois eles tinham jogadores extrordinarios para cruzar na area e na area com Dadá não tinha pra ninguem.
FTT - Teve algum ponta com quem você se entendia melhor, que os cruzamentos era perfeitos?
DARIO - O jogador que mais me completou foi o Tião "Cavadinha". Me desculpem a modestia mas eu vi duplas sensacionais como Reinaldo e Marcelo, Tostão e Dirceu Lopes mas dupla para fazer gols igual Dadá e Tião nunca existiu e nem vai existir no futebol mineiro. Depois eu peguei no Internacional o Valdomiro. Eram estilos diferentes pois o Tião cruzava pra mim no decimo quinto andar, onde só eu ia e não tinha perdão. Já o Valdomiro cruzava rapido e eu tinha de acompanhar e fazer o queixo no ombro. Então eu juntei as duas coisas. A impulsão que era de 90 parado , que é altura para jogador de volei pular e a velocidade para acompanhar as jogadas.
Dario e Tião "Cavadinha". Um completava o outro. Tião cruzava e Dadá colocava pra dentro das redes.
FTT - O Atlético campeão brasileiro em 1971 teve pelo menos tres grandes lideres em campo: Vanderlei Paiva, Oldair e Vantuir. Mas na hora do vamos ver mesmo quem era o grande lider deste time, aquele que empurrava os jogadores a vitoria?
DARIO - Foi até bom você falar pois o Oldair é um cara que eu tenho uma enorme admiração. Outro dia eu escrevi numa cronica minha para o jornal que o Atletico não precisa de reinaldo, nem Cerezo, nem Dario. O Atletico precisa de um Oldair. O grande capitão da equipe. Ele tinha ascendencia sobre a gente . Tinha vez que eu ia lá pra trás pensando em ajudar e ele me dava cada esporro. Vai lá pra frente , seu lugar é lá. Ele tinha um poder sobre todos os jogadores, organizava o time.
| Dario e Oldair |
FTT - Este time do Atlético de 1971 foi o melhor que você jogou?
DARIO - Não digo que foi o melhor porque o Atletico do Reinaldo foi fantastico (75/80) . Olha se for olhar tecnica o time do Reinaldo foi muito melhor. Agora se você falar em raça, eficiencia e amor a camisa nunca houve um time igual ao nosso. A torida gritava Galo e a gente corria feito louco em campo. Teve jogo em que o Humberto Monteiro trombou com o Lola de tanta vontade que foram na bola.
Dario fazendo de cabeça o gol mais importante da historia do Atletico. No Maracanã venceu o Botafogo por 1x0 conquistando o campeonato brasileiro de 1971.
FTT - Qual a sensação que você sentiu quando fez aquele gol no Maracanã dando o titulo ao Atlético?
DARIO - Não há palavras para descrever o que eu senti. É como eu sempre digo. Não fiz o gol mais bonito mas fiz o gol mais importante na historia do Atletico. Isto ninguem me tira.
DADÁ AGORA É RUBRO NEGRO
FTT - Como foi sua ida para o Flamengo em 1973?
DARIO - Olha, eu cheguei no Flamengo e vi que tinham varios jogadores cheios de vaidade, que faziam questão de tocar de curva, jogar pra torcida; E eu não acompanhava estes lançamentos porque batia de canela. E os caras não facilitavam meu trabalho. Nós teriamos um jogo contra o Bangu e precisavamos vencer por pelo menos 5x0 para entrar em condições de brigar pelo titulo contra o fluminense. O Zagallo chegou e falou que nosso time não estava fazendo gol e coisa e tal. Eu então falei que os caras estavam dando passes de efeito e eu batia de canela mesmo. Agora se lançarem normnal tem gol.Voces olham quantos gols eu tenho no campeonato? Um gol e o artilheiro já tem oito.Agora lancem pra mim que eu vou ser artilheiro do campeonato .Conclusão. No jogo com o Bangu os caras tocaram direito e eu fiz 5 gols e nós vencempos por 8x0.
Jogo: Flamengo 8 x 0 Bangu
Competição: Campeonato Carioca - 2º Turno
Data: 19/07/1973
Estádio: Maracanã
Time: Renato, Moreira, Chiquinho, Fred, Rodrigues Neto, Liminha, Zé Mario, Doval, Dario, Paulo Cesar e Arilson.
Gols do Flamengo: Dario(5), Doval(3) e Paulo Cesar.
Público: 17.863
Flamengo 1973 - A partir da esq. Renato, Moreira, Fred, Chiquinho, Liminha e Rodrigues Neto;
agachados estão Vicentinho, Paulo Cesar, Dario, Doval e Arílson
Chegamos a final , o Fluminense chegou a fazer 2 x 0 eu fiz dois gols empatando a partida mas eles fizeram mais dois e venceram por 4x2. Eu ainda fui o artilheiro do campeonato com 15 gols.
Ficha Técnica: Fluminense 4 x 2 Flamengo.
Motivo: Decisão do Campeonato Carioca de 1973.
Data: 22/08/1973.
Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro).
Árbitro: José Favilli Neto (SP).
Renda: Cr$ 970.501,00.
Público: 74.073 pagantes.
FFC: Félix; Toninho, Bruñel, Assis e Marco Antônio; Carlos Alberto "Pintinho", Kléber e Marquinhos; Dionísio, Manfrini e Lula. Técnico: David Ferreira, o "Duque".
CRF: Renato; Moreira, Chiquinho Pastor, Fred e Rodrigues Neto; Liminha, Zico e Paulo Cézar; Vicentinho (Arílson), Dario e Sérgio. Técnico: Zagallo.
Gols: Manfrini aos 40', Toninho aos 45', Dario aos 70' e aos 78', Manfrini aos 80' e Dionísio aos 82'.
FTT - E nesta epoca do Flamengo você viu surgir um jogador chamado Zico.
DARIO - O Zico já mostrava que iria ser fora de serie. Teve um dia que iamos jogar contra o Goiatuba en Goias e ele me falou. Dadá o tanto de gols que você fizer eu vou fazer.Eu falei com ele :menos né garoto, menos. Chegamos lá e vencemos por 6x2 e cada um fez tres gols. Ali ele mostrou a sua personalidade mesmo tão novo. Poucos dias depois nós fomos jogar na Africa e empatamos o jogo em 4x4 com dois meu e dois dele e ele matou a pau nesta partida. Aí eu falei: Zico tem que ser titular. Que fique Doval e Zico, Dadá e Zico mas ele tem que ser titular.
(Flamengo 4 x 4 Seleção do Zaire - 22/02/1974)
A partir da esq. Renato, Moreira, Fred, Tinho, Liminha e Rodrigues Neto. Agachados: Rogério, Paulo Cesar caju, Dario, Zico e Marquinhos.
Dario contra o Vasco pelo campeonato carioca de 1973.
A VOLTA PARA O ATLÉTICO
FTT - Saiu do Flamengo e voltou para o Atlético. Porque a saida?
DARIO - O Zagallo chegou para mim e disse que via que eu não estava tão satisfeito no clube e que o Atlético estava me querendo. Se eu queria sair. Eu disse que sim e voltei para o Atlético.
FTT - E no Atlético para variar foi artilheiro.
DARIO - Pois é, cheguei no Atlético em 74 com o campeonato já adiantado e o Roberto Batata era o artilheiro com 10 gols. Eu falei que não tinha problema que eu ainda iria pega´lo; Acabei sendo artilheiro com 24 gols.
UM DOS MELHORES MOMENTOS NA CARREIRA NO SPORT RECIFE
FTT - Do Galo para o Sport. Foi um grande momento em sua carreira.
DARIO - Olha. não dá para explicar minha fase no Sport. Eu fiz 99 gols em um ano e dois meses. Quebrei todos os recordes lá. Quebrei o recorde mundial de gols em uma unica partida quando fiz 10 gols no Santo Amaro. Fiz gol de todo jeito. Faziam 13 anos que o Sport não vencia o campeonato pernambucano e fomos campeões.
FTT - E você foi artilheiro dois anos seguidos .
DARIO - Fui. Em 1975 eu fiz 32 gols e em 76 fiz 30 gols.
Eu estava muito bem lá, era idolo da torcida mas ai o Inter fez uma proposta irrecusavel. Ofereceu o Ramon que já tinha jogado no Santa Cruz e era um grande artilheiro e mais uma boa quantia em dinheiro.
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| Givanildo e Dario antes de um classico entre Santa Cruz e Sport. |
FTT - Você jogou nos tres grandes de Pernambuco. Com qual você teve mais identidade?
DARIO - Olha, eu fiz um bom campeonato no Nautico, fomos vice campeões , no Santa Cruz tambem mas o meu aproveitamento no Sport foi espetacular. Fomos campeões depois de longo tempo qeu o time não ganhava e minha identificação coma torcida foi grande.
INTERNACIONAL CAMPEÃO GAUCHO E BRASILEIRO
FTT - O que dizer deste Inter ?
DARIO - Olha ele foi considerado o melhor time dos anos 70 e então você imagina.Um timaço.
Internacional 1976 - A partir da esq. Manga, Claudio, Figueroa, Vacaría, Marinho Peres e Falcão.
Agachados: Valdomiro, Jair, Dario, Caçapava e LulaFTT - Você jogava em um time com muita qualidade tecnica, mudou alguma coisa no seu jeito de jogar?
DARIO - O time era fantastico. Tinha o Figueroa, o Falcão que para mim foi um dos maiores jogadores que conheci. Se mandassem um tiro no seu peito ele dominava e deixava cair suave no gramado. Marinho Peres, Carpegianni. Mas tinha dois pontas rapidos, o Lula e principalmente o Valdomiro com quem eu me entendia muito bem.
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| Gol de Dario virou rotina no Inter. |
FTT - No gol do titulo do Inter contra o Corinthians em 76 você parou no ar?
DARIO - Parei!................mas parei só 14 segundos (nesta hora eu não resisti, parei a entrevista e rolei de rir). O meu normal era 15.
FTT - Grenal era um jogo especial para você?
DARIO - Era. Eu decidi varios grenais. Quando eu cheguei a imprensa veio me provocando falando que quem mandava em Porto Alegre era o Alcindo do Grêmio. Eles tinham ganhado o ultimo jogo por 3x1 . Alcindo tinha deitado e rolado neste jogo. E então eu disse que se preparassem porque o reinado dele tinha acabado. No proximo grenal eu decidi e sempre fazendo aquelas palhaçadas com a imprensa , promovendo o espetaculo.
FTT - Falando nesta sua irreverencia, nas brincadeiras que sempre fazia me diga uma coisa. Esta alegria não escondia um pouco da trsiteza que você carregava da sua infancia ou era uma forma de compensar e alegrar meninos que no momento passavam o que você passou?
DARIO - A sua pergunta foi muito inteligente e eu vou tentar dar uma respotsa inteligente. O que quero dizer , é que no fundo era mesmo uma revolta minha.Eu não tinha muitas condições , sempre fui muito humilhado, principalmente quando entrei para o futebol profisional. Logo que eu cheguei para o Atletico , só pra você ter uma ideia, minha ex esposa pegou um taxi e o motorista falou com ela: vem cá, você gosta de futebol? Ela falou que gostava. O motorista então falou: pois é, o Atletico contratou um jogador ai mas o cara é ruim demais. Se eu ver ele passando na rua passo com o carro por cima dele.
Aí quando ela chegou em casa, ela falou isto comigo chorando. Eu chorei tambem e fiquei revoltado.Foi aí que resolvi mudar tudo. Falei comigo mesmo que a partir daquele dia eu iria ser "doido". Fui na televisão e falava que ia ser o maior jogador de Minas, prometia gols, dava nome a eles. No começo era uma forma de me extravasar, mas depois vi que estava alegrando as pessoas com aquilo. A imprensa adorava aquilo, pois todo mundo estava acostumado com o feijão no prato e eu coloquei o estrogonofe. A imprensa do Brasil inteiro passou a me ligar querendo saber se iria ter gol e qual seria o nome.
FTT - Voltando a falar no Inter você acredita no trabalho que está se iniciando do Falcão como treinador ? Não acha perigoso ex idolos assumirem papeis de treinadores ou presidentes dos clubes?
DARIO - Não! Não é não. Sinceramente, acho que ele vai se dar muito bem. Primeiro que está todo mundo torcendo por ele, os colorados se uniram em torno dele e o astral então é totalmente diferente, é favoravel ao seu trabalho. E ele é de fino trato com os jogadores, respeita os atletas, educado e tenho certeza que os jogadores vão morrer por ele. Alem do que tem uma identidade com o clube. Veja bem, é comum no meio do futebol um jogador menosprezar um tecnico perguntando para um companheiro :onde este cara jogou? E alguem vai ter coragem de questionar o Falcão sobre seu passado? Então ele tem o respeito dos comandados.
FTT - Contra qual zagueiro você travou seus maiores duelos?
DARIO - A foi o Luiz Pereira. Ele era demais. Ganhou muito Motoradio em cima de mim. Me deu até balaõzinho.
Teve o Perfumo tambem que era extraordinario , era craque mas quando eu jogava na frente adeus, não tinha pra ele.
Agora teve um que no dia em que eu jogava contra ele até tremia. O Leonidas do Botafogo. Rapaz o que ele me deu de caneta e balãozinho , acabava comigo.
Agora como jogador e homem quem eu tenho a maior admiração é o Piazza. É um dos melhores amigos que tenho e foi um jogador sensacional que jogava para o clube.
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| Dario dando trabalho a Ancheta, Cejas e Beto Fuscão no Grenal |
FTT - Você não ficou no Atletico tantos anos como outros jogadores, talvez somando , uns cinco anos. Nos outros clubes ficou em media dois anos em cada um. Porque esta paixão pelo Clube Atlético Mineiro?
DARIO - Vou tentar te responder sutilmente, já que sua pergunta não é facil. Olha, eu cheguei no Atletico como um ilustre desconhecido e foi lá que eu fiquei famoso. Tanto que quando se fala no Dadá, os caras associam a minha imagem ao Atletico. O clube me lançou para o mundo.
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| Dadá e a torcida do Atletico no Maracanã - paixão de um pelo outro |
FTT - Você notava uma diferença no tratamento da torcida do Atletico em relação as outras para com você?
DARIO - Não. Fui idolo no Bahia, no Sport mas o que ficou marcado mesmo foi no Atlético e Inter pois conquistei brasileiros nestes clubes. A torcida do inter me adora tambem. Sou muito querido em Porto Alegre. Eu costumo dizer que sou bigamo pois amo tanto o Atlético como o Inter.
FTT - Teve algum clube que faltou para você jogar ?
DARIO - A minha maior frustração é não ter jogado no Corinthians. Eu vou ser sincero, com todo respeito que eu tenho ao Atletico, Flamengo e Internacional que muito me honraram vestir estas camisas mas se eu jogasse no Corinthians e fizesse estes gols que eu fiz aqui eu teria um prestigio perto de Pelé. Porque um gol pelo Corinthians, a midia é muito maior.
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| Dario campeão no Bahia 1981. |
FTT - Foi destino, coincidencia ou porque você jogou praticamente só em times de massas ? (Flamengo, Atlético, Inter, Bahia, Sport, Santa Cruz, Coritiba)
DARIO - Não foi apenas coincidencia. O pessoal, os dirigentes falavam que meu estilo se associava a estes clubes.Falavam que o Dadá só joga em time de massa e eu acabava explodindo nestes clubes mesmo. Eu por exemplo já escutei que tentaram levar meu nome para o São Paulo e Santos mas falavam que eu não tinha o perfil do clubes.O mesmo do Fluminense.
| Bruno e Dadá Maravilha |
FTT - E como sempre pergunto a todos entrevistados, aponte aqui cerca de sete daqueles que foram os maiores jogadores que você viu jogar.
DARIO - Lola. Jogava demais , pena que não levou a carreira tão a serio. Reinaldo. Falcão, minha nossa que categoria. Tostão, Dirceu lopes, Piazza. Edu eu era fã dele. Valdomiro , Zico, Leonidas o zagueiro. Pelé e Garrincha estão em outro patamar.
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