FTT - Futebol de Todos os Tempos
ENTREVISTAS COM EX JOGADORES, TECNICOS, DIRETORES E PESSOAS LIGADAS AO FUTEBOL QUE CONTRIBUIRAM DE ALGUMA FORMA PARA QUE PUDESSEMOS CONHECERMOS UM POUCO MAIS DA HISTORIA DO FUTEBOL BRASILEIRO E MUNDIAL.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Encontros eternizados - ZICO & ROBERTO DINAMITE
Revista do dia - REVISTA DO ESPORTE 1966
domingo, 19 de dezembro de 2010
O Craque disse e eu anotei - DORVAL
Quem me passou o telefone do Dorval foi o Wilsinho, o meu último entrevistado até então. A entrevista foi realizada em um campo no bairro de Congonhas, onde Dorval passa os seus ensinamentos. Foi uma matéria que tive muita satisfação de realizar, pelo jogador que foi e pelos craques com que jogou, principalmente o rei Pelé.
FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS: Você nasceu no Rio Grande do Sul. Na década de 40, um menino que começava a jogar futebol, tinha o ponta Tesourinha do Internacional como referência?
DORVAL: O Tesourinha foi um dos maiores pontas-direitas do futebol brasileiro, eu o admirava muito, gostava de vê-lo jogar, sendo que depois ele foi para o Grêmio e foi uma legenda do futebol gaúcho e brasileiro.
FTT: O início de carreira no Força e Luz.
DORVAL: Comecei nos Juvenis do Grêmio. Depois havia um treinador conhecido como Ênio, que jogou no gol do Grêmio e que treinava o Força e Luz. Levou eu e mais quatro jogadores. Começamos a disputar p Campeonato Gaúcho.
Mauricio Sabará e Dorval na escolinha do ex craque santista.
FTT: Qual é a sua lembrança na época que jogava no Força e Luz? O futebol gaúcho era muito bom nesta ocasião, pois enfrentava times como o Inter que tinha Larry, Bodinho e Chinesinho, além do próprio Grêmio com o Aírton Pavilhão que veio do Força e Luz.
DORVAL: O Aírton veio pra o Grêmio em troca da arquibancada e foi um grande jogador. Os campeonatos eram muito difíceis.
FTT: Como aconteceu a sua transferência para o Santos Futebol Clube?
DORVAL: Vieram muitos jogadores pra cá, como o Ênio Andrade e o Raul Klein para a Portuguesa. Tinham bons jogadores em Porto Alegre, sendo que representamos o Brasil no Pan-Americano do México. Eu também fui convocado, mas acabei dispensado porque era muito novo pra aquele Pan-Americano em que se sagraram campeões. O empresário Arnaldo Figueiredo nos levou pra São Paulo para fazer um teste. Ofereceram-me para o Corinthians, ele havia telefonado, disse que estava tudo certo, mas não aconteceu porque o juvenil Bataglia estava subindo. O Flamengo também não aceitou, pois não precisava de ponta-direita. Ele ligou para o Santos, que também não precisava, mas fui fazer um teste. Graças a Deus fui bem e o técnico Lula pediu a minha contratação.
FTT: Isso foi mais ou menos no final de 1956. Mas parece que no inicio de 57 você teve uma rápida passagem pelo Juventus da Mooca.
DORVAL: Fui emprestado para o Juventus e disputei o Torneio de Classificação. Fiz um bom campeonato e outras equipes se interessaram, mas tive que voltar pro Santos, pois era emprestado, consegui me firmar como titular e graças a Deus dei continuidade nesta minha passagem pelo Santos.
FTT: Quando você voltou para o Santos em 57 participou de uma grande linha de ataque, no caso você, Jair, Pagão, Pelé e Pepe. O que você tem a dizer sobre este ataque do Santos?
DORVAL: Foi uma linha fantástica que fez mais de 120 gols. O Jair Rosa Pinto estava em final de carreira, mas era um jogador que lançava muito bem. O Pagão foi um fantástico jogador de futebol. Tive a felicidade de jogar com estes monstros sagrados do futebol brasileiro. O Pepe numa fase muito boa. E o próprio Pelé no início de carreira.
Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe . Um ataque arrasador em 1957.FTT: O seu primeiro foi o Campeonato Paulista de 1958, com um Pelé endiabrado marcando 58 gols. Foi depois da Copa do Mundo, quando ele já tinha sido consagrado como o Rei do Futebol. Vocês já percebiam que ele era esta fera?
DORVAL: Já percebíamos porque quando ele chegou, nós já íamos pra praia e víamos. Quando o Pelé chegou, ele jogava com os reservas junto comigo e o Pepe, pois o ponta-esquerda titular era o Tite, sendo que dávamos muito trabalho para o time principal que tinha o time campeão de 56 com Manga, Helvio e Ramiro. O Pagão e o Coutinho eram dois grandes centroavantes que davam muito trabalho.
FTT: Havia na ocasião o PPP com Pagão, Pelé e Pepe.
DORVAL: Eram muito famosos. Foi muito bacana participar deste ataque.
FTT: Em 1958 o Santos foi Campeão Paulista. Chega 59 e agora ele conquista o Brasil, vencendo outro titulo importante, que é o Rio-São Paulo. Como foi este torneio enfrentando os grandes times do Rio, alem dos de São Paulo?
DORVAL: O Torneio Rio-São Paulo era muito importante no futebol brasileiro, sendo que hoje não existe mais. Também tinha o torneio de Seleções que ajudava muito o jogador a ir pra Seleção Brasileira. No Rio-São Paulo enfrentávamos grandes clubes do futebol brasileiro com timaços como o Flamengo, Botafogo e Fluminense, todos com grandes jogadores. Quando o Santos jogava estes clássicos, enchia o Maracanã, pois todos queriam ver Mané Garrincha, Pelé, Coutinho, Mengálvio, Pepe, Zito, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Foi um torneio muito bacana.
Santos 1959 - Lalá. Getulio. Ramiro. Pavão. Zito e Mourão Agachados: Dorval. Afonsinho. Jair da Rosa Pinto. Pelé e Pepe
FTT: Em 59 também foi o ano que você foi pela primeira vez convocado pra Seleção Brasileira para o Sul-Americano. Você ficou emocionado por ter sido chamado pelo Vicente Feola, sabendo que fez um bom trabalho?
DORVAL: Fiz um bom campeonato em 58. Fui eu, Mané Garrincha e Joel, os ponteiros que estavam em alta. Infelizmente eu não fui pra Copa do Mundo, não sei bem o porquê, pois os jornais diziam que eu era o melhor ponta-direita do Brasil depois do Mané Garrincha, sendo que não fui pra Suécia e nem pro Chile. Mas foi uma alegria muito grande ter participado de uma Seleção Brasileira que tinha grandes jogadores. Ser reserva de Garrincha é uma honra, que pra mim foi o maior fenômeno brasileiro depois de Pelé, jogador fantástico que deixou muitas saudades, aquele futebol-arte que se jogava antigamente.
FTT: Os anos 60 começavam e é justamente ai que começa a grande fase da história do Santos, com aquele ataque que todos conhecem e citam como o maior ataque da história do futebol, com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Como este ataque se entrosava tão bem, era uma coisa que acontecia ou vocês ensaiavam para desse tão certo?
DORVAL: Foi muito importante ter jogado com Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, além do Zito e do Mauro. Foi um entrosamento muito rápido, porque joguei no Santos durante muito tempo, nos entendíamos, parecia que conversávamos um com o outro dentro do campo, era muito importante a amizade que tínhamos dentro e fora, ajudando a ser o ataque que foi. Jogávamos muito na Europa, fizemos grandes jogos lá contra grandes times do futebol europeu e ficávamos as vezes quatro meses fora do Brasil.
FTT: A década de 60 começa e vem uma grande sequência de títulos, talvez nunca conseguida por nenhum outro time. Vocês foram Penta-Campeões da Taça Brasil em 61, 62, 63, 64 (que você estava no Racing) e 65. Era o Campeonato Brasileiro da época. Como vocês conseguiram ficar vencendo este título seguidamente, sendo que na época tinha o Botafogo de Garrincha, Didi, Quarentinha, além do próprio Palmeiras que também tinha um esquadrão formidável?
DORVAL: Nós tivemos uma fase fantástica porque, como já falei, era uma união onde tínhamos amizade e respeito um pelo outro, criando aquele ambiente gostoso dentro do campo e nos entendíamos conversando fora, o que foi muito importante pra nós e para o Santos Futebol Clube. Conseguimos este monte de títulos porque sempre jogávamos juntos e um conhecia o outro. Hoje em dia se joga cinco partidas juntos. Nós sempre jogávamos juntos e esta sequência era muito boa para o Santos.
Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, quase uma rima poética
FTT: Você, como ponta-direita, enfrentou grandes laterais-esquerdos. Houve algum ou alguns que te deram mais trabalho?
FTT: Fale dos confrontos do Santos contra o Corinthians, que eram muito equilibrados, com o Corinthians ficando praticamente durante mais de dez anos sem vencer o Santos em partidas válidas pelo Campeonato Paulista.
DORVAL: O Corinthians tinha um bom time, com grandes jogadores, mas infelizmente quando jogavam contra o Santos, não sei o que havia com eles, eles tremiam. O time do Santos era fantástico, pois não só o Corinthians tremia como outros.
FTT: Vamos falar agora das maiores conquistas do Santos, o Bi da Libertadores e do Mundial em 62/63. Quais são as suas lembranças destas duas fantásticas conquistas?
DORVAL: É uma lembrança muito boa porque foi o primeiro time brasileiro a ser campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes. Foi um torneio bom, com grandes times. Hoje em dia não vemos mais os times que enfrentávamos, como Nacional e Peñarol, forças máximas do futebol uruguaio. Na Argentina tinha o Boca Juniors, River Plate, Independiente e Racing, grandes potências do futebol argentino. Havia o Colo Colo e o Universidad do Chile, que hoje não estão mais na Libertadores, sendo que o futebol deste torneio caiu bastante. Times que representavam o seu país não representam mais atualmente, pois não são mais a potência que eram antigamente.
FTT: Mas a grande partida do Santos que todos comentam foi a final de 62, com os famosos 5 a 2 contra o Benfica.
DORVAL: Este jogo foi fantástico. Aqui nós ganhamos de 3 a 2 e perdendo um monte de gols, com eles jogando bem. Chegamos em Portugal e eles já estavam vendendo ingresso para o próximo jogo, pois achavam que iam ganhar. Deram azar por mexerem com a gente. Quando eles abriram os olhos, já estava 5 a 0 pra nós. O Pelé neste jogo parece que estava com o diabo no corpo. O time jogou certinho, bem armado, pois o Santos já estava acostumado a jogar contra os grandes times europeus, o estádio estava lotado, todos aplaudindo a nossa equipe sem saírem após a partida. Foi algo fantástico.
Dorval é o sexto maior artilheiro na historia do Santos FC com 198 gols.
FTT: Em 67 você foi jogar o Campeonato Paulista pelo Palmeiras.
DORVAL: O Palmeiras tinha um monte de jogadores que já estavam em final de carreira, como o Servílio e o Tupãzinho. O Ademir da Guia e o César estavam começando, que foram grandes jogadores e amigos, tenho até hoje amizade com eles. O time do Palmeiras estava um pouco decadente e quando cheguei ele não estava numa fase boa. Infelizmente não deu certo, mas tentamos.
FTT: Depois do Palmeiras você foi para o Atlético do Paraná, sendo Campeão Paranaense em 70.
DORVAL: Isso. Joguei com o Zé Roberto e Nílson Dias. Teve uma turma de São Paulo que foi jogar lá, como o Djalma Santos. Foi também um grande clube que joguei por quatro anos. Teve também o Sicupira que jogou depois no Corinthians, grande jogador que atualmente é repórter.
Atletico PR 1970 - Hidaldo, Zico, Julio, Hermes, Alfredo e Vanderlei. Agachados: Dorval, Sicupira, Sergio Lopes, , Toninho e Nilson.
FTT: Depois do Atlético uma rápida passagem pela Venezuela e no SAAD.
DORVAL: O SAAD que é atualmente o São Caetano. Foi uma época gostosa. É um time que estava começando a despontar no futebol brasileiro. Jogaram lá o Joel, Coutinho e eu. Foi uma passagem curta, mas bem gostosa, com uma amizade muito grande com o pessoal de lá.
FTT: Terminada a carreira, o Santos ainda teve alguns títulos. O que você achou desta geração com o Robinho e Diego e atualmente o Neymar e o Ganso?
DORVAL: Foi uma geração boa, porque o Santos tem uma Categoria de Base muito boa. O Robinho é um fantástico jogador que despontou no Santos junto com o Diego que também é muito bom, como o Elano. Hoje estão despontando o Ganso e o Neymar, que também são grandes jogadores. Esperamos que eles dêem muitas alegrias pra nós. Hoje o jogador joga dois anos no Santos e já vai embora pra Europa, não jogando dez anos como jogávamos. É muito difícil querer que eles façam um grande sucesso aqui no Brasil, porque o Neymar já era pra estar na Europa e não foi. Mas no ano que vem irá, porque o Santos não conseguirá segurar a pressão, pois é um excepcional jogador. Esperamos que ele dê muitas alegrias para o Santos e faça um bom futebol na Europa.
REPORTAGEM: Maurício Sabará Markiewicz
FOTOS: Estela Mendes Ribeiro
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Revista do dia - ESPORTE ILUSTRADO 1942
A Revista ESPORTE ILUSTRADO de dezembro de 1942 tras em sua capa o artilheiro do São Paulo, Leonidas da Silva.
Encontros eternizados - STANLEY MATTHEWS & RAINHA ELIZABETH
Na final da Copa da Inglaterra de 1953 após ver seu time ganhar em campo , o capitão Stanley Matthews vai a tribuna receber os cumprimentos da Rainha Elizabeth.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
O Craque disse e eu anotei - WILSINHO
O ex-jogador Wilsinho, da mesma forma que Basílio, Badeco e Ataliba, trabalha na Associação Cooperesportes Craques de Sempre (www.craquesdesempre.com.br). Como os outros três ex-jogadores que entrevistei, também aceitou realizar a entrevista, onde nos passou todo o seu conhecimento e uma franqueza muito grande. Confiram a matéria.
MAURÍCIO SABARÁ: Wilsinho, conte o seu começo no futebol. Você parece que foi revelado na própria Portuguesa.
WILSINHO: Na realidade fui pra Portuguesa com 18 anos, saindo diretamente da Várzea, não tive aquele trabalho Infantil e Juvenil. Ou você vai pra roça ou vai pro mato, ou seja, vai para o Profissional ou para a carreira. Graças à Deus tive a oportunidade de ir pra Portuguesa e acabei passando no teste do Peneira, fiquei, demorei tanto pra chegar em um clube, mas em compensação subi mais rápido que se imaginava, porque joguei meia dúzia de partidas em uma equipe Juvenil e um dia chegou o treinador João Avelino, a quem devo grande parte da minha carreira por ter me dado esta oportunidade, sendo que hoje ele já partiu deste mundo, assim como tantos outros treinadores que trabalhei e outros jogadores, fizeram parte da minha trajetória deste inicio. A vida é assim, uma renovação, quando chegam os novos, os mais velhos tem que ir embora. Foi uma carreira meteórica, mas acho que pelo tempo que fiquei, com passagens boas pela Portuguesa, Juventus e Corinthians. Não tenho o que reclamar da minha carreira. Talvez hoje, financeiramente, sim, pois antigamente não tinha o que tem hoje, mas tínhamos mais amor pela camisa dos nossos clubes, não jogávamos três ou quatro meses, mas cinco anos. Eu fiquei oito anos na Portuguesa. É uma carreira que você fica direto no clube.
Wilsinho mostra um de seus albuns contendo um pouco da sua historia. Só na Portuguesa foram 8 anos.EDUARDO VERDASCA: Você veio da Várzea, em um tempo que revelava grandes jogadores.
WILSINHO: Justamente, pra nós que jogávamos nesta época, a Várzea era uma grande escola. Sair de um time de Várzea para um Profissional mostra o quanto ela era boa. Além de mim, outros atletas fizeram esta mesma trajetória. Hoje falamos que tem muito clube no futebol que joga Campeonato Paulista, Brasileirão na Série B, e não tem um time com a mesma qualidade de um das Várzeas de antigamente. Surgi, na realidade, de um campeonato semelhante, a Copa Kaiser, que era patrocinado por uma marca de cigarro. Foi daí que acabei indo direto pra Portuguesa.
MAURÍCIO SABARÁ: Quando você começou na Portuguesa no final dos anos 60, quem eram os jogadores que você atuou junto naquela época?
WILSINHO: Quando eu cheguei, a Portuguesa estava fazendo uma renovação no seu Quadro Profissional, cheguei a treinar um pouco com o Ivair, que acabou indo para o Corinthians. Tinha o Zé Maria que também foi embora. Havia o Edu Bala que foi para o Palmeiras junto com o Leivinha. Cheguei a treinar com o Coutinho já em final de carreira. Teve o Lorico, que foi um grande jogador e pessoa, que me ajudou muito no inicio. Tinha também o Ratinho. A Portuguesa sempre na época tinha 15 ou 20 jogadores que, pelo menos a metade, eram trazidos da Categoria de Base.Portuguesa 1973 - Em pé estão: Pescuma, Zecão, Badeco, Isidoro, Calegari e Cardoso;
agachados estão Xaxá, Enéas, Cabinho, Basílio e Wilsinho
MAURÍCIO SABARÁ: Era um celeiro de craques.
WILSINHO: Justamente, só que não conseguia segurar estes jogadores, pois valorizavam muito e ela acabava cedendo. A Portuguesa era assim, fonte alimentadora do Palmeiras, Corinthians e São Paulo, sendo também que muitos jogadores acabavam indo pra Portugal, Bélgica e Equador.
MAURÍCIO SABARÁ: Depois destes jogadores citados, você fez parte de uma grande equipe da Portuguesa, jogando junto com Xaxá, Ratinho, Badeco, Basílio e do grande Enéas. O que você tem a dizer sobre este grande time, além do Enéas?
WILSINHO: Era um time que praticamente a metade dele vieram das Equipes de Base. Havia um goleiro chamado Carioca. Veio Arenghi, subiu Isidoro, Cardosinho, Enéas, eu, Fabinho que infelizmente faleceu, tinha Tadeu, Válter, Roberto Bacurú que acabou indo pra Feitosa de Belém do Pará, morando hoje lá. Difícil você ter um time Base, quando não ganhamos nada lá, porque sempre tiravam um jogador, desmontavam e colocavam outro. Neste época de 70, subiram 9 jogadores. Hoje, pelo que tenho visto, somente o Santos está conseguindo fazer o que a Portuguesa fazia antigamente.
Portuguesa 1975 - Em pé estão: Mendes, Zecão, Badeco, Calegari, Santos e CardosoMAURÍCIO SABARÁ: Qual é a lembrança que você tem deste famoso título de 73 decidido com o Santos? Mesmo sendo dividido, acredito que tenha sido uma conquista inesquecível pra você como pra os demais jogadores e torcedores da Portuguesa.
WILSINHO: Se comenta muito sobre a divisão deste título, mas ele tem um aspecto saudosista muito bom, porque foi em uma época e transição, tanto do time, diretoria e treinador, porque tinha saído o Cilinho, chegando o Oto Glória. Ele fez uma transformação e ajustou alguns jogadores. Pra mim foi o grande treinador que trabalhei, sendo que quando ele chegou na Portuguesa, eu estava indo embora para o América de São José do Rio Preto e naquela semana ficou aqueles ajustes, fez alguns coletivos e acabei treinando em uma equipe de baixo e veio conversar comigo, perguntando o que está acontecendo comigo. Eu falei que havia um desacerto e vou ser emprestado. Ele disse pra eu não fazer nada, que iria falar com o presidente, o Oswaldo Teixeira Duarte, talvez um dos maiores presidentes que a Portuguesa já teve, sendo que os outros não conheci. O Oto Glória falou pra ele que precisava de mim como jogador, tinha um esquema na cabeça e que eu encaixava bem e acabei fazendo um contrato de três meses de risco. Acabei não indo pro América, a transação já quase pronta foi cancelada.
Wilsinho x Zé Maria - Um grande duelo na partida entre Portuguesa e Corinthians no campeonato paulista.MAURÍCIO SABARÁ: Você era um ponta-esquerda veloz, driblador e ia até a linha de fundo, como era comum nos pontas do passado. Quem eram os grandes pontas-esquerdas da época?
WILSINHO: Eu acho que todo o grande clube tinha um ponta. Mas o meu grande ídolo, concorrente e amigo era o Edu, do Santos. Ele era fantástico, tinha uma admiração muito grande por ele. No Palmeiras tinha o Nei, o Corinthians teve o Eduardo que faleceu e Aladim, e o São Paulo tinha o Paraná. Sem contar os do Rio, Minas, do Sul e do Norte. Eram jogadores muito bons. Quem estava jogando não se machucava de jeito nenhum, pois sabia que se isso acontecesse, tinham reservas bons, às vezes até superiores ao titular. Hoje não vemos isso.
MAURÍCIO SABARÁ: Além dos pontas-esquerdas, haviam também os laterais-direitos. Fale sobre os que te marcavam.
MAURÍCIO SABARÁ: Em 73 foi campeão junto com o Basílio, Badeco e Enéas. Copa de 74 estava chegando. Parece que você foi convocado.
WILSINHO: Fui relacionado. Aquela Seleção de 74 lembrou um pouco a bagunça de 66. A Portuguesa foi jogar no Rio de Janeiro contra o Fluminense e Flamengo, ganhando os dois. Fomos, o Enéas e eu, à um programa de televisão e na ocasião o João Saldanha disse que deveríamos ser convocados. Pelo menos estaríamos entre os 22. Acabamos indo pra São Paulo. Na época da convocação, fui relacionado entre os jogadores. Só que na hora de convocar, o Zagallo preferiu o Dirceu, pois achava que ele era mais versátil, estilo de jogo igual ao dele, como ponta e meia que ele gostava e adotava. Fiquei de fora na relação dos que poderiam ser chamados caso machucasse alguém. O Enéas foi convocado e durante os treinos foi cortado. Não adiantava você ser um bom jogador, pois a Portuguesa não tem força na Federação Paulista e na CBF. Os jogadores ficavam em segundo plano. A Portuguesa sempre teve grandes jogadores, até hoje tem, não como antigamente, isto é um fato que deixou aquela pequena mágoa que você tem da carreira, mesmo porque nem tudo é um mar de rosas e acontecem algumas decepções.
MAURÍCIO SABARÁ: 1974 se foi. Estamos em 75. E a Portuguesa mais uma vez está decidindo um título. Ela nos anos 70 era sempre forte e um time de chegada. O que aconteceu em 75, que vocês desta vez não chegaram?
WILSINHO: O mesmo que aconteceu em 73, nos pênaltis. Eu hoje até brinco, na época não, que o título de 73 foi importante porque todo mundo fala que saímos correndo do campo, o Oto escondeu todo mundo, mas na realidade sabia que se eu acertasse a trave ia dar aquela confusão e acabou dividindo. Em 75 a mesma coisa e eu era o capitão da equipe nas vezes que o Badeco não jogava. O Dicá bateu e outro que não me lembro que acabou errando contra o São Paulo. Fui bater o pênalti também e errei. Eu sempre falo nas entrevistas que dou que quando cheguei em casa, desta vez não acertei na trave, a bola sumiu, meu pai brincando se acharam a bola, pelo jeito ela deve ter caído fora do estádio! Risos ...
Mas a Portuguesa chegou. Em 74 deixamos de ir pra final porque perdemos um jogo importante em Bauru, contra o Noroeste, coincidência do destino foram os dois jogadores que a Portuguesa dispensou, o Rodrigues ponta-esquerda e o Lorico, que foram os grandes jogadores daquele dia, estávamos numa tarde ruim, tudo de errado aconteceu naquele dia e o Corinthians acabou indo pra final contra o Palmeiras. Na verdade era a Portuguesa que ia pra esta final.
Eduardo Verdasca, Wilsinho e Mauricio Sabará . Uma tabelinha muito bem feita.
MAURÍCIO SABARÁ: Em 76 você foi para o Juventus.
WILSINHO: Em 76 eu tive mais um ano na Portuguesa. Era um rebelde sem causa com 26 anos. Porque eu via todo mundo todo ano, vai reforçar e comprar, saía um e outro, sendo que eu continuava na ponta-esquerda. Aí fiquei meio rebelde, fiz algumas trapalhadas e me desinteressei um pouco. Hoje, com a idade que tenho, reconheço estas coisas e acabei tendo um desentendimento com o presidente e fui embora para o Juventus junto com alguns jogadores, na troca com o Tatá que hoje é auxiliar técnico do Muricy e chegou outro goleiro. Foi uma troca de jogadores, como fez o Fluminense com o Corinthians.
Juventus 1977: João Carlos, Carlos, Bracalli, Polaco, Tião e Deodoro. Agachados: Xaxá, Elói, Tatá, Serginho e Wilsinho
EDUARDO VERDASCA: Voltando na parte de decisões por pênaltis, muita gente lembra da decisão, como se continuasse o Santos venceria. Mas quando lembramos do tempo normal, houveram algumas injustiças que poderiam ter levado a Portuguesa ao título sem a decisão por pênaltis. Ninguém se lembra disso.
WILSINHO: Correto! Houve algumas chances dos dois lados. O Santos também teve bola na trave com Pelé. Nós também tivemos bola na trave. Houve um lance do Basílio que acabou não sendo feliz na finalização, sendo que a mesma sorte que teve no Corinthians não aconteceu na Portuguesa em 73. E tivemos o principal, que foi o gol do Cabinho anulado. Todo mundo fala que não lembra e lamentavelmente talvez não tivesse sido visto. A televisão naquela época não era tão moderna como hoje, acho que não existe imagem daquele jogo, mesmo porque ninguém consegue passar o jogo inteiro, sempre passa os lances dos pênaltis, mas nós tivemos um gol legítimo anulado pelo Sr. Armando Marques. A Portuguesa teria vencido normalmente.
EDUARDO VERDASCA: Era uma época que a Portuguesa tinha uma torcida muito grande. Tivemos um Morumbi com muitos torcedores.
WILSINHO: Eu tenho registrado em torno de 118 e 120 mil pagantes. Na época evidente que o Santos tinha mais com o Pelé. Mas a Portuguesa tinha a sua torcida que comparecia e sou contra a mudança de nome do time, pois desde que você tenha time, a torcida comparece. Eu acho que o nome não importa, pois quando você ganha e tem um bom time, jogávamos com estádios cheios no Canindé, Pacaembu e Morumbi. Muita gente na final foi torcer pra Portuguesa, mesmo quem não torcia pro time, mas dá pra ver na época que ela sempre teve bons times.
Corinthians 1979 : em pé estão Ze Maria, Mauro, Solitinho, Djalma, Caçapava e Wladimir
Agachados: Vaguinho, Socrates, Geraldão, Wagner Basilio e Wilsinho
Eduardo Verdasca, Wilsinho e Mauricio Sabará . Uma tabelinha muito bem feita.
MAURÍCIO SABARÁ: Depois de encerrar a carreira você trabalhou como técnico de futebol Masculino e também Feminino. Como foi esta experiência esta experiência com as mulheres no futebol, além também do masculino?
WILSINHO: Quando assumi o Masculino Infantil, foi depois do Juvenil que já havia um treinador. Fiquei no Infantil, que nunca eu havia trabalhado. Seria o início de uma carreira. Só que entrei de manhã e fui demitido à tarde, porque eu tinha aquela idéia revolucionária, pois você tem que ter as coisas pra realizar um bom trabalho. Eu cheguei na Portuguesa e não tinha bola, chuteira e camisa. Com podia trabalhar, com quase 90 jogadores, podendo usar somente usar 22? Posso trabalhar no mínimo com 30. Não vai dar. Eles acabaram não gostando que pedi para o roupeiro colocar as coisas velhas dentro de um saco, não dei o treino e joguei tudo fora. Chamaram-me à tarde e disseram que não dava pra eu continuar como treinador, dizendo que joguei tudo fora. Eu respondi que só limpei. Depois entendi, porque a Portuguesa teve uma fase ruim com uma má administração, não deixando nada pra Lusa. Ela estava errado de baixo pra cima e de cima pra baixo. Não tinha nada na Base e nem no time principal. Eu achava que você tem que dar condições de a pessoa desenvolver o que sabe, com uma chuteira, bola em condição, portanto não concordava com aquilo. Acabei voltando e montei uma bela Equipe Infantil, saindo alguns jogadores que estão rodando por aí. Quanto ao Feminino, muitas jogadoras da Seleção Brasileira passaram comigo.MAURÍCIO SABARÁ: Uma bela passagem pela Portuguesa. Também uma boa passagem pelo Juventus, jogando com Ataliba e outros jogadores de destaque. Chega 1979 e você é contratado pelo Sport Club Corinthians Paulista. Na época havia um ponta-esquerda muito bom que era o Romeu Cambalhota. Fale desta sua passagem pelo Corinthians, do título de 79 e como foi esta disputa sadia de posição com o Romeu?
WILSINHO: Quando saí da Portuguesa para o Juventus, este time formou uma grande equipe. Sempre do grande time da Portuguesa e do Juventus. O Corinthians acabou montando também um super time, com Zé Maria, Amaral, Wladimir, Caçapava, Basílio, Biro-Biro, Sócrates, Palhinha, Geraldão, Vaguinho, Romeu e eu. Qualquer um que o treinador colocasse, estava tranqüilo, pois tinha grandes jogadores. Eu fui para o Corinthians com 29 anos e super experiente. O pessoal falava que quando chegava aos 30 era hora de parar. Acabei jogando 3 anos e tive a felicidade de ser campeão em 79, o ano que cheguei. O Corinthians conquistou em 77, no ano seguinte foi o Santos em e79 ganhou novamente o Corinthians, sendo que teve uma paralisação no final do ano, houve briga do Matheus com a Federação e com o Palmeiras. O campeonato parou em Dezembro, voltando em Janeiro, eliminamos o Palmeiras e acabamos indo pra final decidindo novamente com a Ponte, com o Corinthians sendo campeão em 79. Joguei ainda em 80/81, quando voltei pra equipe do Juventus, jogando por mais 2 anos e encerrando a carreira.
EDUARDO VERDASCA: Estávamos falando dos últimos anos, que a Portuguesa não teve mais aquela fase dos anos 70, houve um grande esquadrão nos anos 50 e de uns anos pra cá as coisas não andam tão bem. A impressão que se dá é que a Portuguesa não se enxerga como um time grande.
WILSINHO: Teve uma época que a Portuguesa foi considerada como o quinto clube de São Paulo. Ela perdeu o seu espaço, não houve grandes investimentos nas Categorias de Base, teve um momento que ela foi crescendo e se solidificando como um clube grande. Sempre ficou naquele bloco. Ela abandonou a Categoria de Base. Se fizermos um retrospecto, depois da década de 70, podemos lembrar de Zé Roberto, que foi embora. A Portuguesa tem um ou outro jogador. Um time que revelou Ivair, Leivinha, Basílio, Enéas, eu, Edu e Zé Maria, você vê que eram vários. Hoje eu vejo o Santos fazendo este trabalho e o São Paulo resolveu ver que a solução é a Categoria de Base. Evidente que você tem que mesclar os jogadores jovens com os mais experientes, pois você tem que ter uma Base forte pra ser o alicerce dos que vem de baixo. E hoje a Portuguesa tem comprado jogadores que não vamos criticar. Cada época tem sua época. Eu respeito estas passagens. O jogador tenta fazer o papel dele. Talvez não seja o ideal, mas o clube é o responsável por aquele que ele forma e compra. Vejo muita gente despreparada trabalhar nas Categorias de Base, como professor de Matemática. Uma vez falei com o diretor do Corinthians. Na CBF tem muito militar. Na arbitragem tem o Coronel Marinho. Tem coronel na Portuguesa e Desembargador no Corinthians. Falei para este Desembargador, que quem é de segurança tem que cuidar disso, o militar precisa dar segurança ao povo e não se meter com jogador. Já imaginou se me dão um revólver? Faria bobagem. E quando eles vão para o futebol, também fazem bobagem. Eu não aceito interferência como treinador, de pessoas que não são do meio e falam. Pra discutir contigo tem que ter conhecimento na escalação do time e isso prejudica muito. Sabemos das mutretas no futebol, empresário que passa pra frente jogador, diretor que ganha comprando bonde. Quem paga é o clube e a torcida. Tudo passa, mas o clube fica.
REPORTAGEM: Maurício Sabará e Eduardo Verdasca
FOTOS: Estela Mendes Ribeiroterça-feira, 23 de novembro de 2010
Encontros eternizados - TOSTÃO, ELIZETH CARDOSO, PELÉ & JAIR RODRIGUES
Encontro historico ente Tostão, Elizeth Cardoso, Pelé e Jair Rodrigues. O futebol e a musica reunidos lado a lado.
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