FTT - Futebol de Todos os Tempos

ENTREVISTAS COM EX JOGADORES, TECNICOS, DIRETORES E PESSOAS LIGADAS AO FUTEBOL QUE CONTRIBUIRAM DE ALGUMA FORMA PARA QUE PUDESSEMOS CONHECERMOS UM POUCO MAIS DA HISTORIA DO FUTEBOL BRASILEIRO E MUNDIAL.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Craque disse e eu anotei - ADEMIR DA GUIA

Obtive o telefone do Ademir da Guia, através do seu grande parceiro Dudu. Fiz uma matéria da qual tive muito orgulho, pelo jogador que foi o Ademir, além de ser um ser humano formidável, que me proporcionou uma entrevista muito bacana no Parque Antarctica. Fiquei muito à vontade, porque o Divino é bem calmo, me deixou bem à vontade e conversei com ele com vontade de não terminar, pois que história gloriosa tem o filho de Domingos da Guia. Confiram a matéria.

MAURÍCIO SABARÁ:  Ademir da Guia, conte sobre o seu início no futebol. Você nasceu no Rio de Janeiro em 1942.
ADEMIR DA GUIA: Nasci em Bangu, no Rio de Janeiro.

Domingos da Guia batendo bola com seu filho Ademir da Guia. Genialidade de pai para filho.

MAURÍCIO SABARÁ: O seu pai foi contratado em 1944 pelo Corinthians. Você tem alguma lembrança desta fase?
ADEMIR DA GUIA: Então, você sabe que nós viemos pra São Paulo, eu tinha dois anos, morávamos no Parque São Jorge. Ele jogou 4 anos e sempre falou que não conseguiu ser campeão paulista. Foi um jogador tricampeão em 3 países, pelo Flamengo, Nacional e Boca Juniors. Ele tinha esta tristeza de não conseguir ser campeão no Corinthians. Na verdade, eu era muito jovem, naquela época não havia televisão, era só rádio, portanto eu não tenho muita lembrança do meu pai jogando profissionalmente. Lembro quando ele jogava nos Veteranos, mas isto foi mais pra frente.


MAURÍCIO SABARÁ: Jogando nos Veteranos ela ainda mostrava a categoria que o consagrou?


ADEMIR DA GUIA: Sim, ele era um jogador muito técnico. Pra época dele, sabemos que o jogador que jogava na defesa se preocupava mais em tirar a bola e é mais fácil. Ele já era um jogador técnico, saía jogando, o que era o diferencial dele.

As lições da bola com o pai foram bem apreendidas e executadas. Surgia aqui um novo craque.

MAURÍCIO SABARÁ: Em 48 o seu pai voltou para o Rio de Janeiro, onde encerrou a carreira no Bangu. Foi inclusive lá que você começou no futebol. Quais são as suas lembranças desta época de Bangu?
ADEMIR A GUIA: Joguei 4 anos de muita alegria no Bangu. Este clube me deu a oportunidade de começar. Joguei a primeira vez em 1957 nos Infantis, quando ficamos em terceiro lugar no Campeonato Carioca. Depois joguei em 58, quando terminamos em segundo lugar. E em 59 o Bangu foi Campeão Juvenil. Foi uma festa muito grande, porque fazia muito tempo que o Bangu não era Campeão Juvenil. Inclusive disputamos em 60 o primeiro Torneio Internacional de Nova York. Levou 4 jogadores deste time que foi campeão. Então com 18 anos tive o privilégio de estar lá. Nunca tinha viajado de avião, só andava de trem em um bairro tranqüilo como Bangu. Pegamos um Super Constellation no Galeão, levamos 23 horas pra chegar à Nova York. Chegamos lá, aquela cidade, tinha que ser dólar e eu nem sabia o que era isso. Tinha que aprender Inglês, queríamos comprar alguma coisa e falar how much. E foi esta a minha primeira viagem, fomos campeões do Torneio Internacional de Nova York. Não éramos titulares, mas fui escolhido como o melhor jogador do torneio, me deram um prêmio que era um envelope cheio de dólares. Pensei até que tinha uns 2000 dólares, guardei e quando cheguei ao hotel eram 21 dólares e fiquei muito feliz, fui para o Mac Donalds fazer a festa. Então foi assim, voltamos no ano seguinte, em 61, fizemos uma excursão pra Europa, começamos em Portugal e terminamos na Escócia. O Bangu me proporcionou estas coisas e, muita gente não sabe, foi uma passagem muito boa, feliz e, depois , em agosto de 61, acertou o valor para que o Palmeiras me contratasse e isto foi muito bom


Bangu Campeão Torneio de Nova York 1960
Em pé:
Joel, Ubirajara, Faria, Ananias, Zózimo e Nilton dos Santos;
Agachados: Correia, Zé Maria, Luís Carlos, Ademir da Guia e Beto.

MAURÍCIO SABARÁ: Quem foi o jogador que te inspirou e que você queria imitar? Ou era estilo só seu?
ADEMIR DA GUIA: Eu lembro muito a Copa de 58m vendo o Didi jogar. Vi também o Doutor Rubens do Flamengo. Depois tivemos o Chinesinho, então jogadores que sonhávamos em ser como eles. Na verdade tive a oportunidade de ver Garrincha e Pelé, que foram os dois grandes jogadores que vi jogar.

MAURÍCIO SABARÁ: O Zizinho  você viu jogar?
ADEMIR DA GUIA: Em 1957, quando ele jogou no São Paulo, eu não vi. Sei que jogou no Bangu durante muito tempo e foi meu técnico em 60.


MAURÍCIO SABARÁ: Foi ele e o Tim na ocasião.
ADEMIR DA GUIA: Exato, peguei ambos e realmente foram grandes jogadores.
A compra de Ademir da Guia pelo Palmeiras ao Bangu.


MAURÍCIO SABARÁ: Estamos gravando esta entrevista no Parque Antarctica. Podemos ver atrás o seu busto, portanto aqui é a sua casa. Como foi esta contratação em agosto de 61?
ADEMIR DA GUIA: O Palmeiras me ofereceu, se não me engano, 4 milhões de cruzeiros. Faz 50 anos que estou aqui e ainda jogo nos Masters. O Bangu foi fazer 2 jogos em Campinas e o Renganeschi era o treinador do Guarani. Jogamos contra eles e a Ponte. Ele citou o meu nome para que o Guarani comprasse o meu passe. O Bangu não quis vender. Depois ele veio para o Palmeiras e novamente me indicou, então o Bangu me vendeu. Por eu ter jogado em Campinas, ele ter assistido, lembrou de mim, achou que joguei muito bem e me indicou ao Palmeiras.
Mauricio Sabará e Ademir ao lado do busto em homenagem ao "Divino".

MAURÍCIO SABARÁ: Quando você chegou no Palmeiras, não era titular absoluto. Se não me engano era reserva do Chinesinho.
ADEMIR DA GUIA: Exatamente. Quando cheguei aqui, até foi uma coisa muito importante na minha vida. O Palmeiras tinha sido Campeão Paulista em 59 e vencido o Santos, portanto tinha uma equipe espetacular. Tínhamos Valdir, Djalma, Valdemar Carabina, Aldemar, Geraldo Scotto, Zequinha, Chinesinho, Julinho e Vavá. Era uma equipe de craques. Eu fiquei na reserva do Chinês, como o também o Hélio Burini, que também estava esperando uma oportunidade. Só tive esta chance de jogar porque o Chinesinho estava na Seleção Brasileira e depois foi pra Itália. Houve esta oportunidade, disputamos a posição o Burini e eu, até que em 63 chegou o Geninho e me colocou. Inclusive neste ano fui Campeão Paulista de Aspirantes e Profissionais. Aí comecei a jogar e consegui atuar 901 partidas aqui no Palmeiras durante 16 anos, mereci este busto que é algo que tenho muito orgulho. No ano que vem estou fazendo 50 anos de Palmeiras e ainda jogando.

Em pé a partir da esquerda o Palmeiras em 1963 :Valdemar Carabina, Valdir, Ademir da Guia, Aldemar, Tiburcio e Jurandir; agachados estão Gildo, Américo Murolo, Vavá, Chinesinho e Geraldo José.


MAURÍCIO SABARÁ: Você citou o título de 63, mas um dos grandes responsáveis desta conquista foi o ponta-direita Julio Botelho. Qual é a lembrança que você tem do nosso querido Julinho?
ADEMIR DA GUIA: Julinho era um jogador rápido, muito veloz e inteligente. Os pontas de antigamente tinham a missão de ir até a linha de fundo e cruzar. Quando podiam, também marcavam gols. Ele era este tipo de jogador importantíssimo. Naquele época tínhamos pontas e eles faziam este tipo e trabalho.

 Julinho Botelho, Vavá, Servilio, Ademir da Guia e Tupazinho - O ataque impossivel do Palmeiras em 64.


MAURÍCIO SABARÁ: Tínhamos pontas e laterais, como o Djalma Santos.
ADEMIR DA GUIA: Hoje os laterais tem a missão de vir e cruzar. Naquele época tinham que marcar o ponta até a linha de fundo.

MAURÍCIO SABARÁ: Você foi Campeão Paulista em 63. Uma grande temporada também no ano seguinte. E em 65 a primeira convocação pra Seleção Brasileira. Você lembra bem desta fase na Seleção e porque não foi pra Copa de 66?
ADEMIR DA GUIA: Nesta passagem jogaram o Dudu e eu no meio-de-campo nos três jogos no Maracanã. Se não me engano, o técnico era o Feola. Jogamos bem. Depois fomos até a África e aconteceu uma coisa inédita, porque nós chegamos a um país que não me lembro, jogava Pelé e eu, o time era muito bom, tivemos uma facilidade muito grande, porque em 20 minutos ganhávamos por 3 a 0 e eu saí. Existia uma coisa diferente, pois um técnico não tira um jogador com 20 minutos. Entrou o Gérson, que também era um grande jogador, um craque. Depois jogamos na Suécia. Na outra convocação, eu não fui e levaram os 44 jogadores. No Palmeiras foram o Djalma, Servílio e o Valdir. Foi uma opção do técnico. Aqui no Brasil temos esta dificuldade porque temos 3 ou 4 jogadores para uma opção e o técnico tem que escolher um. Depois a Seleção não foi bem, perdemos pra Portugal, fomos desclassificados e Pelé se machucou. Mas é sempre bom você estar no Campeonato Mundial, pois o jogador luta e trabalha pra isso. Se você não consegue ir, tem que continuar a vida.

Ademir da Guia no jogo em que o Brasil venceu a Alemanha no Maracanã por 2x0. A partida foi realizada em 6 de Junho de 1965 e teve alem de Ademir as presenças de Djalma Santos, Dudu e Rinaldo , todos do Palmeiras.



MAURÍCIO SABARÁ: No ano de 1965, você ganhou o Torneio Rio-São Paulo, a sua primeira conquista de nível nacional que ganhou vestindo a camisa do Palmeiras. Não era um torneio qualquer, pois tinha o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha. Qual é a sua lembrança desta conquista e o que significaram estes confrontos contra o forte Santos de Pelé?
ADEMIR DA GUIA: Os jogos contra o Santos eram muito difíceis, pois tinha um ataque com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Eram clássicos que tínhamos que nos preparar mais, ter mais atenção e marcação e, normalmente, umas derrotas, porque eles eram terríveis. O Palmeiras algumas vezes conseguiu alguns resultados, pois se não tivéssemos vencido um Campeonato Paulista, o Santos teria sido campeão uns 12 anos seguidos, eles tinham um elenco espetacular.

Palmeiras x Santos - Sempre grandes jogos nos anos 60 e 70. Aqui Pelé x Ademir da Guia - Dois genios.


MAURÍCIO SABARÁ: Foi neste ano de 65 que começou a Academia.


ADEMIR DA GUIA: Nós tivemos a Academia com o Filpo Nuñes e tínhamos uma equipe que era muito boa, grandes jogadores e, como você falou, eram equipes tradicionais, como as do Rio, que tinha Botafogo, Flamengo e Vasco. Lá no Maracanã era difícil. Aqui tínhamos o Santos, São Paulo e Corinthians. O Campeonato Rio-São Paulo era como se fosse um torneio nacional e não tinha os times do Sul e de Minas, mas eram na verdade as equipes que chegavam. Depois o Robertão incluiu as equipes do Sul e de Minas, que eram naquela época Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Atlético, então era na verdade um campeonato nacional, porque as equipes iam se desclassificando e ficavam sempre estas.
Um plantel espetacular - Djalma Santos, Valdir Joaquim de Moraes, Valdemar Carabina, Filpo Nuñez, Djalma Dias, Dudu, Geraldo Scotto, Santo, Tarciso e Picasso. Agachados: Germano, o massagista Reis, Gildo, Servílio, Tupãzinho, Ademir da Guia, Rinaldo, Dario Alegria, Nélson Coruja, Júlio Amaral e Ferrari. Esse Palmeiras conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1965


MAURÍCIO SABARÁ: Você lembrou bem do Cruzeiro, que tinha um grande jogador na época com uma história semelhante à sua, apesar de ter um estilo de jogo diferente , que era o Dirceu Lopes, pois não teve sorte de jogar muito na Seleção Brasileira. O que você tem a dizer sobre ele?
ADEMIR DA GUIA: Um craque. O Dirceu Lopes fazia parte de um ataque sensacional do Cruzeiro e era um jogador completo, técnico, fazia gols, vinha defender e foi sensacional. Lamentamos, pois foi uma época de grandes craques e Dirceu Lopes estava incluído entre eles. Mas era uma questão de escolha, pois se fosse um técnico de Minas, teria convocado mais jogadores de lá. O futebol brasileiro é assim mesmo. Agora nós vimos o Mano Menezes que tem vários jogadores para escolher, com a missão de optar por 22 ou 16 jogadores, então é aquele negócio de testar. Vemos que o celeiro do futebol brasileiro é muito grande. Naquela época cada equipe normalmente tinha 5 ou 6 craques, o que para o técnico era bom, mas a escolha era muito difícil.

MAURÍCIO SABARÁ: Também em 1965, o Palmeiras representou a Seleção Brasileira em uma partia que venceram por 3 a 0 o Uruguai no Mineirão.


ADEMIR DA GUIA: Foi na inauguração do Mineirão em 65, o Palmeiras foi convidado ejogamos contra o Uruguai. É aquele negócio, às vezes ela é mais difícil, pois jogar com jogadores que você nunca jogou, médicos, treinadores e diretores que você não conhece,  de vez em quando, e quando você tem sua equipe que vai jogar contra uma Seleção é mais fácil. Nós tivemos aí, inclusive, durante estas temporadas, técnicos que queriam colocar jogadores  do Botafogo e do Santos no misto, pois sabiam que seria mais fácil escalar jogadores que não se conheciam.

O Palmeiras é Brasil na inauguração do Mineirão em 1965.

MAURÍCIO SABARÁ: Depois teve 1966, o Palmeiras voltou a ser Campeão Paulista. Em 67 e 69 foram dois torneios Roberto Gomes Pedrosa. Qual é a sua lembrança destas também duas importantes conquistas, sendo que além delas, teve uma Taça Brasil em 1967, o que deu direito ao Palmeiras de disputar a Libertadores da América.
ADEMIR DA GUIA: Como falei pra você, seriam os Estados entrando, porque na verdade o que acontecia é que você mudava apenas o nome, pois tinha o Rio-São Paulo, depois foi o Robertão incluindo Minas e o Sul, veio o Nacional com mais duas equipes do Paraná, sendo que na verdade era um torneio que você ia mudando os nomes, nas no final de contas era apenas isso, uma mudança de clube, mais dificuldades nas equipes, a rivalidade era sempre igual, jogar contra o Santos, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro e Internacional, que teve uma equipe sensacional com o Minelli, quando foram campeões. Tive a oportunidade de jogar no estádio dos Eucaliptos do Internacional, depois eles conseguiram fazer o Beira-Rio. Coisas que foram melhorando, equipes melhores, as mesmas dificuldades e conseguíamos ser campeões, porque tínhamos uma grande equipe.



MAURÍCIO SABARÁ: A década de 60 chega seu fim e estamos em 1970, ano do nosso Tricampeonato, com aquela grande Seleção Brasileira que foi montada naquele ano. Você tinha esperança de ser convocado pra esta Copa?
ADEMIR DA GUIA: Sempre procuramos fazer o melhor pra ser convocado, procuramos trabalhar para isso, as dificuldades são grandes, muito depene do técnico, o treinador daquele determinado local, as dificuldades podem ser maiores ou menores, mas procuramos batalhar o ano inteiro pra sermos convocados.

MAURÍCIO SABARÁ: Copa de 70 se foi, grande festa no Brasil, excelente equipe, aí chega ao Palmeiras um técnico famoso que era o Oswaldo Brandão. Grandes conquistas vieram, como os Campeonatos Paulistas de 72 e 74 e um Bicampeonato Brasileiro em 72/73 e a segunda Academia que surgiu.
ADEMIR DA GUIA: E teve o Hélio Maffia, que fez um grande trabalho na mudança da preparação física. É bom destacarmos também que em 72 nós jogamos cinco torneios e ganhamos todos, uma coisa inédita. Começou com o Torneio Laudo Natel, depois veio o Mar Del Plata na Argentina contra clubes de lá, o que era uma guerra. Aí depois veio o Campeonato Paulista, o Brasileirão e o Ramón de Carranza, que tinha normalmente Atlético de Madrid, Real Madrid, Barcelona e Español. Sempre tinha uma equipe de fora, às vezes até duas. Inclusive em 74 estava o Santos lá, Barcelona, Palmeiras e era um torneio muito difícil. Em 72 foi o ano que fomos campeões cinco vezes e ganhamos as 5 coroas. Com a chegada do Brandão, que foi uma pessoa sensacional, ele e o Maffia inovavam, portanto foi um ano que não podemos esquecer.
O Palmeiras de 1972 - Em pé a partir da esq.: Eurico, Leão, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Dudu e Zeca. Agachados: Edu, Leivinha, César Maluco, Ademir da Guia e Nei.


Luis Pereira, Leivinha, Ademir da Guia e Leão


MAURÍCIO SABARÁ: É possível fazer uma comparação da primeira e segunda Academia?
ADEMIR DA GUIA: A segunda Academia jogou mais tempo junta, de 72 a 75, quando se desmanchou, saindo Luís Pereira, Leivinha, Alfredo e Dudu. E a primeira Academia jogou menos tempo, o Filpo era o técnico, ficou pouco tempo, sendo que este time jogou muito bem durante mais ou menos um ano, mas foi uma equipe com menos tempo jogando. Eles diziam que o Maracanã era o Recreio dos Bandeirantes, porque íamos lá, ganhávamos de equipes grandes por 4 a 2 ou 4 a 1, fazendo gols e todos diziam que era um futebol acadêmico.

MAURÍCIO SABARÁ: Entre 71 e 73, acho que o grande rival paulista do Palmeiras era o São Paulo, time do qual jogava um outro grande meia-esquerda, que era o Pedro Rocha. Qual é a sua lembrança dos confrontos com a também forte equipe do São Paulo?
ADEMIR DA GUIA: Eram confrontos muito difíceis. O futebol é assim, você vai tendo durante anos equipes que vão se modificando e jogando um futebol melhor. Nós tivemos no passado o Botafogo e Santos, depois o Cruzeiro, Internacional, sem falar do Corinthians, que é sempre, mas dependendo do ano, o clube se renova e melhora, sendo que o São Paulo teve uma caída quando eles faziam o estádio. Depois quando estava pronto, eles trouxeram o Gérson, Pedro Rocha e Forlan. Portanto era uma equipe sensacional e difícil de se bater. Foram jogos muito complicados, ganhávamos, perdíamos e empatávamos. Sabíamos que tínhamos que nos preparar mais, pois era um clássico.

Ademir da Guia e Pedro Rocha; Rivalidade e muito respeito em campo.

Palmeiras x São Paulo fizeram grandes clássicos no inicio dos anos 70.


MAURÍCIO SABARÁ: Falamos de muitas coisas dos anos 70. Agora vou falar do, talvez, seu ápice no futebol, que foi a Copa do Mundo de 1974, a primeira vez que você foi convocado para um Mundial. Só que nesta Copa você apenas disputou o primeiro tempo e um pouco do segundo da decisão do terceiro lugar contra a Polônia. O que aconteceu em 74, Ademir?
ADEMIR DA GUIA: Então, em 74 fui convocado. Era algo que eu esperava na minha carreira, merecer uma convocação. Eu tinha um desejo, porque o meu pai tinha convocado em 38, na França, pois sabia que pai e filho jogarem uma Copa do Mundo realmente foram poucos. Quando fui convocado, o Zagallo disse pra mim que o Rivellino era o titular, ele tinha jogado em 70, com uma Seleção que encheu os nossos olhos, conseguiu em uma final contra a Itália ganhar de 4 a 1, jogando muito bem. Eu falei pra ele que o Rivellino é o titular e estou aqui com o grupo, se precisar de mim, vou jogar, caso não precise estarei junto para que possamos chegar e sermos campeões. Infelizmente tivemos a Holanda, com uma equipe diferente, jogando um futebol moderno e que ainda tivemos dois lances que podíamos ter feito os gols, fomos surpreendidos e eles venceram. Você estar lá, sentir a alegria da vitória, como encarar uma derrota, tudo isso eu tive a oportunidade de estar sentindo. Fiquei muito contente quando o Zagallo falou que eu iria jogar o último jogo. É uma coisa meio que complicada, pois eu fiquei três meses sem jogar, totalmente fora de ritmo, mas quando ele disse que ia jogar, foi ótimo, porque era uma coisa que estava esperando conseguir, estar jogando uma Copa do Mundo, mesmo que fosse um terceiro ou quarto lugar. Eu fui, desempenhei e joguei o primeiro tempo. O segundo tempo estava 0 a 0 e ele quis mudar a maneira de jogar, me tirou e colocou um centroavante para ganhar o jogo. É como eu falo, o técnico tem que entender a maneira que está fazendo, mas pra mim foi muito bom, pois consegui alcançar este desejo e se eu pudesse ter jogado seria uma coisa sensacional. Se pudéssemos ser campeões do mundo, teria sido muito bom. Mas pra mim, só de ter ido à Copa e ter jogado também foi importantíssimo pra minha história.

MAURÍCIO SABARÁ: Ademir, você acabou de falar do Corinthians. Acredito que a grande partida do Palmeiras tenha sido aquela histórica decisão de 74, quando o Corinthians completava 20 anos que não era campeão. O que você lembra deste jogo e das outras partidas?
ADEMIR DA GUIA: Grande rival. Nós tivemos uma final contra o Corinthians, eles tinham sido campeões em 54, sendo que em 74 seria um ano de festa sensacional. Eles estavam esperando. Na verdade o nosso torcedor até preferiu não ir ao campo, porque acreditava que seria festa do Corinthians, tanto que quando entramos e olhamos o estádio, vimos que tinha 80% da torcida corintiana e da nossa tinha pouca gente. Era tudo mais ou menos programado para o Corinthians ser campeão. Nós não, mas tínhamos a certeza que nossa equipe era muito boa, teríamos um jogo difícil, mas podíamos ganhar. Então foi isso que aconteceu, nos  preparamos e concentramos para um campeonato que podia acontecer e sabíamos que era muito difícil. Nossa equipe era muito boa, conseguimos fazer 1 a 0, batalhamos e conseguimos a vitória. Foi sensacional.

 MAURÍCIO SABARÁ: Na época também tinha a Portuguesa de Desportos. Era um time difícil de enfrentar, com Enéas e Badeco?
ADEMIR DA GUIA: Bem difícil. A Portuguesa quando jogava contra os grandes, os jogadores sabiam que, se jogassem bem,  poderiam ser até contratados. Eles batalhavam muito e nós trouxemos grandes jogadores de lá. Contra o Palmeiras não era somente uma questão de vencer, mas também serem contratados.

Ademir da Guia na frente do escudo do clube que defendeu com tanto amor, classe e dedicação.

MAURÍCIO SABARÁ: Falamos de muitas coisas dos anos 70. Agora vou falar do, talvez, seu ápice no futebol, que foi a Copa do Mundo de 1974, a primeira vez que você foi convocado para um Mundial. Só que nesta Copa você apenas disputou o primeiro tempo e um pouco do segundo da decisão do terceiro lugar contra a Polônia. O que aconteceu em 74, Ademir?

ADEMIR DA GUIA: Então, em 74 fui convocado. Era algo que eu esperava na minha carreira, merecer uma convocação. Eu tinha um desejo, porque o meu pai tinha convocado em 38, na França, pois sabia que pai e filho jogarem uma Copa do Mundo realmente foram poucos. Quando fui convocado, o Zagallo disse pra mim que o Rivellino era o titular, ele tinha jogado em 70, com uma Seleção que encheu os nossos olhos, conseguiu em uma final contra a Itália ganhar de 4 a 1, jogando muito bem. Eu falei pra ele que o Rivellino é o titular e estou aqui com o grupo, se precisar de mim, vou jogar, caso não precise estarei junto para que possamos chegar e sermos campeões. Infelizmente tivemos a Holanda, com uma equipe diferente, jogando um futebol moderno e que ainda tivemos dois lances que podíamos ter feito os gols, fomos surpreendidos e eles venceram. Você estar lá, sentir a alegria da vitória, como encarar uma derrota, tudo isso eu tive a oportunidade de estar sentindo. Fiquei muito contente quando o Zagallo falou que eu iria jogar o último jogo. É uma coisa meio que complicada, pois eu fiquei três meses sem jogar, totalmente fora de ritmo, mas quando ele disse que ia jogar, foi ótimo, porque era uma coisa que estava esperando conseguir, estar jogando uma Copa do Mundo, mesmo que fosse um terceiro ou quarto lugar. Eu fui, desempenhei e joguei o primeiro tempo. O segundo tempo estava 0 a 0 e ele quis mudar a maneira de jogar, me tirou e colocou um centroavante para ganhar o jogo. É como eu falo, o técnico tem que entender a maneira que está fazendo, mas pra mim foi muito bom, pois consegui alcançar este desejo e se eu pudesse ter jogado seria uma coisa sensacional. Se pudéssemos ser campeões do mundo, teria sido muito bom. Mas pra mim, só de ter ido à Copa e ter jogado também foi importantíssimo pra minha história.

MAURÍCIO SABARÁ: Você disse que estava três meses sem jogar e fora de ritmo. Mas recentemente eu assisti esta partida no Grandes Momentos do Esporte junto com meu pai, que te mandou um abraço e falo o seguinte: “Observei bem você jogando, não errou um passe sequer nesta partida e estando fora de ritmo. Imagine se você estivesse treinando, entrosado com o elenco, o que teria feito nesta partida, como em todo o Mundial! E no final do jogo li inclusive que o técnico da Polônia, se não me engano o Gorski, comentou ‘como o melhor jogador do Brasil poderia ser substituído’? Esta é a minha pequena e singela homenagem ao fato de achar que não deveria ter ido somente em 74, mas também em 66 e 70, pois futebol pra isso você tinha de sobra”.
ADEMIR DA GUIA: É verdade, fazemos aquilo que realmente é possível, mas quando você está jogando com ritmo, se sente à vontade na partida. Quando fica parado como fiquei, você vai, procura desempenhar, mas não tem aquela mesma confiança, volta cansado, o que tira um pouco o ritmo. Mas tenho orgulho de ter jogado um Campeonato Mundial e ter recebido estes elogios. Pra mim foi importante, nunca havia jogado uma Copa e quem sabe o meu filho possa jogar, o que é um sonho pra mim.



MAURÍCIO SABARÁ: Bom, 74 acabou. No ano seguinte a Academia praticamente foi desfeita com as vendas de Leivinha e Luís Pereira para o Atlético de Madrid. Um novo técnico que era o Dino Sani. O que o Dino passou pra este time, que foi Campeão Paulista em 76, já na ocasião com o Dudu como técnico?

ADEMIR DA GUIA: Exato, o Dino teve uma passagem, o Palmeiras trouxe Jorge Mendonça, Vasconcelos e o Toninho. Subiu o Valdir e o Arouca começou a jogar. Ficaram o Leão, Nei, Edu e eu. O Dudu pra técnico. Uma equipe realmente nova, que nós tivemos uma surpresa, porque o Palmeiras contratou o Vasconcelos pra ser o titular e o Jorge Mendonça pra ser o reserva. Chegou aqui e mudou, o Jorge foi o titular e o Vasconcelos ficou na reserva. Mas a equipe começou a jogar bem, tínhamos o Samuel, que tinha vindo do São Paulo e operado o joelho, estava se adaptando novamente a jogar, a equipe não acreditava que chegaria à final, mas foi melhorando cada vez mais e conseguimos este titulo também, que realmente foi inédito

MAURÍCIO SABARÁ: Já era o Dudu como técnico. O que ele representou na sua carreira?
ADEMIR DA GUIA: Nós jogamos 12 anos juntos. O Dudu era um jogador que, como jogávamos os dois no meio-de-campo, ele seria o jogador que mais defendia e eu o que mais atacava, sendo que eu tinha que ajudar na defesa, então nos entendíamos muito bem. Ele se preocupa em mais defender. Quando recebia a bola, não se preocupava em atacar, procurava a bola pra mim e eu tinha que fazer este trabalho. Por isso que nos damos bem, porque ele fazia a função dele e eu a minha. Nos dávamos bem dentro e fora de campo. O Dudu procurava ajudar todos os jogadores que chegavam, uma bondade muito grande, pessoa religiosa, tentava passar, assimilar e ajudar todos nós. Era o nosso contador, fazia o imposto de renda. Chegava pro César e perguntava quantos carros ele tinha e quando respondia que tinha um só, ele dizia “que não adiantava mentir, se você falar que tem três eu vou falar que tem um, porque o imposto de renda vai te pegar”. O Dudu era esta pessoa, nos ajudava, conversava, notava que alguns jogadores estavam indo à casas noturnas e ele aconselhava. Era uma pessoa sensacional.



MAURÍCIO SABARÁ: 1976 terminou, Palmeiras Campeão Paulista. Chega 77 e é o momento que você tem uma importante decisão na sua carreira, que é parar de jogar e ainda jogando bem, algo semelhante à Pelé, que parou jogando bem. Qual foi o motivo desta sua decisão?
ADEMIR DA GUIA: Em 77 aconteceu que eu estava jogando um futebol  normal, mas tive um problema em Agosto, quando fomos jogar contra o Atlético de Madrid, que tinha o Luís Pereira e Leivinha, e este jogo foi no Morumbi, um frio muito grande e senti um problema de respiração, me secava a garganta e aí falei com o médico. Ele falou pra eu ver um especialista. Fui ver e voltei a treinar, mas o médico disse que depois teria que operar. Devido a este tipo de problema, eu tive que parar de jogar. Foi uma decisão minha, pois nunca tive nenhum tipo de problema com tornozelo, joelho e distensão, mas aos 35 anos apareceu este problema e na verdade eu operei no inicio de 78, depois por mais dois anos novamente, mas não consegui ficar bom pra jogar futebol profissional. Então, na verdade, parai em 77, depois de Agosto tentei jogar alguns jogos, uns consegui e outros eu tinha que sair, mas não consegui jogar até o final do ano, então devido à este problema tive que parar aos 35 anos, mas se não tivesse este problema, teria jogado em 77, 78, 79, 80 e, talvez, até 81 teria jogado profissionalmente, porque eu estava bem, teria passado as 1000 partidas, que era uma meta que eu tinha também, portanto parei precocemente com este problema médico.




MAURÍCIO SABARÁ: Você parou de jogar de repente e houve uma despedida em 84 com uma partida contra a Seleção Paulista disputada no estádio da Portuguesa, o Canindé. Era a despedida que você queria?
ADEMIR DA GUIA: O problema é que nós tínhamos combinado de fazer a despedida aqui no Parque Antarctica. Tinha sido programado, convidando os jogadores nos meses de Dezembro de 83 e Janeiro de 84. Estava tudo certo. Aí aconteceu que o Palmeiras procurou arrumar o campo, porque tinha um buraco e devido a este tipo de problema, não conseguimos fazer aqui. Como já estava tudo programado, tínhamos naquela época um problema de combustível, tinha que arrumar o álcool para a pessoa vir e voltar, tivemos que fazer lá no Canindé. Mas não era o ideal, sendo que foi necessário fazer.
MAURÍCIO SABARÁ: Estamos quase encerrando a nossa entrevista. O que você tem a dizer do Palmeiras depois que você parou, com uma boa fase em 78 e 79 já com o Telê Santana, como técnico, o da década de 80 jogando com Jorginho e Edu Manga, e depois em 92 como surgimento da Era Parmalat?
ADEMIR DA GUIA: Como você falou, tivemos estas duas passagens boas, mas com a Parmalat a equipe foi sensacional, tivemos possibilidade de contratar grandes jogadores, fomos Bicampeões, foi uma época de ouro para o Palmeiras. Tivemos algumas épocas boas e dificuldades. Recentemente tivemos uma equipe que a torcida pedia jogadores, os diretores e o presidente fizeram um esforço muito grande, trouxeram jogadores como o Kléber e o Valdívia, veio o Felipão para que a equipe pudesse melhorar, então estávamos vivendo um futebol difícil, com poucas rendas, financeiramente os jogadores ganham muito, mas estamos indo e os torcedores estão torcendo, indo ao estádio e estamos esperando a nova Arena daqui há uns dois anos, a equipe às vezes vai muito bem e tem dificuldade com um campeonato muito difícil que é o Brasileiro. Infelizmente não conseguimos ganhar em 2009, parecia que estava com a mão na taça, mas a equipe não conseguiu nos últimos jogos um bom futebol, o Flamengo foi campeão, mas é mais ou menos assim, o torcedor está aí, ajudando e lutando, diretoria fazendo um esforço muito grande para que o Palmeiras possa ser o que sempre foi, uma grande equipe tradicional, com bom elenco e vencendo, o que é importante no futebol.

MAURÍCIO SABARÁ: O que você tem a dizer sobre o busto inaugurado em 19 de Dezembro de 1992?
ADEMIR DA GUIA: Consegui jogar futebol durante 20 anos, sendo que 16 foram no Palmeiras e merecer esta honra é muito bom.

EDUARDO VERDASCA: Pra finalizar junto com o Maurício Sabará, realizarei a última pergunta. Está faltando aqui, onde tem os bustos, os jogadores atuais, quem deveria ter, ou até mesmo dos que jogaram com você na época, do pessoal que ganhou a Libertadores e dos grandes ídolos dos anos 90?
ADEMIR DA GUIA: Nós aqui do Palmeiras temos um estatuto e temos pedidos muito grandes para que o Oberdan pudesse ser o nosso goleiro aqui. Mas como o estatuto diz que o jogador não pode jogar contra o Palmeiras, sendo que o Oberdan foi para o Juventus, jogou contra, portanto o estatuto não permite, ainda que muitos queriam que ele  estivesse aqui comigo, o Junqueira e o Waldemar Fiúme. Ele mereceria, mas infelizmente este estatuto não permite. Como estamos precisando de um goleiro aqui, sentimos falta, entendo que o Marcos em um futuro breve, possa estar conosco aqui. Mas sabemos tivemos grandes jogadores que mereciam ter esta homenagem. Entendemos que é importante ter um goleiro e quem sabe teremos futuramente.

REPORTAGENS: Maurício Sabará Markiewicz e Eduardo Verdasca.
 FOTOS: Estela Mendes Ribeiro.

9 comentários:

  1. Sempre admirei o Ademir da Guia, mas depois desta excelente matéria, minha admiração é maior ainda. Uma pessoa extremamente educada, agradável, com excelente memória, conhecedor de futebo, ciente de quem foi (com a humildade de sempre), da forma respeitosa em que se refere ao seu pai, do respeito aos jogadores e times adversários, etc, etc, etc. Entrevistar o Divino é algo tão formidável, que faria mais 100 entrevistas se fosse necessário. Já havia visto ele algumas vezes no shopping West Plaza e tirado uma foto ao lado dele, mas nunca tinha tido um contato tão legal. Gênio da bola, que nunca deixou o futebol e a fama mudarem a sua personalidade.
    Deixo aqui registrado a minha satisfação em ter entrevistado este notável craque, pessoa da qual desejo sempre tudo de bom e que agradou à todos que tiveram a felicidade de vê-lo atuar, sejam palmeirenses ou adversários.
    Saudações à você, gênio Ademir da Guia!

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  2. Caramba Maurício,quantas histórias bacanas e muito interessantes esse Ademir da Guia merece muitos bustos em sua homenagem, era um tremendo craque.

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  3. Parabens Mauricio.
    Certamente uma das melhores entreviostas do blog até hoje. Ademir da Guia foi daqueles jogadores que todas as torcidas, inclusive as adversarias tinham respeito e admiravam. Craque e respeitador, nunca provocando adversarios.
    Um gigante do futebol brasileiro.

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  4. Tabelinha entre o craque da bola e o da escriba!
    Valeu Maurição!!! É a FTT jogando redondo!

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  5. Maravilhosa a entrevista! Parabéns Maurício!!!

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  6. Parabéns, meu querido amigo.
    Este trabalho nos enche de orgulho, pelo entrevistado e pelo entrrevistador.
    Deu p'ra perceber um pouco da categoria e da humildade do maior ídolo do nosso Palestra Itália em todos os tempos.
    Graaannnnde Mauricião!!!

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  7. Muito boa materia com o Divino.
    A humildade dele é contagiante.
    Não é a toa que é considerado o maior jogador do Palmeiras.

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  8. obrigado amigo por esta entrevista, com este genio que é o divino ademir da guia,vida longa a vc e ão eterno ademir,obrigado!!!

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