FTT - Futebol de Todos os Tempos

ENTREVISTAS COM EX JOGADORES, TECNICOS, DIRETORES E PESSOAS LIGADAS AO FUTEBOL QUE CONTRIBUIRAM DE ALGUMA FORMA PARA QUE PUDESSEMOS CONHECERMOS UM POUCO MAIS DA HISTORIA DO FUTEBOL BRASILEIRO E MUNDIAL.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Revista do dia - ESPORTE ILUSTRADO 1942


A Revista ESPORTE ILUSTRADO  de dezembro de 1942 tras em sua capa o artilheiro do São Paulo, Leonidas da Silva.

Encontros eternizados - STANLEY MATTHEWS & RAINHA ELIZABETH


Na final da Copa da Inglaterra de 1953 após ver seu time ganhar em campo , o capitão Stanley Matthews vai a tribuna receber os cumprimentos da Rainha Elizabeth.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Craque disse e eu anotei - WILSINHO

O ex-jogador Wilsinho, da mesma forma que Basílio, Badeco e Ataliba, trabalha na Associação Cooperesportes Craques de Sempre (www.craquesdesempre.com.br). Como os outros três ex-jogadores que entrevistei, também aceitou realizar a entrevista, onde nos passou todo o seu conhecimento e uma franqueza muito grande. Confiram a matéria.

MAURÍCIO SABARÁ: Wilsinho, conte o seu começo no futebol. Você parece que foi revelado na própria Portuguesa.
WILSINHO: Na realidade fui pra Portuguesa com 18 anos, saindo diretamente da Várzea, não tive aquele trabalho Infantil e Juvenil. Ou você vai pra roça ou vai pro mato, ou seja, vai para o Profissional ou para a carreira. Graças à Deus tive a oportunidade de ir pra Portuguesa e acabei passando no teste do Peneira, fiquei, demorei tanto pra chegar em um clube, mas em compensação subi mais rápido que se imaginava, porque joguei meia dúzia de partidas em uma equipe Juvenil e um dia chegou o treinador João Avelino, a quem devo grande parte da minha carreira por ter me dado esta oportunidade, sendo que hoje ele já partiu deste mundo, assim como tantos outros treinadores que trabalhei e outros jogadores, fizeram parte da minha trajetória deste inicio. A vida é assim, uma renovação, quando chegam os novos, os mais velhos tem que ir embora. Foi uma carreira meteórica, mas acho que pelo tempo que fiquei, com passagens boas pela Portuguesa, Juventus e Corinthians. Não tenho o que reclamar da minha carreira. Talvez hoje, financeiramente, sim, pois antigamente não tinha o que tem hoje, mas tínhamos mais amor pela camisa dos nossos clubes, não jogávamos três ou quatro meses, mas cinco anos. Eu fiquei oito anos na Portuguesa. É uma carreira que você fica direto no clube.
Wilsinho mostra um de seus albuns contendo um pouco da sua historia. Só na Portuguesa foram 8 anos.


EDUARDO VERDASCA: Você veio da Várzea, em um tempo que revelava grandes jogadores.
WILSINHO: Justamente, pra nós que jogávamos nesta época, a Várzea  era uma grande escola. Sair de um time de Várzea para um Profissional mostra o quanto ela era boa. Além de mim, outros atletas fizeram esta mesma trajetória. Hoje falamos que tem muito clube no futebol que joga Campeonato Paulista, Brasileirão na Série B, e não tem um time com a mesma qualidade de um das Várzeas de antigamente. Surgi, na realidade, de um campeonato semelhante, a Copa Kaiser, que era patrocinado por uma marca de cigarro. Foi daí que acabei indo direto pra Portuguesa.

MAURÍCIO SABARÁ: Quando você começou na Portuguesa no final dos anos 60, quem eram os jogadores que você atuou junto naquela época?
WILSINHO: Quando eu cheguei, a Portuguesa estava fazendo uma renovação no seu Quadro Profissional, cheguei a treinar um pouco com o Ivair, que acabou indo para o Corinthians. Tinha o Zé Maria que também foi embora. Havia o Edu Bala que foi para o Palmeiras junto com o Leivinha. Cheguei a treinar com o Coutinho já em final de carreira. Teve o Lorico, que foi um grande jogador e pessoa, que me ajudou muito no inicio. Tinha também o Ratinho. A Portuguesa sempre na época tinha 15 ou 20 jogadores que, pelo menos a metade, eram trazidos da Categoria de Base.

Portuguesa 1973 - Em pé estão: Pescuma, Zecão, Badeco, Isidoro, Calegari e Cardoso;
agachados estão Xaxá, Enéas, Cabinho, Basílio e Wilsinho



MAURÍCIO SABARÁ: Era um celeiro de craques.
WILSINHO: Justamente, só que não conseguia segurar estes jogadores, pois valorizavam muito e ela acabava cedendo. A Portuguesa era assim, fonte alimentadora do Palmeiras, Corinthians e São Paulo, sendo também que muitos jogadores acabavam indo pra Portugal, Bélgica e Equador.

MAURÍCIO SABARÁ: Depois destes jogadores citados, você fez parte de uma grande equipe da Portuguesa, jogando junto com Xaxá, Ratinho, Badeco, Basílio e do grande Enéas. O que você tem a dizer sobre este grande time, além do Enéas?
WILSINHO: Era um time que praticamente a metade dele vieram das Equipes de Base. Havia um goleiro chamado Carioca. Veio Arenghi, subiu Isidoro, Cardosinho, Enéas, eu, Fabinho que infelizmente faleceu, tinha Tadeu, Válter, Roberto Bacurú que acabou indo pra Feitosa de Belém do Pará, morando hoje lá. Difícil você ter um time Base, quando não ganhamos  nada lá, porque sempre tiravam um jogador, desmontavam e colocavam outro. Neste época de 70, subiram 9 jogadores.  Hoje, pelo que tenho visto, somente o Santos está conseguindo fazer o que a Portuguesa fazia antigamente.
Portuguesa 1975 - Em pé estão: Mendes, Zecão, Badeco, Calegari, Santos e Cardoso


MAURÍCIO SABARÁ: Qual é a lembrança que você tem deste famoso título de 73 decidido com o Santos? Mesmo sendo dividido, acredito que tenha sido uma conquista inesquecível pra você como pra os demais jogadores e torcedores da Portuguesa.
WILSINHO: Se comenta muito sobre a divisão deste título, mas ele tem um aspecto saudosista muito bom, porque foi em uma época e transição, tanto do time, diretoria e treinador, porque tinha saído o Cilinho, chegando o Oto Glória. Ele fez uma transformação e ajustou alguns jogadores. Pra mim foi o grande treinador que trabalhei, sendo que quando ele chegou na Portuguesa, eu estava indo embora para o América de São José do Rio Preto e naquela semana ficou aqueles ajustes, fez alguns coletivos e acabei treinando em uma equipe de baixo e veio conversar comigo, perguntando o que está acontecendo comigo. Eu falei que havia um desacerto e vou ser emprestado.  Ele disse  pra eu não fazer nada, que iria falar com o presidente, o Oswaldo Teixeira Duarte, talvez um dos maiores presidentes que a Portuguesa já teve, sendo que os outros não conheci. O Oto Glória falou pra ele que precisava de mim como jogador, tinha um esquema na cabeça e que eu encaixava bem e acabei fazendo um contrato de três meses de risco. Acabei não indo pro América, a transação já quase pronta foi cancelada.
Wilsinho x Zé Maria - Um grande duelo na partida entre Portuguesa e Corinthians no campeonato paulista.


MAURÍCIO SABARÁ: Você era um ponta-esquerda veloz, driblador e ia até a linha de fundo, como era comum nos pontas do passado. Quem eram os grandes pontas-esquerdas da época?
WILSINHO: Eu acho que todo o grande clube tinha um ponta. Mas o meu grande ídolo, concorrente e amigo era o Edu, do Santos. Ele era fantástico, tinha uma admiração muito grande por ele. No Palmeiras tinha o Nei, o Corinthians teve o Eduardo que faleceu e Aladim, e o São Paulo tinha o Paraná. Sem contar os do Rio, Minas, do Sul e do Norte. Eram jogadores muito bons. Quem estava jogando não se machucava de jeito nenhum, pois sabia que se isso acontecesse, tinham reservas bons, às vezes até superiores ao titular. Hoje não vemos isso.

MAURÍCIO SABARÁ: Além dos pontas-esquerdas, haviam também os laterais-direitos. Fale sobre os que te marcavam.

WILSINHO: O Palmeiras tinha o Eurico, o Corinthians tinha o Zé Maria, o São Paulo tinha Diego Forlan e o Santos tinha o Carlos Alberto Torres. Pra você ver como eram os times. E só falando em São Paulo, pois os outros Estados também tinham. Aquela super máquina do Cruzeiro era brincadeira, com o Dirceu Lopes, Tostão e o Wílson Piazza. Todo time tinha os seus 11. Era difícil. Havia aquela rivalidade. Era difícil vender para o adversário. A Portuguesa chegou à uma época que brecou e queria segurar. Formava jogador, Corinthians levava o lateral e o Palmeiras levava o ponta. Aí ela manteve o time por uns quatro ou cinco anos. Eu joguei 8 anos no time e chegou uma época que ia ser trocado e não saía. Eu perguntava quem ia ficar no meu lugar e diziam que continuaria. Você via os seus amigos indo embora, o Basílio, meu grande amigo, indo para o Corinthians, sendo que foi um dos responsáveis pra minha ida para lá, sempre batalhando  pra me levar e a Portuguesa negando. Acabou dando certo e fui para o Corinthians.

MAURÍCIO SABARÁ: Em 73 foi campeão junto com o Basílio, Badeco e Enéas. Copa de 74 estava chegando. Parece que você foi convocado.
WILSINHO: Fui relacionado. Aquela Seleção de 74 lembrou um pouco a bagunça de 66. A Portuguesa foi jogar no Rio de Janeiro contra o Fluminense e Flamengo, ganhando os dois. Fomos, o Enéas e eu, à um programa de televisão e na ocasião o João Saldanha disse que deveríamos ser convocados. Pelo menos estaríamos entre os 22. Acabamos indo pra São Paulo. Na época da convocação, fui relacionado entre os jogadores. Só que na hora de convocar, o Zagallo preferiu o Dirceu, pois achava que ele era mais versátil, estilo de jogo igual ao dele, como ponta e meia que ele gostava e adotava. Fiquei de fora na relação dos que poderiam ser chamados caso machucasse alguém. O Enéas foi convocado e durante os treinos foi cortado. Não adiantava você ser um bom jogador, pois a Portuguesa não tem força na Federação Paulista e na CBF. Os jogadores ficavam em segundo plano. A Portuguesa sempre teve grandes jogadores, até hoje tem, não como antigamente, isto é um fato que deixou aquela pequena mágoa que você tem da carreira, mesmo porque nem tudo é um mar de rosas e acontecem algumas decepções.

MAURÍCIO SABARÁ: 1974 se foi. Estamos em 75. E a Portuguesa mais uma vez está decidindo um título. Ela nos anos 70 era sempre forte e um time de chegada. O que aconteceu em 75, que vocês desta vez não chegaram?
WILSINHO: O mesmo que aconteceu em 73, nos pênaltis. Eu hoje até brinco, na época não, que o título de 73 foi importante porque todo mundo fala que saímos correndo do campo, o Oto escondeu todo mundo, mas na realidade sabia que se eu acertasse a trave ia dar aquela confusão e acabou dividindo. Em 75 a mesma coisa e eu era o capitão da equipe nas vezes que o Badeco não jogava. O Dicá bateu e outro que não me lembro que acabou errando contra o São Paulo. Fui bater o pênalti também e errei. Eu sempre falo nas entrevistas que dou que quando cheguei em casa, desta vez não acertei na trave, a bola sumiu, meu pai brincando se acharam a bola, pelo jeito ela deve ter caído fora do estádio! Risos ...
Mas a Portuguesa chegou. Em 74 deixamos de ir pra final porque perdemos um jogo importante em Bauru, contra o Noroeste, coincidência do destino foram os dois jogadores que a Portuguesa dispensou, o Rodrigues ponta-esquerda e o Lorico, que foram os grandes jogadores daquele dia, estávamos numa tarde ruim, tudo de errado aconteceu naquele dia e o Corinthians acabou indo pra final contra o Palmeiras. Na verdade era a Portuguesa que ia pra esta final.

MAURÍCIO SABARÁ: Em 76 você foi para o Juventus.
WILSINHO: Em 76 eu tive mais um ano na Portuguesa. Era um rebelde sem causa com 26 anos. Porque eu via todo mundo todo ano, vai reforçar e comprar, saía um e outro, sendo que eu continuava na ponta-esquerda. Aí fiquei meio rebelde, fiz algumas trapalhadas e me desinteressei um pouco. Hoje, com a idade que tenho, reconheço estas coisas e acabei tendo um desentendimento com o presidente e fui embora para o Juventus junto com alguns jogadores, na troca com o Tatá que hoje é auxiliar técnico do Muricy e chegou outro goleiro. Foi uma troca de jogadores, como fez o Fluminense com o Corinthians.

Juventus 1977: João Carlos, Carlos, Bracalli, Polaco, Tião e Deodoro. Agachados: Xaxá, Elói, Tatá, Serginho e Wilsinho


EDUARDO VERDASCA: Voltando na parte de decisões por pênaltis, muita gente lembra da decisão, como se continuasse o Santos venceria. Mas quando lembramos do tempo normal, houveram algumas injustiças que poderiam ter levado a Portuguesa ao título sem a decisão por pênaltis. Ninguém se lembra disso.
WILSINHO: Correto! Houve algumas chances dos dois lados. O Santos também teve bola na trave com Pelé. Nós também tivemos bola na trave. Houve um lance do Basílio que acabou não sendo feliz na finalização, sendo que a mesma sorte que teve no Corinthians não aconteceu na Portuguesa em 73. E tivemos o principal, que foi o gol do Cabinho anulado. Todo mundo fala que não lembra e lamentavelmente talvez não tivesse sido visto. A televisão naquela época não era tão moderna como hoje, acho que não existe imagem daquele jogo, mesmo porque ninguém consegue passar o jogo inteiro, sempre passa os lances dos pênaltis, mas nós tivemos um gol legítimo anulado pelo Sr. Armando Marques. A Portuguesa teria vencido normalmente.
EDUARDO VERDASCA: Era uma época que a Portuguesa tinha uma torcida muito grande. Tivemos um Morumbi com muitos torcedores.
WILSINHO: Eu tenho registrado em torno de 118 e 120 mil pagantes. Na época evidente que o Santos tinha mais com o Pelé. Mas a Portuguesa tinha a sua torcida que comparecia e sou contra a mudança de nome do time, pois desde que você tenha time, a torcida comparece. Eu acho que o nome não importa, pois quando você ganha e tem um bom time, jogávamos com estádios cheios no Canindé, Pacaembu e Morumbi. Muita gente na final foi torcer pra Portuguesa, mesmo quem não torcia pro time, mas dá pra ver na época que ela sempre teve bons times.

Corinthians 1979 : em pé estão Ze Maria, Mauro, Solitinho, Djalma, Caçapava e Wladimir
Agachados: Vaguinho, Socrates, Geraldão, Wagner Basilio e Wilsinho


Eduardo Verdasca, Wilsinho e Mauricio Sabará . Uma tabelinha muito bem feita.


MAURÍCIO SABARÁ: Depois de encerrar a carreira você trabalhou como técnico de futebol Masculino e também Feminino. Como foi esta experiência esta experiência com as mulheres no futebol, além também do masculino?
WILSINHO: Quando assumi o Masculino Infantil, foi depois do Juvenil que já havia um treinador. Fiquei no Infantil, que nunca eu havia trabalhado. Seria o início de uma carreira. Só que entrei de manhã e fui demitido à tarde, porque eu tinha aquela idéia revolucionária, pois você tem que ter as coisas pra realizar um bom trabalho. Eu cheguei na Portuguesa e não tinha bola, chuteira e camisa. Com podia trabalhar, com quase 90 jogadores, podendo usar somente usar 22? Posso trabalhar no mínimo com 30. Não vai dar. Eles acabaram não gostando que pedi para o roupeiro colocar as coisas velhas dentro de um saco, não dei o treino e joguei tudo fora. Chamaram-me à tarde e disseram que não dava pra eu continuar como treinador, dizendo que joguei tudo fora. Eu respondi que só limpei. Depois entendi, porque a Portuguesa teve uma fase ruim com uma má administração, não deixando nada pra Lusa. Ela estava errado de baixo pra cima e de cima pra baixo. Não tinha nada na Base e nem no time principal. Eu achava que você tem que dar condições de a pessoa desenvolver o que sabe, com uma chuteira, bola em condição, portanto não concordava com aquilo. Acabei voltando e montei uma bela Equipe Infantil, saindo alguns jogadores que estão rodando por aí. Quanto ao Feminino, muitas jogadoras da Seleção Brasileira passaram comigo.


MAURÍCIO SABARÁ: Uma bela passagem pela Portuguesa. Também uma boa passagem pelo Juventus, jogando com Ataliba e outros jogadores de destaque. Chega 1979 e você é contratado pelo Sport Club Corinthians Paulista. Na época havia um ponta-esquerda muito bom que era o Romeu Cambalhota. Fale desta sua passagem pelo Corinthians, do título de 79 e como foi esta disputa sadia de posição com o Romeu?
WILSINHO: Quando saí da Portuguesa para o Juventus, este time formou uma grande equipe. Sempre do grande time da Portuguesa e do Juventus. O Corinthians acabou montando também um super time, com Zé Maria, Amaral, Wladimir, Caçapava, Basílio, Biro-Biro, Sócrates, Palhinha, Geraldão, Vaguinho, Romeu e eu. Qualquer um que o treinador colocasse, estava tranqüilo, pois tinha grandes jogadores. Eu fui para o Corinthians com 29 anos e super experiente. O pessoal falava que quando chegava aos 30 era hora de parar. Acabei jogando 3 anos e tive a felicidade de ser campeão em 79, o ano que cheguei. O Corinthians conquistou em 77, no ano seguinte foi o Santos em e79 ganhou novamente o Corinthians, sendo que teve uma paralisação no final do ano, houve briga do Matheus com a Federação e com o Palmeiras. O campeonato parou em Dezembro, voltando em Janeiro, eliminamos o Palmeiras e acabamos indo pra final decidindo novamente com a Ponte, com o Corinthians sendo campeão em 79. Joguei ainda em 80/81, quando voltei pra equipe do Juventus, jogando por mais 2 anos e encerrando a carreira.


EDUARDO VERDASCA: Estávamos falando dos últimos anos, que a Portuguesa não teve mais aquela fase dos anos 70, houve um grande esquadrão nos anos 50 e de uns anos pra cá as coisas não andam tão bem. A impressão que se dá é que a Portuguesa não se enxerga como um time grande.
WILSINHO: Teve uma época que a Portuguesa foi considerada como o quinto clube de São Paulo. Ela perdeu o seu espaço, não houve grandes investimentos nas Categorias de Base, teve um momento que ela foi crescendo e se solidificando como um clube grande. Sempre ficou naquele bloco. Ela abandonou a Categoria de Base. Se fizermos um retrospecto, depois da década de 70, podemos lembrar de Zé Roberto, que foi embora. A Portuguesa tem um ou outro jogador. Um time que revelou Ivair, Leivinha, Basílio, Enéas, eu, Edu e Zé Maria, você vê que eram vários. Hoje eu vejo o Santos fazendo este trabalho e o São Paulo resolveu ver que a solução é a Categoria de Base. Evidente que você tem que mesclar os jogadores jovens com os mais experientes, pois você tem que ter uma Base forte pra ser o alicerce dos que vem de baixo. E hoje a Portuguesa tem comprado jogadores que não vamos criticar. Cada época tem sua época. Eu respeito estas passagens. O jogador tenta fazer o papel dele. Talvez não seja o ideal, mas o clube é o responsável por aquele que ele forma e compra. Vejo muita gente despreparada trabalhar nas Categorias de Base, como professor de Matemática. Uma vez falei com o diretor do Corinthians. Na CBF tem muito militar. Na arbitragem tem o Coronel Marinho. Tem coronel na Portuguesa e Desembargador no Corinthians. Falei para este Desembargador, que quem é de segurança tem que cuidar disso, o militar precisa dar segurança ao povo e não se meter com jogador. Já imaginou se me dão um revólver? Faria bobagem. E quando eles vão para o futebol, também fazem bobagem. Eu não aceito interferência como treinador, de pessoas que não são do meio e falam. Pra discutir contigo tem que ter conhecimento na escalação do time e isso prejudica muito. Sabemos das mutretas no futebol, empresário que passa pra frente jogador, diretor que ganha comprando bonde. Quem paga é o clube e a torcida. Tudo passa, mas o clube fica.
REPORTAGEM: Maurício Sabará e Eduardo Verdasca
FOTOS: Estela Mendes Ribeiro

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Craque disse e eu anotei - MARCELO

Conheci Marcelo numa padaria durante um café de fim de tarde. Quando me dirigia ao caixa para efetuar o pagamento o vi sentado em uma mesa. Me aproximei, identificando me e falei sobre o blog FTT . Ele imediatamente me passou seu telefone e apenas me pediu que lhe passasse o link com as materias já efetuadas. Feito isto, Marcelo viu a seriedade e a proposta das homenagens aos ex jogadores e marcamos a nossa entrevista.
Confiram !


                                                         Bruno e Marcelo Oliveira

FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS - Daquela turma do juvenil do Atletico , quais jogadores subiram com você para a equipe principal?

MARCELO - Olha foi a maioria, algo raro de acontecer. Geralmente alguns param, outros saem para equipes do interior mas ali tinhamos uma geração muito boa e eu tive o privilegio de fazer parte. No time profissional logo após tinhamos pelo menos 70% da equipe formada na base.


FTT – E foi uma safra  impressionante.

MARCELO - Foi. Eram jogadores de alto nivel pois eu considero o Reinaldo um genio, o Cerezo um craque como poucos, pois ele tinha uma dinamica de jogo maravilhosa. O Paulo Isidoro um jogador muito util que qualquer treinador gostaría de ter no time. Tinha o Getulio excelente jogador na lateral, o Marcio um zagueiro vigoroso, o Alves , João Leite, Marinho, Heleno, Danival, Campos...quer dizer a grande maioria. Aqueles que não deram certo aqui rapidamente arranjaram lugar em outros clubes do Brasil. E este time jogava um futebol moderno para a epoca. Veja que se fosse um meio campo atual teriamos o Cerezo e o Angelo que marcavam e saíam para o jogo. O Paulo Isidoro e o Danival eram jogadores que tambem sabiam marcar muito bem e tinham boa tecnica. Eu chegando no Reinaldo mais na frente. Teríamos apenas que adaptar ao preparo fisico de hoje em dia.


FTT - E não era facil ser titular neste meio campo?

MARCELO - Realmente não era. Veja que no campeonato brasileiro de 1977 chamamos a atenção de todo Brasil pois nosso time tinha a melhor defesa, o melhor ataque e o artilheiro (Reinaldo). Não perdemos um jogo sequer. No primeiro turno o Paulo Isidoro foi titular e eu entrava no decorrer das partidas. Já no segundo turno eu é que fui titular com o Paulo Isidoro entrando no meio das partidas. Depois o Barbatana me colocou de ponta esquerda e o Paulo Isidoro no meio e foi um periodo muito bom pois acabei convocado para a seleção brasileira.


Nelinho, Piazza, Amaral, Getulio, Raul e Vanderlei Paiva;
Agachados: Roberto Batata, Marcelo, Campos, Danival e Romeu

FTT – Na copa América de 1975 a seleção brasileira foi formada praticamente por jogadores do Atlético e Cruzeiro. Vocês inclusive venceram a Argentina duas vezes , uma em BH e outra em Rosario. Foi um belo time este mineiro.
MARCELO – Foi uma ótima seleção e me parece que tinham apenas quatro jogadores de fora. Me lembro aqui do Ivo Wortman um excelente volante do América RJ. Veio o Luiz Pereira , o Amaral e o Roberto Dinamite (vieram ainda Miguel e Geraldo). O time era Raul, Nelinho, Luiz Pereira, Piazza e Getulio. No meio o Vanderlei Paiva, o Danival e eu. Na frente o Roberto Batata, Campos e Romeu. Depois jogou também o Dinamite, Palhinha pois eu joguei somente uma parte da competição já que  acabei sendo convocado para a seleção brasileira que disputou o panamericano no México. E nós acabamos ganhando lá a medalha de ouro.


FTT – E como foi o ambiente . Ficavam separados os grupos de jogadores do Atlético e do Cruzeiro ou se integraram todos?
MARCELO – A rivalidade sempre foi muito grande mas por parte dos torcedores e da imprensa. Nós jogadores nos demos muito bem , ficamos alojados na Toca da Raposa e o técnico era o Oswaldo Brandão. Criamos uma amizade muito grande com o Eduardo, o Nelinho que posteriormente acabou jogando no Atlético e de quem sou grande amigo até hoje. Raul foi um grande amigo tambem. A rivalidade ficava fora. Muito antes pelo contrario,ali todos torciam pelo sucesso do companheiro de seleção.

FTT – Nos esclareça uma coisa. A seleção veio jogando e ganhando exclusivamente com jogadores mineiros. Depois na terceira partida passaram a jogar na zaga Amaral e Luis Pereira mas o resto do time era formado de mineiros. Continuaram invictos. Porque logo na final Oswaldo Brandão colocou em campo o Miguel e Roberto Dinamite do Vasco e o Geraldo do Flamengo?
MARCELO – Não sei ao certo o que ocorreu. Talvez pelo fato do Brandão ser o técnico da seleção principal também ele desejasse observar alguns destes jogadores atuando. A seleção vinha atuando bem, não havia nenhuma fragilidade que levasse a colocar reforços de fora. Porem não houve nenhuma contestação por parte dos jogadores que receberam muito bem os que chegaram de fora.

FTT – E o Geraldo do Flamengo ?

MARCELO – Eu não cheguei a jogar com ele nesta seleção porque como eu disse, saí na fase final para participar do Panamericano mas joguei com ele na seleção de Cannes em 73. Tinha eu, o Pintinho, o Rondinelli, o Geraldo. Ahh, o Geraldo brincava com a bola. Era um jogador que jogava brincando,  dono de uma técnica excepcional. Infelizmente teve aquele problema e faleceu cedo.


FTT - E você acabou sendo campeão do Panamericano em 75?
MARCELO - Fomos. A final foi contra o Mexico os donos da casa. Nosso time era muito bom e praticamente todos jogadores foram idolos em seus clubes. Ganhamos a medalha de ouro .

Tecão, Carlos, Rosemiro, Carlinhos, Tiquinho, Marcelo, Claudio Adão, Alberto Leguelé, Batista e Edinho


FTT – Na final do mineiro de 1976 a final foi contra o Cruzeiro de Raul, Nelinho, Palhinha, Roberto Batata, Zé Carlos, Piazza e cia .O  Atlético venceu por 2x0. Se lembra deste jogo e quem fez os gols?
MARCELO – Claro. Foi sem duvida ali, que nós começamos a quebrar a hegemonia do Cruzeiro. Eles tinham um time maravilhoso que vinha desde a década de 60 com alguns remanescentes daquela época e outros que surgiram nos anos 70 como o Eduardo, Joãozinho, Palhinha e o prorpio Nelinho. Eu fiz gols nos dois jogos das finais e o Reinaldo fez o outro gol deste jogo. Jogamos um futebol brilhante que não apenas venceu mas que encantou. Era um time jovem, rápido, de boa tecnica e que tinha uma identificação muito grande com a torcida porque quase todos foram criados dentro do clube. Nesta época era diferente pois nós tínhamos o sonho de jogar no time principal e de lá ir a seleção brasileira. Hoje, talvez o sonho maior do jovem jogador é ir para a Europa.


FTT - O Atletico fez uma excursão a Asia em 1977. Dos 12 jogos você fez 10 gols. Foi o seu momento de ascensão no Atletico?

MARCELOFoi. Eu vinha tendo um conflito com o Barbatana, ele me tirou do time e em vários jogos nem no banco ele me deixou. Houve então um protesto da torcida e uma revolta minha também. Ele era um técnico muito duro, autoritário mas também muito competente. Veio 77 e resolvi que seria titular. Fizemos um primeiro amistoso do ano e eu fiz 3 gols. No segundo contra o Nacional do Uruguai eu fiz mais dois e então saímos para a excursão. Eu amadureci um pouco mais e  também  sabia que a concorrência no Atlético era muito forte e eu deveria me doar ao Maximo. Diferentemente do que ocorre hoje em dia quando um jogador novo mal começa fazer sucesso e já vai embora naquela época tinham muitos bons jogadores a disposição do treinador.


O ano de 1977 foi o melhor na carreira de Marcelo. Aqui ele reencontra um velho rival, Dirceu Lopes agora no Fluminense.

FTT – E o ano foi bom mesmo pois você acabou sendo convocado para a seleção principal.
MARCELOFoi . E não era fácil ser convocado porque o treinador da seleção naquela época tinha vários grandes jogadores a disposição para cada posição.




FTT – Então teve um grande  jogo contra a Alemanha. Você entrou no segundo tempo. Se lembra desta partida?
MARCELO Me lembro bem pois era um jogo preparatório para o Mundialito de Cáli do qual eu também participei. Nós fizemos dois amistosos sendo um contra a seleção carioca em que eu fiz um gol e este contra a Alemanha. Me lembro que entrei e fiz boas jogadas pela esquerda e acabamos empatando a partida em 1x1.

A escalação da seleção brasileira para esta partida

1 - Leão [Palmeiras]
2 - Zé Maria I [Corinthians]
3 - Luís Pereira [Atlético Madrid]
4 - Amaral I [Guarani]
6 - Rodrigues Neto [Botafogo]
5 - Toninho Cerezo [Atlético-MG]
8 - Zico [Flamengo]
10 - Rivellino [Fluminense] - cap
7 - Gil [Botafogo]
(21 - Marcelo) [Atlético-MG]
9 - Roberto Dinamite [Vasco]
11 - Paulo César Caju [Botafogo]

FTT – Depois, ainda em 77  contra a Iugoslávia a seleção teve 4 jogadores do Atlético . Você se lembra quais?

MARCELOLembro muito bem. Tenho uma foto deste time guardada com muito carinho. Neste jogo eu joguei de ponta direita, o Paulo César Caju de ponta esquerda. Jogou ainda o Paulo Isidoro, o Reinaldo e o Cerezo. A partida terminou 0x0 no Mineirão e é claro que pelos jogadores convocados a torcida do Atlético foi maioria absoluta. Reinaldo fez grandes jogadas mas por infelicidade não fez nenhum gol
Brasil x Iugoslavia no Mineirão - Ze Maria, Leão, Marinho Chagas, Luis Pereira, Toninho Cerezo e Edinho.
Agachados: Nocaute Jack, Marcelo, Paulo Isidoro, Reinaldo, Rivelino e Paulo Cesar Caju.

FTT – Você jogou com os dois maiores artilheiros na historia do Atlético: Dario e Reinaldo. Me fale um pouco dos dois e de sua adaptação ao estilo de cada um.
MARCELOForam dois grandes jogadores, dois grandes ídolos mas cada qual com seu estilo e sua característica. O Dario eu joguei com ele em 74 e depois em 78 . Usava lançar as bolas em profundidade para ele porque ele tinha muita velocidade .  Eu também alçava muitas bolas na área  porque ele era muito bom de cabeça. Já o Reinaldo a gente fazia tabelas, jogadas curtas e se entendia muito bem. Era um jogador de altíssimo nível. Tinha facilidade pra driblar, para antever a jogada e eu tive o privilegio de jogar com ele. A gente jogou muito tempo junto na base e então tínhamos realmente um grande entrosamento. Eu tinha que me virar para acompanhar ainteligencia do Reinaldo.


FTT –  Minas Gerais teve nesta época 5 volantes sensacionais: Vanderlei Paiva e Toninho Cerezo no Atlético , Piazza e Zé Carlos no Cruzeiro e Pedro Omar no América. Quais eram os mais geniais?
MARCELO – Cinco grandes jogadores. Características diferentes mas tods muito bons. Acho que o Cerezo se destacou mais porque era técnico, dinâmico e criou uma nova fase dos volantes pois ele se movimentava muito em campo. O Piazza pela liderança e era um exímio marcador. Me impressionava porque muitas vezes eu jogava de lado e pensava que ele não iria chegar e quando assustava o Piazza tava dando o bote e sem falta, sempre na bola, limpamente. Zé Carlos era técnica pura. Extremamente técnico e que marcava muito bem tambem. Ele não errava passes, tanto curto quanto longos. O Pedro Omar bem equilibrado entre a técnica e a raça e por fim o Vanderlei o famoso carregador de piano que marcava muito bem mas sai para o jogo e chutava muito bem fazendo seus gols.


FTT – Porque você saiu do Atlético?
MARCELO – O principal motivo foi a indefinição entre eu e o Paulo Isidoro pois acabava que jogava um , hora jogava outro e acabava que nenhum realmente aparecia tanto e acabamos não indo nenhum dos dois a Copa de 78 apesar de termos jogado muito bem o Mundialito e estarmos cotados para ir a Copa. O Atlético então se interessou em trazer um jogador com outro estilo e eu aproveitei o interesse do Botafogo em me levar. Vi que eu teria mais chances. Não foi fácil largar o Atlético pois eu cresci ali mas fui alçar novos vôos.


MARCELO VAI PARA O BOTAFOGO

FTT – No Botafogo você jogou com Mendonça. Era um jogador diferenciado?

MARCELO – Mendonça era um excepcional jogador que batia na bola como poucos. Não somente em bolas paradas mas durante o jogo mesmo. Jogador que deixou seu nome marcado na historia do Botafogo.

Botafogo 1979 - Gaucho, Ze Eduardo, Rocha, Serginho, Paulo Sergio e Perivaldo.
Agachados: Edson, Mendonça, Mirandinha , Marcelo e Ziza.


FTT – E este Botafogo teve um grande meio campo com Rocha, Mendonça e você?
MARCELO – Teve. A principio quando eu cheguei ainda não tinha o Rocha mas ele chegou logo depois. Então era o rocha , o Mendonça e eu e na frente tínhamos o Renato Sá, Mirandinha e Ziza com quem joguei no Atlético.

                                                      Botafogo de 1981 - Marcelo é o ultimo agachado a direita.


FTT – Na semifinal do Brasileiro de 81 você fez o gol da vitória do Botafogo sobre o São Paulo na primeira partida. Foi o primeiro de dois grandes jogos. 
 
MARCELO – O time do Botafogo não era um time espetacular, maravilhoso mas era um time muito bem montado. Taticamente ele cumpria muito bem o esquema. Nós jogávamos o primeiro tempo com um time e no segundo tempo sempre tinhamos uma estratégia diferente . Jogava o Jerson e o Mirandinha para explorar os contra ataques. Neste jogo , com o Maracanã lotado , o Rocha deu um chute cruzado e eu acompanhei. O Valdir Peres não conseguiu segurar firme e eu aproveitei e fiz o gol da vitória. Fomos então para São Paulo com a condição de empatar o jogo.

FTT – Porem no segundo jogo , aliás um jogaço a vitória o São Paulo por 3x2. O tricolor tinha uma verdadeira seleção brasileira. (Valdir Peres, Getulio, Oscar, Dario Pereyra, Marinho Chagas, Everton, Renato, Serginho e Zé Sergio)
MARCELO – O time deles era muito forte, maravilhoso. Porem o resultado me pareceu injusto porque o juiz não agüentou a pressão e logo após o intervalo expulsou um jogador nosso logo aos 10 minutos e deu um pênalti inexistente no Serginho. Estávamos ganhando o jogo por 2x0 com gols do Jerson e Mendonça e o São Paulo acabou virando e se classificando para a final.

A SAIDA DO BOTAFOGO PARA O NACIONAL DO URUGUAI

FTT – E do Botafogo você foi para o Nacional do Uruguai?
MARCELO – Fui e foi uma experiência maravilhosa. Joguei com grandes jogadores lá como o Victorino, Rodolfo Rodriguez, Blanco, Moreira, Victor Espárrago veterano da seleção de 70. Fiquei no Nacional por um ano. Foi muito bom apesar do estilo deles ser de mais marcação, mais pegada mas me adaptei bem ao futebol uruguaio.
FTT – E a rivalidade entre Nacional e Peñarol?
MARCELO – É bem parecida com Atlético e Cruzeiro . O Peñarol mais popular e o Nacional mais da elite. Disputei a final do campeonato uruguaio contra eles e perdemos com um gol de Morena. Eles também tinham um timaço e jogava lá o Jair que foi campeão aqui pelo Inter.

                                                      Marcelo no Nacional do Uruguai.


FTT – Cite os cinco melhores jogadores que você viu atuar , seja a favor ou contra.

MARCELO – Eu teria até bem mais para indicar tamanha a quantidade de grandes jogadores nesta época mas eu diria pela ordem dos que eu joguei e convivi que seriam: o Reinaldo que para mim foi o maior após o Pelé, o Rivelino, Toninho Cerezo por tudo que ele representava para o time de futebol, Tostão que eu achava um gênio e o Lola. Eu peguei o Lola pouco tempo no Atlético mas este pouco tempo que peguei eu procurava até imita-lo. Tentava fazer suas jogadas. Foi um jogador que não teve tanta projeção nacional mas tinha uma técnica muito apurada e teve a carreira prejudicada por causa da contusão na perna.


FTT – Quem foi seu grande treinador?

MARCELO – Olha eu tive bons treinadores. O Barbatana foi um que apesar de ser muito rigoroso e rígido sabia trabalhar com os jogadores e por isto mesmo surgiram tantos jogadores naquela época no Atlético. Mas o grande treinador mesmo foi o Tele Santana que me levou para o profissional e é nele em quem me espelho até hoje. Eu tenho minha linha de trabalho mas tem conceitos do Tele que eu trago até hoje e procuro usa-los . Acho que ele juntava bem a parte de campo e tatica com a profissional e pessoal tambem. Dos atuais gosto muito do Levir Culpi com quem trabalhei no Atlético .

MARCELO OLIVEIRA TREINADOR

FTT – E então começou sua carreira de treinador no Atlético.
MARCELO – Eu tive um convite do Barbatana pra dirigir o Junior do Atlético mas na época preferi me afastar e fui mexer em um ramo totalmente diferente ficando longe por quase 10 anos. Depois fui convidado para fazer um programa esportivo na TV e que acabou fazendo muito sucesso. Foi então que vi que sentia saudades do futebol. Resolvi então fazer um curso de capacitação para Técnico e que me permitiu coordenar melhor minhas idéias. Rever alguns conceitos e então voltei ao Atlético para treinar o juvenil. Foi uma coisa impressionante pois eu havia dito a minha família que gostaria de chegar a ser técnico do profissional. Era o ano de 2001 e em 2002 eu já dirigia pela primeira vez o time profissional do Atlético.
FTT – Você acha que faltou um maior apoio do Atlético para você continuar o seu trabalho que era bom?

MARCELO – Não foi o Atlético mas especificamente o Alexandre Kalil. Ele podia ter me deixado começar o ano com um trabalho programado mas não deixou. Só me chamava para apagar incêndio. Teve uma pesquisa na Radio Itatiaia em que a torcida queria que eu continuasse e tive 76% de aprovação,a própria imprensa me deu muita força mas o Alexandre Kalil não quiz. Preferiu trazer outros técnicos de fora que infelizmente não deram certo que foram o Leão, Celso Roth e Luxemburgo.


FTT – O Técnico que é prata da casa tem mais dificuldades em relação ao que vem de fora?
MARCELO – Eu acho que o técnico nascido em Minas tem muito mais dificuldade e não apenas o técnico. Acho que o artista em geral tem esta dificuldade. Muitas vezes ele tem de sair e voltar para ser reconhecido.

                                        Marcelo Oliveira comandou o Paraná em 2010.

FTT – Você já foi jogador e é técnico. Jogador derruba treinador?

MARCELO – Olha eu estou no futebol a 36 anos e nunca vi um grupo de jogadores deliberadamente derrubar um técnico. Fazer campanha contra. O que pode ocorrer é um jogador que não está sendo aproveitado querer jogar o grupo contra o treinador. Pode sim acontecer de determinado jogador que não está bem ou não gosta do método do trabalho daquele treinador fazer corpo mole, não se empenhar pelo time. Se ele tem uma pequena contusão que ele pode jogar ele fica fora e não se empenha nos treinamentos e nos jogos. Finge que joga.

                                                           Bruno e Marcelo Oliveira

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Encontros eternizados - REINALDO & JOÃO BOSCO


Os dois craques com os instrumentos de trabalho invertidos. Reinaldo com o violão que consagrou o  amigo João Bosco e o sambista com a bola que encantava o Brasil pelos pés magicos de Reinaldo.

Revista do Dia - GAZETA ESPORTIVA 1958


A Revista Gazeta Esportiva tras em sua edição de Março de 1958 o jogador do Atletico Mineiro, Tomazinho. Neste ano o jogador ajudou o Galo a conquistar o campeonato mineiro e foi um dos seus destaques.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Craque disse e eu anotei - ADEMIR DA GUIA

Obtive o telefone do Ademir da Guia, através do seu grande parceiro Dudu. Fiz uma matéria da qual tive muito orgulho, pelo jogador que foi o Ademir, além de ser um ser humano formidável, que me proporcionou uma entrevista muito bacana no Parque Antarctica. Fiquei muito à vontade, porque o Divino é bem calmo, me deixou bem à vontade e conversei com ele com vontade de não terminar, pois que história gloriosa tem o filho de Domingos da Guia. Confiram a matéria.

MAURÍCIO SABARÁ:  Ademir da Guia, conte sobre o seu início no futebol. Você nasceu no Rio de Janeiro em 1942.
ADEMIR DA GUIA: Nasci em Bangu, no Rio de Janeiro.

Domingos da Guia batendo bola com seu filho Ademir da Guia. Genialidade de pai para filho.

MAURÍCIO SABARÁ: O seu pai foi contratado em 1944 pelo Corinthians. Você tem alguma lembrança desta fase?
ADEMIR DA GUIA: Então, você sabe que nós viemos pra São Paulo, eu tinha dois anos, morávamos no Parque São Jorge. Ele jogou 4 anos e sempre falou que não conseguiu ser campeão paulista. Foi um jogador tricampeão em 3 países, pelo Flamengo, Nacional e Boca Juniors. Ele tinha esta tristeza de não conseguir ser campeão no Corinthians. Na verdade, eu era muito jovem, naquela época não havia televisão, era só rádio, portanto eu não tenho muita lembrança do meu pai jogando profissionalmente. Lembro quando ele jogava nos Veteranos, mas isto foi mais pra frente.


MAURÍCIO SABARÁ: Jogando nos Veteranos ela ainda mostrava a categoria que o consagrou?


ADEMIR DA GUIA: Sim, ele era um jogador muito técnico. Pra época dele, sabemos que o jogador que jogava na defesa se preocupava mais em tirar a bola e é mais fácil. Ele já era um jogador técnico, saía jogando, o que era o diferencial dele.

As lições da bola com o pai foram bem apreendidas e executadas. Surgia aqui um novo craque.

MAURÍCIO SABARÁ: Em 48 o seu pai voltou para o Rio de Janeiro, onde encerrou a carreira no Bangu. Foi inclusive lá que você começou no futebol. Quais são as suas lembranças desta época de Bangu?
ADEMIR A GUIA: Joguei 4 anos de muita alegria no Bangu. Este clube me deu a oportunidade de começar. Joguei a primeira vez em 1957 nos Infantis, quando ficamos em terceiro lugar no Campeonato Carioca. Depois joguei em 58, quando terminamos em segundo lugar. E em 59 o Bangu foi Campeão Juvenil. Foi uma festa muito grande, porque fazia muito tempo que o Bangu não era Campeão Juvenil. Inclusive disputamos em 60 o primeiro Torneio Internacional de Nova York. Levou 4 jogadores deste time que foi campeão. Então com 18 anos tive o privilégio de estar lá. Nunca tinha viajado de avião, só andava de trem em um bairro tranqüilo como Bangu. Pegamos um Super Constellation no Galeão, levamos 23 horas pra chegar à Nova York. Chegamos lá, aquela cidade, tinha que ser dólar e eu nem sabia o que era isso. Tinha que aprender Inglês, queríamos comprar alguma coisa e falar how much. E foi esta a minha primeira viagem, fomos campeões do Torneio Internacional de Nova York. Não éramos titulares, mas fui escolhido como o melhor jogador do torneio, me deram um prêmio que era um envelope cheio de dólares. Pensei até que tinha uns 2000 dólares, guardei e quando cheguei ao hotel eram 21 dólares e fiquei muito feliz, fui para o Mac Donalds fazer a festa. Então foi assim, voltamos no ano seguinte, em 61, fizemos uma excursão pra Europa, começamos em Portugal e terminamos na Escócia. O Bangu me proporcionou estas coisas e, muita gente não sabe, foi uma passagem muito boa, feliz e, depois , em agosto de 61, acertou o valor para que o Palmeiras me contratasse e isto foi muito bom


Bangu Campeão Torneio de Nova York 1960
Em pé:
Joel, Ubirajara, Faria, Ananias, Zózimo e Nilton dos Santos;
Agachados: Correia, Zé Maria, Luís Carlos, Ademir da Guia e Beto.

MAURÍCIO SABARÁ: Quem foi o jogador que te inspirou e que você queria imitar? Ou era estilo só seu?
ADEMIR DA GUIA: Eu lembro muito a Copa de 58m vendo o Didi jogar. Vi também o Doutor Rubens do Flamengo. Depois tivemos o Chinesinho, então jogadores que sonhávamos em ser como eles. Na verdade tive a oportunidade de ver Garrincha e Pelé, que foram os dois grandes jogadores que vi jogar.

MAURÍCIO SABARÁ: O Zizinho  você viu jogar?
ADEMIR DA GUIA: Em 1957, quando ele jogou no São Paulo, eu não vi. Sei que jogou no Bangu durante muito tempo e foi meu técnico em 60.


MAURÍCIO SABARÁ: Foi ele e o Tim na ocasião.
ADEMIR DA GUIA: Exato, peguei ambos e realmente foram grandes jogadores.
A compra de Ademir da Guia pelo Palmeiras ao Bangu.


MAURÍCIO SABARÁ: Estamos gravando esta entrevista no Parque Antarctica. Podemos ver atrás o seu busto, portanto aqui é a sua casa. Como foi esta contratação em agosto de 61?
ADEMIR DA GUIA: O Palmeiras me ofereceu, se não me engano, 4 milhões de cruzeiros. Faz 50 anos que estou aqui e ainda jogo nos Masters. O Bangu foi fazer 2 jogos em Campinas e o Renganeschi era o treinador do Guarani. Jogamos contra eles e a Ponte. Ele citou o meu nome para que o Guarani comprasse o meu passe. O Bangu não quis vender. Depois ele veio para o Palmeiras e novamente me indicou, então o Bangu me vendeu. Por eu ter jogado em Campinas, ele ter assistido, lembrou de mim, achou que joguei muito bem e me indicou ao Palmeiras.
Mauricio Sabará e Ademir ao lado do busto em homenagem ao "Divino".

MAURÍCIO SABARÁ: Quando você chegou no Palmeiras, não era titular absoluto. Se não me engano era reserva do Chinesinho.
ADEMIR DA GUIA: Exatamente. Quando cheguei aqui, até foi uma coisa muito importante na minha vida. O Palmeiras tinha sido Campeão Paulista em 59 e vencido o Santos, portanto tinha uma equipe espetacular. Tínhamos Valdir, Djalma, Valdemar Carabina, Aldemar, Geraldo Scotto, Zequinha, Chinesinho, Julinho e Vavá. Era uma equipe de craques. Eu fiquei na reserva do Chinês, como o também o Hélio Burini, que também estava esperando uma oportunidade. Só tive esta chance de jogar porque o Chinesinho estava na Seleção Brasileira e depois foi pra Itália. Houve esta oportunidade, disputamos a posição o Burini e eu, até que em 63 chegou o Geninho e me colocou. Inclusive neste ano fui Campeão Paulista de Aspirantes e Profissionais. Aí comecei a jogar e consegui atuar 901 partidas aqui no Palmeiras durante 16 anos, mereci este busto que é algo que tenho muito orgulho. No ano que vem estou fazendo 50 anos de Palmeiras e ainda jogando.

Em pé a partir da esquerda o Palmeiras em 1963 :Valdemar Carabina, Valdir, Ademir da Guia, Aldemar, Tiburcio e Jurandir; agachados estão Gildo, Américo Murolo, Vavá, Chinesinho e Geraldo José.


MAURÍCIO SABARÁ: Você citou o título de 63, mas um dos grandes responsáveis desta conquista foi o ponta-direita Julio Botelho. Qual é a lembrança que você tem do nosso querido Julinho?
ADEMIR DA GUIA: Julinho era um jogador rápido, muito veloz e inteligente. Os pontas de antigamente tinham a missão de ir até a linha de fundo e cruzar. Quando podiam, também marcavam gols. Ele era este tipo de jogador importantíssimo. Naquele época tínhamos pontas e eles faziam este tipo e trabalho.

 Julinho Botelho, Vavá, Servilio, Ademir da Guia e Tupazinho - O ataque impossivel do Palmeiras em 64.


MAURÍCIO SABARÁ: Tínhamos pontas e laterais, como o Djalma Santos.
ADEMIR DA GUIA: Hoje os laterais tem a missão de vir e cruzar. Naquele época tinham que marcar o ponta até a linha de fundo.

MAURÍCIO SABARÁ: Você foi Campeão Paulista em 63. Uma grande temporada também no ano seguinte. E em 65 a primeira convocação pra Seleção Brasileira. Você lembra bem desta fase na Seleção e porque não foi pra Copa de 66?
ADEMIR DA GUIA: Nesta passagem jogaram o Dudu e eu no meio-de-campo nos três jogos no Maracanã. Se não me engano, o técnico era o Feola. Jogamos bem. Depois fomos até a África e aconteceu uma coisa inédita, porque nós chegamos a um país que não me lembro, jogava Pelé e eu, o time era muito bom, tivemos uma facilidade muito grande, porque em 20 minutos ganhávamos por 3 a 0 e eu saí. Existia uma coisa diferente, pois um técnico não tira um jogador com 20 minutos. Entrou o Gérson, que também era um grande jogador, um craque. Depois jogamos na Suécia. Na outra convocação, eu não fui e levaram os 44 jogadores. No Palmeiras foram o Djalma, Servílio e o Valdir. Foi uma opção do técnico. Aqui no Brasil temos esta dificuldade porque temos 3 ou 4 jogadores para uma opção e o técnico tem que escolher um. Depois a Seleção não foi bem, perdemos pra Portugal, fomos desclassificados e Pelé se machucou. Mas é sempre bom você estar no Campeonato Mundial, pois o jogador luta e trabalha pra isso. Se você não consegue ir, tem que continuar a vida.

Ademir da Guia no jogo em que o Brasil venceu a Alemanha no Maracanã por 2x0. A partida foi realizada em 6 de Junho de 1965 e teve alem de Ademir as presenças de Djalma Santos, Dudu e Rinaldo , todos do Palmeiras.



MAURÍCIO SABARÁ: No ano de 1965, você ganhou o Torneio Rio-São Paulo, a sua primeira conquista de nível nacional que ganhou vestindo a camisa do Palmeiras. Não era um torneio qualquer, pois tinha o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha. Qual é a sua lembrança desta conquista e o que significaram estes confrontos contra o forte Santos de Pelé?
ADEMIR DA GUIA: Os jogos contra o Santos eram muito difíceis, pois tinha um ataque com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Eram clássicos que tínhamos que nos preparar mais, ter mais atenção e marcação e, normalmente, umas derrotas, porque eles eram terríveis. O Palmeiras algumas vezes conseguiu alguns resultados, pois se não tivéssemos vencido um Campeonato Paulista, o Santos teria sido campeão uns 12 anos seguidos, eles tinham um elenco espetacular.

Palmeiras x Santos - Sempre grandes jogos nos anos 60 e 70. Aqui Pelé x Ademir da Guia - Dois genios.


MAURÍCIO SABARÁ: Foi neste ano de 65 que começou a Academia.


ADEMIR DA GUIA: Nós tivemos a Academia com o Filpo Nuñes e tínhamos uma equipe que era muito boa, grandes jogadores e, como você falou, eram equipes tradicionais, como as do Rio, que tinha Botafogo, Flamengo e Vasco. Lá no Maracanã era difícil. Aqui tínhamos o Santos, São Paulo e Corinthians. O Campeonato Rio-São Paulo era como se fosse um torneio nacional e não tinha os times do Sul e de Minas, mas eram na verdade as equipes que chegavam. Depois o Robertão incluiu as equipes do Sul e de Minas, que eram naquela época Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Atlético, então era na verdade um campeonato nacional, porque as equipes iam se desclassificando e ficavam sempre estas.
Um plantel espetacular - Djalma Santos, Valdir Joaquim de Moraes, Valdemar Carabina, Filpo Nuñez, Djalma Dias, Dudu, Geraldo Scotto, Santo, Tarciso e Picasso. Agachados: Germano, o massagista Reis, Gildo, Servílio, Tupãzinho, Ademir da Guia, Rinaldo, Dario Alegria, Nélson Coruja, Júlio Amaral e Ferrari. Esse Palmeiras conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1965


MAURÍCIO SABARÁ: Você lembrou bem do Cruzeiro, que tinha um grande jogador na época com uma história semelhante à sua, apesar de ter um estilo de jogo diferente , que era o Dirceu Lopes, pois não teve sorte de jogar muito na Seleção Brasileira. O que você tem a dizer sobre ele?
ADEMIR DA GUIA: Um craque. O Dirceu Lopes fazia parte de um ataque sensacional do Cruzeiro e era um jogador completo, técnico, fazia gols, vinha defender e foi sensacional. Lamentamos, pois foi uma época de grandes craques e Dirceu Lopes estava incluído entre eles. Mas era uma questão de escolha, pois se fosse um técnico de Minas, teria convocado mais jogadores de lá. O futebol brasileiro é assim mesmo. Agora nós vimos o Mano Menezes que tem vários jogadores para escolher, com a missão de optar por 22 ou 16 jogadores, então é aquele negócio de testar. Vemos que o celeiro do futebol brasileiro é muito grande. Naquela época cada equipe normalmente tinha 5 ou 6 craques, o que para o técnico era bom, mas a escolha era muito difícil.

MAURÍCIO SABARÁ: Também em 1965, o Palmeiras representou a Seleção Brasileira em uma partia que venceram por 3 a 0 o Uruguai no Mineirão.


ADEMIR DA GUIA: Foi na inauguração do Mineirão em 65, o Palmeiras foi convidado ejogamos contra o Uruguai. É aquele negócio, às vezes ela é mais difícil, pois jogar com jogadores que você nunca jogou, médicos, treinadores e diretores que você não conhece,  de vez em quando, e quando você tem sua equipe que vai jogar contra uma Seleção é mais fácil. Nós tivemos aí, inclusive, durante estas temporadas, técnicos que queriam colocar jogadores  do Botafogo e do Santos no misto, pois sabiam que seria mais fácil escalar jogadores que não se conheciam.

O Palmeiras é Brasil na inauguração do Mineirão em 1965.

MAURÍCIO SABARÁ: Depois teve 1966, o Palmeiras voltou a ser Campeão Paulista. Em 67 e 69 foram dois torneios Roberto Gomes Pedrosa. Qual é a sua lembrança destas também duas importantes conquistas, sendo que além delas, teve uma Taça Brasil em 1967, o que deu direito ao Palmeiras de disputar a Libertadores da América.
ADEMIR DA GUIA: Como falei pra você, seriam os Estados entrando, porque na verdade o que acontecia é que você mudava apenas o nome, pois tinha o Rio-São Paulo, depois foi o Robertão incluindo Minas e o Sul, veio o Nacional com mais duas equipes do Paraná, sendo que na verdade era um torneio que você ia mudando os nomes, nas no final de contas era apenas isso, uma mudança de clube, mais dificuldades nas equipes, a rivalidade era sempre igual, jogar contra o Santos, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro e Internacional, que teve uma equipe sensacional com o Minelli, quando foram campeões. Tive a oportunidade de jogar no estádio dos Eucaliptos do Internacional, depois eles conseguiram fazer o Beira-Rio. Coisas que foram melhorando, equipes melhores, as mesmas dificuldades e conseguíamos ser campeões, porque tínhamos uma grande equipe.



MAURÍCIO SABARÁ: A década de 60 chega seu fim e estamos em 1970, ano do nosso Tricampeonato, com aquela grande Seleção Brasileira que foi montada naquele ano. Você tinha esperança de ser convocado pra esta Copa?
ADEMIR DA GUIA: Sempre procuramos fazer o melhor pra ser convocado, procuramos trabalhar para isso, as dificuldades são grandes, muito depene do técnico, o treinador daquele determinado local, as dificuldades podem ser maiores ou menores, mas procuramos batalhar o ano inteiro pra sermos convocados.

MAURÍCIO SABARÁ: Copa de 70 se foi, grande festa no Brasil, excelente equipe, aí chega ao Palmeiras um técnico famoso que era o Oswaldo Brandão. Grandes conquistas vieram, como os Campeonatos Paulistas de 72 e 74 e um Bicampeonato Brasileiro em 72/73 e a segunda Academia que surgiu.
ADEMIR DA GUIA: E teve o Hélio Maffia, que fez um grande trabalho na mudança da preparação física. É bom destacarmos também que em 72 nós jogamos cinco torneios e ganhamos todos, uma coisa inédita. Começou com o Torneio Laudo Natel, depois veio o Mar Del Plata na Argentina contra clubes de lá, o que era uma guerra. Aí depois veio o Campeonato Paulista, o Brasileirão e o Ramón de Carranza, que tinha normalmente Atlético de Madrid, Real Madrid, Barcelona e Español. Sempre tinha uma equipe de fora, às vezes até duas. Inclusive em 74 estava o Santos lá, Barcelona, Palmeiras e era um torneio muito difícil. Em 72 foi o ano que fomos campeões cinco vezes e ganhamos as 5 coroas. Com a chegada do Brandão, que foi uma pessoa sensacional, ele e o Maffia inovavam, portanto foi um ano que não podemos esquecer.
O Palmeiras de 1972 - Em pé a partir da esq.: Eurico, Leão, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Dudu e Zeca. Agachados: Edu, Leivinha, César Maluco, Ademir da Guia e Nei.


Luis Pereira, Leivinha, Ademir da Guia e Leão


MAURÍCIO SABARÁ: É possível fazer uma comparação da primeira e segunda Academia?
ADEMIR DA GUIA: A segunda Academia jogou mais tempo junta, de 72 a 75, quando se desmanchou, saindo Luís Pereira, Leivinha, Alfredo e Dudu. E a primeira Academia jogou menos tempo, o Filpo era o técnico, ficou pouco tempo, sendo que este time jogou muito bem durante mais ou menos um ano, mas foi uma equipe com menos tempo jogando. Eles diziam que o Maracanã era o Recreio dos Bandeirantes, porque íamos lá, ganhávamos de equipes grandes por 4 a 2 ou 4 a 1, fazendo gols e todos diziam que era um futebol acadêmico.

MAURÍCIO SABARÁ: Entre 71 e 73, acho que o grande rival paulista do Palmeiras era o São Paulo, time do qual jogava um outro grande meia-esquerda, que era o Pedro Rocha. Qual é a sua lembrança dos confrontos com a também forte equipe do São Paulo?
ADEMIR DA GUIA: Eram confrontos muito difíceis. O futebol é assim, você vai tendo durante anos equipes que vão se modificando e jogando um futebol melhor. Nós tivemos no passado o Botafogo e Santos, depois o Cruzeiro, Internacional, sem falar do Corinthians, que é sempre, mas dependendo do ano, o clube se renova e melhora, sendo que o São Paulo teve uma caída quando eles faziam o estádio. Depois quando estava pronto, eles trouxeram o Gérson, Pedro Rocha e Forlan. Portanto era uma equipe sensacional e difícil de se bater. Foram jogos muito complicados, ganhávamos, perdíamos e empatávamos. Sabíamos que tínhamos que nos preparar mais, pois era um clássico.

Ademir da Guia e Pedro Rocha; Rivalidade e muito respeito em campo.

Palmeiras x São Paulo fizeram grandes clássicos no inicio dos anos 70.


MAURÍCIO SABARÁ: Falamos de muitas coisas dos anos 70. Agora vou falar do, talvez, seu ápice no futebol, que foi a Copa do Mundo de 1974, a primeira vez que você foi convocado para um Mundial. Só que nesta Copa você apenas disputou o primeiro tempo e um pouco do segundo da decisão do terceiro lugar contra a Polônia. O que aconteceu em 74, Ademir?
ADEMIR DA GUIA: Então, em 74 fui convocado. Era algo que eu esperava na minha carreira, merecer uma convocação. Eu tinha um desejo, porque o meu pai tinha convocado em 38, na França, pois sabia que pai e filho jogarem uma Copa do Mundo realmente foram poucos. Quando fui convocado, o Zagallo disse pra mim que o Rivellino era o titular, ele tinha jogado em 70, com uma Seleção que encheu os nossos olhos, conseguiu em uma final contra a Itália ganhar de 4 a 1, jogando muito bem. Eu falei pra ele que o Rivellino é o titular e estou aqui com o grupo, se precisar de mim, vou jogar, caso não precise estarei junto para que possamos chegar e sermos campeões. Infelizmente tivemos a Holanda, com uma equipe diferente, jogando um futebol moderno e que ainda tivemos dois lances que podíamos ter feito os gols, fomos surpreendidos e eles venceram. Você estar lá, sentir a alegria da vitória, como encarar uma derrota, tudo isso eu tive a oportunidade de estar sentindo. Fiquei muito contente quando o Zagallo falou que eu iria jogar o último jogo. É uma coisa meio que complicada, pois eu fiquei três meses sem jogar, totalmente fora de ritmo, mas quando ele disse que ia jogar, foi ótimo, porque era uma coisa que estava esperando conseguir, estar jogando uma Copa do Mundo, mesmo que fosse um terceiro ou quarto lugar. Eu fui, desempenhei e joguei o primeiro tempo. O segundo tempo estava 0 a 0 e ele quis mudar a maneira de jogar, me tirou e colocou um centroavante para ganhar o jogo. É como eu falo, o técnico tem que entender a maneira que está fazendo, mas pra mim foi muito bom, pois consegui alcançar este desejo e se eu pudesse ter jogado seria uma coisa sensacional. Se pudéssemos ser campeões do mundo, teria sido muito bom. Mas pra mim, só de ter ido à Copa e ter jogado também foi importantíssimo pra minha história.

MAURÍCIO SABARÁ: Ademir, você acabou de falar do Corinthians. Acredito que a grande partida do Palmeiras tenha sido aquela histórica decisão de 74, quando o Corinthians completava 20 anos que não era campeão. O que você lembra deste jogo e das outras partidas?
ADEMIR DA GUIA: Grande rival. Nós tivemos uma final contra o Corinthians, eles tinham sido campeões em 54, sendo que em 74 seria um ano de festa sensacional. Eles estavam esperando. Na verdade o nosso torcedor até preferiu não ir ao campo, porque acreditava que seria festa do Corinthians, tanto que quando entramos e olhamos o estádio, vimos que tinha 80% da torcida corintiana e da nossa tinha pouca gente. Era tudo mais ou menos programado para o Corinthians ser campeão. Nós não, mas tínhamos a certeza que nossa equipe era muito boa, teríamos um jogo difícil, mas podíamos ganhar. Então foi isso que aconteceu, nos  preparamos e concentramos para um campeonato que podia acontecer e sabíamos que era muito difícil. Nossa equipe era muito boa, conseguimos fazer 1 a 0, batalhamos e conseguimos a vitória. Foi sensacional.

 MAURÍCIO SABARÁ: Na época também tinha a Portuguesa de Desportos. Era um time difícil de enfrentar, com Enéas e Badeco?
ADEMIR DA GUIA: Bem difícil. A Portuguesa quando jogava contra os grandes, os jogadores sabiam que, se jogassem bem,  poderiam ser até contratados. Eles batalhavam muito e nós trouxemos grandes jogadores de lá. Contra o Palmeiras não era somente uma questão de vencer, mas também serem contratados.

Ademir da Guia na frente do escudo do clube que defendeu com tanto amor, classe e dedicação.

MAURÍCIO SABARÁ: Falamos de muitas coisas dos anos 70. Agora vou falar do, talvez, seu ápice no futebol, que foi a Copa do Mundo de 1974, a primeira vez que você foi convocado para um Mundial. Só que nesta Copa você apenas disputou o primeiro tempo e um pouco do segundo da decisão do terceiro lugar contra a Polônia. O que aconteceu em 74, Ademir?

ADEMIR DA GUIA: Então, em 74 fui convocado. Era algo que eu esperava na minha carreira, merecer uma convocação. Eu tinha um desejo, porque o meu pai tinha convocado em 38, na França, pois sabia que pai e filho jogarem uma Copa do Mundo realmente foram poucos. Quando fui convocado, o Zagallo disse pra mim que o Rivellino era o titular, ele tinha jogado em 70, com uma Seleção que encheu os nossos olhos, conseguiu em uma final contra a Itália ganhar de 4 a 1, jogando muito bem. Eu falei pra ele que o Rivellino é o titular e estou aqui com o grupo, se precisar de mim, vou jogar, caso não precise estarei junto para que possamos chegar e sermos campeões. Infelizmente tivemos a Holanda, com uma equipe diferente, jogando um futebol moderno e que ainda tivemos dois lances que podíamos ter feito os gols, fomos surpreendidos e eles venceram. Você estar lá, sentir a alegria da vitória, como encarar uma derrota, tudo isso eu tive a oportunidade de estar sentindo. Fiquei muito contente quando o Zagallo falou que eu iria jogar o último jogo. É uma coisa meio que complicada, pois eu fiquei três meses sem jogar, totalmente fora de ritmo, mas quando ele disse que ia jogar, foi ótimo, porque era uma coisa que estava esperando conseguir, estar jogando uma Copa do Mundo, mesmo que fosse um terceiro ou quarto lugar. Eu fui, desempenhei e joguei o primeiro tempo. O segundo tempo estava 0 a 0 e ele quis mudar a maneira de jogar, me tirou e colocou um centroavante para ganhar o jogo. É como eu falo, o técnico tem que entender a maneira que está fazendo, mas pra mim foi muito bom, pois consegui alcançar este desejo e se eu pudesse ter jogado seria uma coisa sensacional. Se pudéssemos ser campeões do mundo, teria sido muito bom. Mas pra mim, só de ter ido à Copa e ter jogado também foi importantíssimo pra minha história.

MAURÍCIO SABARÁ: Você disse que estava três meses sem jogar e fora de ritmo. Mas recentemente eu assisti esta partida no Grandes Momentos do Esporte junto com meu pai, que te mandou um abraço e falo o seguinte: “Observei bem você jogando, não errou um passe sequer nesta partida e estando fora de ritmo. Imagine se você estivesse treinando, entrosado com o elenco, o que teria feito nesta partida, como em todo o Mundial! E no final do jogo li inclusive que o técnico da Polônia, se não me engano o Gorski, comentou ‘como o melhor jogador do Brasil poderia ser substituído’? Esta é a minha pequena e singela homenagem ao fato de achar que não deveria ter ido somente em 74, mas também em 66 e 70, pois futebol pra isso você tinha de sobra”.
ADEMIR DA GUIA: É verdade, fazemos aquilo que realmente é possível, mas quando você está jogando com ritmo, se sente à vontade na partida. Quando fica parado como fiquei, você vai, procura desempenhar, mas não tem aquela mesma confiança, volta cansado, o que tira um pouco o ritmo. Mas tenho orgulho de ter jogado um Campeonato Mundial e ter recebido estes elogios. Pra mim foi importante, nunca havia jogado uma Copa e quem sabe o meu filho possa jogar, o que é um sonho pra mim.



MAURÍCIO SABARÁ: Bom, 74 acabou. No ano seguinte a Academia praticamente foi desfeita com as vendas de Leivinha e Luís Pereira para o Atlético de Madrid. Um novo técnico que era o Dino Sani. O que o Dino passou pra este time, que foi Campeão Paulista em 76, já na ocasião com o Dudu como técnico?

ADEMIR DA GUIA: Exato, o Dino teve uma passagem, o Palmeiras trouxe Jorge Mendonça, Vasconcelos e o Toninho. Subiu o Valdir e o Arouca começou a jogar. Ficaram o Leão, Nei, Edu e eu. O Dudu pra técnico. Uma equipe realmente nova, que nós tivemos uma surpresa, porque o Palmeiras contratou o Vasconcelos pra ser o titular e o Jorge Mendonça pra ser o reserva. Chegou aqui e mudou, o Jorge foi o titular e o Vasconcelos ficou na reserva. Mas a equipe começou a jogar bem, tínhamos o Samuel, que tinha vindo do São Paulo e operado o joelho, estava se adaptando novamente a jogar, a equipe não acreditava que chegaria à final, mas foi melhorando cada vez mais e conseguimos este titulo também, que realmente foi inédito

MAURÍCIO SABARÁ: Já era o Dudu como técnico. O que ele representou na sua carreira?
ADEMIR DA GUIA: Nós jogamos 12 anos juntos. O Dudu era um jogador que, como jogávamos os dois no meio-de-campo, ele seria o jogador que mais defendia e eu o que mais atacava, sendo que eu tinha que ajudar na defesa, então nos entendíamos muito bem. Ele se preocupa em mais defender. Quando recebia a bola, não se preocupava em atacar, procurava a bola pra mim e eu tinha que fazer este trabalho. Por isso que nos damos bem, porque ele fazia a função dele e eu a minha. Nos dávamos bem dentro e fora de campo. O Dudu procurava ajudar todos os jogadores que chegavam, uma bondade muito grande, pessoa religiosa, tentava passar, assimilar e ajudar todos nós. Era o nosso contador, fazia o imposto de renda. Chegava pro César e perguntava quantos carros ele tinha e quando respondia que tinha um só, ele dizia “que não adiantava mentir, se você falar que tem três eu vou falar que tem um, porque o imposto de renda vai te pegar”. O Dudu era esta pessoa, nos ajudava, conversava, notava que alguns jogadores estavam indo à casas noturnas e ele aconselhava. Era uma pessoa sensacional.



MAURÍCIO SABARÁ: 1976 terminou, Palmeiras Campeão Paulista. Chega 77 e é o momento que você tem uma importante decisão na sua carreira, que é parar de jogar e ainda jogando bem, algo semelhante à Pelé, que parou jogando bem. Qual foi o motivo desta sua decisão?
ADEMIR DA GUIA: Em 77 aconteceu que eu estava jogando um futebol  normal, mas tive um problema em Agosto, quando fomos jogar contra o Atlético de Madrid, que tinha o Luís Pereira e Leivinha, e este jogo foi no Morumbi, um frio muito grande e senti um problema de respiração, me secava a garganta e aí falei com o médico. Ele falou pra eu ver um especialista. Fui ver e voltei a treinar, mas o médico disse que depois teria que operar. Devido a este tipo de problema, eu tive que parar de jogar. Foi uma decisão minha, pois nunca tive nenhum tipo de problema com tornozelo, joelho e distensão, mas aos 35 anos apareceu este problema e na verdade eu operei no inicio de 78, depois por mais dois anos novamente, mas não consegui ficar bom pra jogar futebol profissional. Então, na verdade, parai em 77, depois de Agosto tentei jogar alguns jogos, uns consegui e outros eu tinha que sair, mas não consegui jogar até o final do ano, então devido à este problema tive que parar aos 35 anos, mas se não tivesse este problema, teria jogado em 77, 78, 79, 80 e, talvez, até 81 teria jogado profissionalmente, porque eu estava bem, teria passado as 1000 partidas, que era uma meta que eu tinha também, portanto parei precocemente com este problema médico.




MAURÍCIO SABARÁ: Você parou de jogar de repente e houve uma despedida em 84 com uma partida contra a Seleção Paulista disputada no estádio da Portuguesa, o Canindé. Era a despedida que você queria?
ADEMIR DA GUIA: O problema é que nós tínhamos combinado de fazer a despedida aqui no Parque Antarctica. Tinha sido programado, convidando os jogadores nos meses de Dezembro de 83 e Janeiro de 84. Estava tudo certo. Aí aconteceu que o Palmeiras procurou arrumar o campo, porque tinha um buraco e devido a este tipo de problema, não conseguimos fazer aqui. Como já estava tudo programado, tínhamos naquela época um problema de combustível, tinha que arrumar o álcool para a pessoa vir e voltar, tivemos que fazer lá no Canindé. Mas não era o ideal, sendo que foi necessário fazer.
MAURÍCIO SABARÁ: Estamos quase encerrando a nossa entrevista. O que você tem a dizer do Palmeiras depois que você parou, com uma boa fase em 78 e 79 já com o Telê Santana, como técnico, o da década de 80 jogando com Jorginho e Edu Manga, e depois em 92 como surgimento da Era Parmalat?
ADEMIR DA GUIA: Como você falou, tivemos estas duas passagens boas, mas com a Parmalat a equipe foi sensacional, tivemos possibilidade de contratar grandes jogadores, fomos Bicampeões, foi uma época de ouro para o Palmeiras. Tivemos algumas épocas boas e dificuldades. Recentemente tivemos uma equipe que a torcida pedia jogadores, os diretores e o presidente fizeram um esforço muito grande, trouxeram jogadores como o Kléber e o Valdívia, veio o Felipão para que a equipe pudesse melhorar, então estávamos vivendo um futebol difícil, com poucas rendas, financeiramente os jogadores ganham muito, mas estamos indo e os torcedores estão torcendo, indo ao estádio e estamos esperando a nova Arena daqui há uns dois anos, a equipe às vezes vai muito bem e tem dificuldade com um campeonato muito difícil que é o Brasileiro. Infelizmente não conseguimos ganhar em 2009, parecia que estava com a mão na taça, mas a equipe não conseguiu nos últimos jogos um bom futebol, o Flamengo foi campeão, mas é mais ou menos assim, o torcedor está aí, ajudando e lutando, diretoria fazendo um esforço muito grande para que o Palmeiras possa ser o que sempre foi, uma grande equipe tradicional, com bom elenco e vencendo, o que é importante no futebol.

MAURÍCIO SABARÁ: O que você tem a dizer sobre o busto inaugurado em 19 de Dezembro de 1992?
ADEMIR DA GUIA: Consegui jogar futebol durante 20 anos, sendo que 16 foram no Palmeiras e merecer esta honra é muito bom.

EDUARDO VERDASCA: Pra finalizar junto com o Maurício Sabará, realizarei a última pergunta. Está faltando aqui, onde tem os bustos, os jogadores atuais, quem deveria ter, ou até mesmo dos que jogaram com você na época, do pessoal que ganhou a Libertadores e dos grandes ídolos dos anos 90?
ADEMIR DA GUIA: Nós aqui do Palmeiras temos um estatuto e temos pedidos muito grandes para que o Oberdan pudesse ser o nosso goleiro aqui. Mas como o estatuto diz que o jogador não pode jogar contra o Palmeiras, sendo que o Oberdan foi para o Juventus, jogou contra, portanto o estatuto não permite, ainda que muitos queriam que ele  estivesse aqui comigo, o Junqueira e o Waldemar Fiúme. Ele mereceria, mas infelizmente este estatuto não permite. Como estamos precisando de um goleiro aqui, sentimos falta, entendo que o Marcos em um futuro breve, possa estar conosco aqui. Mas sabemos tivemos grandes jogadores que mereciam ter esta homenagem. Entendemos que é importante ter um goleiro e quem sabe teremos futuramente.

REPORTAGENS: Maurício Sabará Markiewicz e Eduardo Verdasca.
 FOTOS: Estela Mendes Ribeiro.