FTT - Futebol de Todos os Tempos

ENTREVISTAS COM EX JOGADORES, TECNICOS, DIRETORES E PESSOAS LIGADAS AO FUTEBOL QUE CONTRIBUIRAM DE ALGUMA FORMA PARA QUE PUDESSEMOS CONHECERMOS UM POUCO MAIS DA HISTORIA DO FUTEBOL BRASILEIRO E MUNDIAL.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Craque disse e eu anotei - IVAIR

Através de um dos meus entrevistados, o Mário Américo Netto, obtive o telefone do Ivair. Tive uma conversa rápida com ele por telefone, aceitando de imediato. A matéria foi feita no clube União Operária, próximo da ponte da Vila Maria. O Príncipe mostrou muito conhecimento sobre a sua carreira e deu esta entrevista de forma muito franca. Confiram a matéria.


FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS: Como surgiu o apelido de Príncipe?
IVAIR: Este apelido começou em um jogo do Santos contra a Portuguesa. Naquele tempo não trocávamos as camisas após as partidas. Como eu fiz os três gols na vitória por 3 a 2, o Pelé na saída me deu a camisa e disse que “se eu respeitasse o futebol e as pessoas, seria o Príncipe”. No momento estavam presentes os cronistas Orlando Duarte e Eli Coimbra. E foi aí que o apelido pegou.

 Neste dia Pelé deu a Ivair o apelido de "Principe" devido a sua belissima  exibição.


FTT: Houve muitas cobranças em cima de você? Foram positivas ou achou que a pressão era muito grande em cima de um apelido tão forte como o do Rei Pelé?
IVAIR: O apelido foi bom, repercutiu muito bem na minha carreira. Até hoje muitos me chamam de Príncipe, Ivair ou sabiá.

FTT: Como começou a sua carreira? Parece que foi nos Infantis da Portuguesa em 1957.
IVAIR: Vim de Bauru com dois anos pra São Paulo. Fui indicado por um diretor da Portuguesa, sendo que naquela época nem havia a categoria de Infantil, pois minha idade não chegava (tinha 12 anos de idade), então comecei a treinar lá. Ele tinha um filho que se chamava Edmundo, que jogava na ponta-esquerda da Portuguesa, então me levaram pra Lusa para treinar. Passei a conviver com o Félix, Djalma Santos e Brandãozinho. Fui crescendo lá dentro.


FTT: Você teve alguma referência no seu início de carreira?
IVAIR: Eu gostava muito do Servílio. Depois comecei a disputar jogos profissionais e passei a gostar do Pelé e do Zizinho. Comecei a copiar algo deles. Mais tarde passei a conviver com o Pelé, então foi mais fácil tirar algo dele. Meu pai sempre falava que copiar as coisas boas não é “falta de atitude”, mas sim “ter atitude”, porque as coisas boas é que devem ser guardadas.

FTT: Sua estréia nos Profissionais da Portuguesa foi em 1962, em uma partida que vocês empataram em 1 a 1 com a Prudentina na Rua Javari. E tem uma história que quando você fez o gol, ficou tão emocionado, que até desmaiou em campo.
IVAIR: Eu acho que desmaiei por causa da bola que era muito grande, sendo que o gol foi de cabeça. Como cabeceei e fiquei caído, pensaram que eu estava emocionado. O único que descobriu que eu estava desmaiado foi o Servílio. Não foi por emoção, mas sim pela bola... risos!

 Portuguesa 1965 - A partir da esq. Augusto,Vilela, Félix, Ditão, Amaro, Edilson.
Agachados estão Almir, Ivair segurando a bola, Aloisio, Nair, Marcio.


FTT: O que você tem a dizer desta sua passagem pela Portuguesa? Afinal de contas você jogou na Lusa de 1962 a 1969, praticamente toda a década de 60.
IVAIR: Eu só acho que a Portuguesa tem que tomar mais cuidado com os seus ex-jogadores, porque nem todos gostam da Lusa. Ela tem um defeito muito grande da diretoria, da qual eles não respeitam aqueles que fizeram o estádio, porque a Portuguesa existe hoje por causa dos ex-atletas. A única coisa que eu queria é que prestassem mais atenção.

FTT: Na época que você jogava na Portuguesa nem tinha o estádio Oswaldo Teixeira Duarte, o Canindé. Onde eram os jogos da Lusa? Havia algum campo que vocês mandavam?
IVAIR: A Portuguesa mandava os seus jogos no Pacaembu, na Rua Javari ou no campo do Nacional. Quando comecei, a Lusa tinha algo muito bom que o Santos têm hoje, que era a renovação. Por isso que atualmente o Santos está em alta, porque no meu tempo quando subi para o time de cima, vieram mais sete, que foram o Paulinho, Aírton, o goleiro Aguinaldo (que depois jogar no Santos), Zé Maria, Marinho Peres, Ulisses e Rodrigues. Vieram muitos jogadores, sendo que o Santos atualmente os copia muito bem.

 Ivai foi capa de diversas revistas esportivas nos anos 60 . Aqui na Gazeta Esportiva.


FTT: A Portuguesa era conhecida como um clube que revelava muitos jogadores.
IVAIR: A base era boa, coisa que não acontece hoje. Você atualmente olha o time da Portuguesa e vê um e nada. O Santos tem muito mais torcedores por causa das categorias de baixo. Os garotos sabem que é muito mais fácil jogar em cima, porque é o top do futebol. A Portuguesa deveria levar a sério as categorias de base.

FTT: Nesta sua época havia um goleiro que você era o carrasco dele, que o Valdir Joaquim de Moraes do Palmeiras.
IVAIR: O Valdir de Moraes era muito amigo meu. Quando eu jogava contra o Palmeiras, sabia faria uns dois gols. Se tivermos muita sorte contra um clube, sabemos o que vai acontecer. Tinha muita sorte contra o Valdir. E foi um grande goleiro

FTT: Na década de 60 havia zagueiros muito bons, como o Djalma Dias, Mauro, Calvet, Valdemar Carabina e Roberto Dias. Houve algum zagueiro que te deu mais trabalho?
IVAIR: Eu tinha um problema sério com o Djalma Dias e com o Roberto Dias. O ruim para o atacante é quando o zagueiro joga na direção daquilo que você quer, que é a bola. Bom para o atacante é quando o zagueiro joga no seu corpo e te batendo. Este garoto, o Neymar, como ele gosta quando o cara vem pra bater. Então estes jogadores que citei jogavam com o objetivo que eu tinha, que era a visão da bola. Eles eram craques. Quando a defesa joga querendo mais te bater do que jogar, é melhor para o atacante.




FTT: Houve algum atacante que você se entendeu mais?
IVAIR: Me entendia bem com o Servílio e o Leivinha. Na Seleção Paulista fui bem com o Pelé. Quando joguei no Canadá me entendia bem com o Eusébio, que era o meu compadre.

FTT: Houve um jogo famoso em 1964 entre a Portuguesa e o Santos. Parece que foi a final do Campeonato Paulista, com o Santos ganhando da Lusa e sendo campeão naquele ano.
IVAIR: Nós fomos pra Vila Belmiro jogar contra o Santos. Eles jogavam pelo empate e era a final do campeonato. Não é que demos azar, pois o time jogou muito bem, mas tivemos um problema com o Armando Marques, que nos prejudicou bastante, fiquei chateado porque ganharia um carro fusca. Perdemos por 3 a 2, que foi uma das melhores coisas que fiz no futebol.

Ivair ouve conselhos de Pelé



FTT: Foi o momento mais importante da sua carreira?
IVAIR: Por incrível que pareça tive muitos bons momentos na Portuguesa, pois também foram vários contra o Palmeiras. Na minha carreira tive muitas felicidades como jogador. Sempre respeitei os meus contratos e naquele tempo a diretoria da Lusa respeitava os jogadores. Não é que hoje não respeita, mas na minha época eu era muito feliz na Portuguesa.

FTT: Você falou de grandes momentos na Portuguesa e grandes partidas. Porque você fez apenas um jogo pela Seleção Brasileira em 1966, pouco antes da Copa do Mundo, numa vitória de 1 a 0 contra o País de Gales?
IVAIR: Eu já tinha sido convocado para a Copa das Nações. Fui convocado em 1963, 64, 65 e 66 (sempre na reserva). Havia disputado o Campeonato Paulista de 1965 como centroavante e na Seleção eu fui como ponta-esquerda, pois haviam grandes jogadores como o Tostão e o Servílio na posição. Fui puxado pra ponta-esquerda, disputando a posição com o Edu, Rinaldo e Paraná, autênticos pontas-esquerdas, diferente de mim. Acabei não gostando e me entristeci bastante. Quando saí da Seleção falei que não queria mais ser convocado, pois não iria. Convocaram-me para uma posição que não estava tão acostumado a jogar. Havia sido vice-artilheiro do Campeonato Paulista como centroavante. Joguei em várias posições do ataque, como meia-direita e esquerda. Gostava mesmo era de jogar


 Portuguesa 1968 - A partir da esqu. Orlando, Ulisses, Marinho, Guaraci, Zé Maria e Augusto; 
agachados vemos Mário Américo, Leivinha, Paes, Ivair (sentado sobre a bola), Lorico e Rodrigues.


O PRINCIPE AGORA É DO CORINTHIANS

FTT: Em 1969 você sai da Portuguesa e vai para o Corinthians. Qual foi o motivo da sua saída?
IVAIR: O meu presidente era o Gregório Marques. Ele se reuniu comigo, com o Leivinha e o Zé Maria, falando que tinha que começar a negociar os jogadores pra construir o estádio. Eu não queria sair da Portuguesa porque estava bem, além de terem me dado tudo que eu não tinha. Fui vendido para o Corinthians por 970 mil, sendo o segundo jogador mais caro do Brasil, pois o primeiro foi o Paulo Borges, que custou 1 milhão, vendido para o mesmo clube. Só saí da Lusa porque eles precisavam, sendo que o Leivinha saiu logo em seguida para o Palmeiras, Zé Maria foi pro Corinthians e mais tarde o Ratinho foi para o São Paulo.

 Em pé a partir da esquerda : Pedrinho, Dirceu Alves, Ditão, Luis Carlos Galter, 
Diogo e Miranda.  Agachados: Ivair, Buião, ? , Tião e Suingue.


FTT: Você saiu de um clube que tinha pressão e foi pra outro que talvez tivesse mais pressão ainda, pois desde 1954 não era Campeão Paulista, ficando dois anos no Corinthians, estreando no Robertão, pouco depois do falecimento do Lidu e Eduardo. Como foi a chegada no Corinthians, sentiu a pressão e achava que daria pra quebrar o tabu?
IVAIR: Saí da Portuguesa para o Corinthians porque o Dino Sani era o treinador. Eu tinha estado junto com o Dino na Seleção Brasileira. Quando cheguei lá encontrei com o Rivellino, que também era meu amigo, de família mesmo. Fui familiarizado para o Corinthians. O meu primeiro jogo foi contra a Lusa e empatamos em 2 a 2, com dois gols meus. O Aymoré Moreira, desde os tempos da Portuguesa, gostava de me colocar como ponta-esquerda, foi contratado pelo Corinthians. Naquela altura não aceitava mais jogar nesta posição, conversei com ele e fui transferido para o Fluminense. No início eu aceitava jogar como ponta-esquerda porque não tinha nome.

 Corinthians 1970 - A parti da esq. Fogueira, Ado, Ditão, Dirceu Alves, Luis Carlos Galter e Miranda. Agachados: Paulo Borges, Ivair, Benê, Rivelino e Aladim.


1971 IVAIR VAI PARA O FLUMINENSE

FTT: Chega 1971, você sai do Corinthians e é contratado pelo Fluminense, onde faz uma bela carreira, sendo Campeão Carioca em 71 e 73. O que você tem a dizer desta passagem?
IVAIR: Foi bom. Muitos pensam que eu digo isso porque fui campeão, mas foi mais pelo o que o Fluminense me proporcionou. O Zagallo era meu amigo, estávamos juntos na Seleção Brasileira. Encontrei o Parreira como preparador físico, que também era amigo meu. Lá foi bom por causa das amizades e pelo o que aconteceu na minha carreira.

FTT: Por sinal em 1971 você era um dos titulares do Fluminense. Teve o gol do Lula na final contra o Botafogo, que houve muita discussão da parte dos botafoguenses. Você lembra o clima desta partida?
IVAIR: O Botafogo jogava pelo empate e tinha um time muito bom, com Jairzinho, Roberto, Paulo Cesar Caju e Afonsinho. Se o Fluminense empatasse, perderia o título. Fomos para o jogo. Realmente vencemos por 1 a 0, mas até nós jogadores achamos que o gol não foi lá essas coisas, porque o Marco Antônio fez falta no Ubirajara sofreu mesmo uma falta.

Ivair no tricolor   



 Fluminense Campeão carioca 1971 - A partir da esq. Oliveira, Félix, Denilson, Galhardo, 
 Assis e Marco Antonio. Agachados: Cafuringa, Didi, Flavio, Ivair e Lula.


FTT: Teve também 1973, mas você já era reserva neste time.
IVAIR: Fui mais reserva porque vinha de muitas contusões e foi nesta época que operei o joelho. Chega uma hora que a contusão te atrapalha. Depois me firmei, fui para o Paysandu e a carruagem voltou a funcionar bem, tanto que fui para fora do Brasil.

FTT: Antes disso, uma curiosidade da minha parte, pois em 1973 você foi campeão pelo Fluminense e coincidentemente em São Paulo a Portuguesa era campeã, um título do qual você buscou durante muito tempo. Como você recebeu este título da Lusa, ficou feliz ou até triste por não tê-lo conseguido?
IVAIR: Naquele tempo que eu fui campeão pelo Fluminense em 1973, com a Portuguesa sendo campeã junto com o Santos, gostei muito, porque a Lusa tinha uma equipe e diretoria muito boas. Hoje ela é um time pequeno e tem tudo pra ser grande. Tudo que acontece de bom pra ela, eu gosto, pois fiquei lá durante muito tempo, me trataram bem, como também no Corinthians, Fluminense e Paysandu, portanto sempre torço pelo melhor pra eles.

Ivair atualmente segurando a foto dos seus tempos de Fluminense


FTT: Além destes clubes citados, também teve o América-RJ, que você teve uma rápida passagem.
IVAIR: Fiz um contrato de três meses no América, porque já tinha um time do Canadá que havia me procurado. O time deles era muito bom, com o Edu (irmão do Zico) na meia-esquerda e o Tarciso como ponta-direita. Tive passagens boas no futebol e não tenho o que reclamar.

FTT: Você falou da sua passagem pelo exterior. Começou no Toronto, do Canadá, jogando com Eusébio e Cruyff.
IVAIR: Joguei com o Eusébio, Cruyff, Neeskens e muitos outros. Joguei com vários jogadores importantes. O meu treinador era iugoslavo. Este time era bom, jogávamos contra o Cosmos de Pelé, Mifflin e Carlos Alberto Torres. Minha passagem pelo Canadá foi ótima e adorei por eles terem me dado um pouco de vantagens na América.

 Mauricio Sabará e Ivair com um quadro dos seus tempos de Corinthians

FTT: A sua estréia parece que foi, inclusive, contra o Cosmos de Pelé.
IVAIR: A coincidência minha com o Pelé é muito grande, começando pela cor. Quando ele foi para os Estados Unidos, o primeiro jogo dele foi contra o meu time do Canadá, o Toronto Metros, do qual nós ganhamos por 3 a 1. A minha equipe foi tirar fotografia com ele. O Pelé ainda estava bem, dava até pra voltar a jogar no Brasil e na Seleção Brasileira.

FTT: Por sinal ele parou de jogar na época certa, no auge.
IVAIR: Eu acho o Pelé muito inteligente. Alguém o aconselhou pra fazer isso na hora certa. Quando falou que ia parar, fez o certo na vida dele, cresceu lá fora porque a América ajuda você a crescer.

FTT: Depois do Canadá você teve algumas passagens por outros times dos Estados Unidos e resolveu encerrar a carreira. Como foi este término?
IVAIR: Sempre fui inteligente, porque copiei o meu pai que não sabia ler e escrever, mas era o meu filósofo. Quando ele começava a falar, você pensava que tinha feito uma universidade dos Estados Unidos. Preocupei-me muito com o meu encerramento de carreira. Não sou como outros jogadores que encerram e ainda acham que estão jogando. Teve uma festa no Canadá e achei que tinha encerrado. Como eu tinha aberto uma escola de futebol no Brasil, da qual eu sou o pioneiro destas atividades, nesta época o governador Laudo Natel , sendo o Caio Pompeu de Toledo o seu secretário. Isso foi em 1984. Comecei a trabalhar como professor. Não senti nada no meu encerramento porque fiz do futebol a minha profissão e não a minha vaidade, pois se fizesse isso, sentiria bastante.


FTT: Finalizando, citarei dois grandes jogadores da Portuguesa de Desportos. Um, quando atuava, você já não estava mais na Lusa. E o outro, que jogava na década de 90 e nos deixou em 1994. Bom, você já sabe que estou falando do Enéas e do Denner.
IVAIR: Foram, pra mim, dois grandes jogadores. O Enéas, quando subiu, eu já tinha saído da Portuguesa. Já o Denner foi meu jogador, pois fui campeão com ele, porque era treinador da Lusa, puxei o Sinval e o Tico para os Juniores, já vendo a qualidade deles. Quando foram campeões da Taça São Paulo senti muito a saída deles, pois o Denner foi meu jogador. Já o Enéas era muito amigo meu. Eles tinham um futuro muito grande. Foi uma grande satisfação treinar o Denner, pois lembrava o Pelé e poderia chegar ao nível dele. Infelizmente teve aquela fatalidade, mas, pra mim, foi um dos maiores jogadores que vi jogar.

Ivair com a foto da seleção paulista da qual fez parte.







REPORTAGEM: Maurício Sabará Markiewicz.
FOTOS: Estela Mendes Ribeiro.

domingo, 10 de abril de 2011

Encontros eternizados - CESAR MALUCO & CHICO LANDI


Troca de presentes entre o jogador Cesar Maluco e o primeiro piloto brasileiro a participar de um grande premio de formula 1, Chico Landi.Ele é uma legenda no automobilismo paulista e brasileiro entre os  anos de 47 a 57.

Revista do dia - EL GRÁFICO


Revista argentina de 1976 destacando e dando os parabens ao Cruzeiro após vitoria sobre o River Plate na final da Libertadores daquele ano.

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Craque disse e eu anotei - GETULIO

Getulio foi indicação de um amigo de trabalho. Vizinhos que são ele ficou sabendo do blog e perguntou se eu teria interesse em entrevistar o ex lateral da seleção. Eu disse que claro que sim. Getulio tem muita historia no futebol e teria imenso prazer em entrevista-lo. Porem ao conhecer o nosso entrevistado da semana eu passei a conhecer não apenas a historia de um dos grandes laterais do futebol brasileiro. Conheci um ser humano fantástico, um coração pronto a ajudar qualquer um que necessite de uma ajuda, um homem preocupado com seu próximo.

FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS - Logo que você começou nos profissionais em 74 já ganhou a camisa de titular da lateral direita ou demorou um pouco?

Getulio - Na verdade eu fiz a final do campeonato mineiro de juvenis em Itabira contra o Valério. Um jogo muito dificil em que nós vencemos por 1x0. O jogo  foi no  domingo e na segunda feira eu dava baixa no Exercito. Então o Telê Santana me mandou apresentar nos profissionais na terça feira. Bom, pensei que devia ser para mim completar o time dos profissionais, conhecer o pessoal, bater uma bolinha e ir embora. Cheguei lá e me mandaram ficar concentrado com o time no Brasil Palace porque no dia seguinte (quarta feira) o Atlético ia jogar contra o Flamengo. O time deles tinha o Dario, Doval, Paulo Cesar Caju o Rogerio na ponta direita. Estava o nosso time no vestiario, inclusive o Ze Maria que era o titular , chegou o Telê e falou comigo: se apronte que você é que vai jogar. Poxa eu não tinha levado chuteira nem nada. Eu comecei então a experimentar chuteiras. Uma com apisada desgastada pra dentro, outra pra fora , outra apertada demais até que o Valtinho roupeiro me arranjou uma lá que ficou mais ou menos. Eu falei:vai esta mesmo. Bem entrei no  jogo e logo de cara o Rogerio fez um cruzamento, o Mussula largou e o Doval fez 1x0. Aí aos 28 minutos teve uma falta a nosso favor. Eu fui caminhando e como ninguem se ofereceu para bater eu pedi. Renato nem pediu barreira porque estava muito longe. Eu soltei uma bomba e ela pegou no pé da trave e subiu. A galera vibrou. Depois eu e o Arlem fizemos uma tabelinha na lateral ele foi no fundo e cruzou para o Totonho empatar. Repetimos a mesm jogada e novamente o Totonho virou o jogo pra gente. O Mineirão quase veio abaixo. Faltando cinco minutos para acabar o jogo eu não tinha onde ter caimbras mais. Meu corpo todo (risadas). O tempo parecia uma eternidade mas ganhamos e eu fiquei quase dois dias sem conseguir andar por causa das caimbras. Daí me firmei como titular.


FTT - E você pegou a transição do time campeão brasileiro de 71 e a nova geração com Reinaldo, Paulo Isidoro, Marcelo e Cerezo. Dos antigos quem jogou ao seu lado?
Getulio - O Vantuir, Grapete, Mussula , Vanderley Paiva e o Romeu.

 Getulio com 20 anos e titular da lateral direita do do Atlético



FTT - Você pegou o Mussula no gol do Atlético, um grande goleiro. Mas jogou tambem por dois anos com Mazurkiewicz. O que dizer do goleiro uruguaio?

Getulio -  O Mazurkiewicz era impressionate. A gente jogava contra o Palmeiras com Leivinha, Cesar Maluco, o Cruzeiro com Tostão, Dirceu Lopes e quando a gente via a bola entrando, ele dava dois passos , se posicionava e buscava as bolas.Não era goleiro de ficar dando voos atoa. Estava sempre bem posicionado. O mais impressionante é que depois de fazer uma defesa dificil assim, ele já puxava o contra ataque lançando pro cara lá na ponta esquerda, lá no ataque.








FTT - Você ter um goleiro de lingua estrangeira dificulta na comunicação, por exemplo: te alertando para uma cobertura ou é indiferente?
Getulio - No começo você fica meio perdido. Eles falam meio embolado, muito rapido. E ficava gritando : bamo...bamo.... adelante. E com o tempo a gente passa a se entender melhor. Ele tambem passou a nos entender melhor.


FTT - Em 75 uma seleção mineira representou o Brasil na Copa América. Você foi convocado e foi titular em todas as partidas mas como lateral esquerdo. Adaptou-se facilmente ?
Getulio - Adaptei sim. Eu tinha facilidade em cruzar com as duas pernas. 


FTT - Minas Gerais vivia um grande momento no futebol. . Muitos craques para uma mesma posição. Na lateral direita dois laterais do seu nivel e de Nelinho. Para volantes tinham Vanderley Paiva , Cerezo, Piazza , Zé Carlos e o Pedro Omar. No ataque o Campos, Reinaldo, Palhinha, Marcelo, Dirceu Lopes, Romeu, Joãozinho , Paulo Isidoro e Roberto Batata. O Atlético era o campeão brasileiro de 71, o Cruzeiro foi vice em 74 e 75 e campeão da Libertadores em 76. Foi o grande momento do futebol mineiro em todos os tempos?
Getulio - Primeiro quero lembrar de outro grande volante desta epoca, o Toninho Almeida do Cruzeiro. Agora quanto ao melhor momento do futebol em Minas Gerais sem sombra de duvidas. Você formava pelo menos duas seleções a nivel de seleções brasileiras. E isto já veio do fim dos anos 60 quando o Atlético venceu a seleção brasileira com Pelé , Tostão e cia (Atlético 2x1 Brasil 1969).

Nelinho , Piazza, Amaral, Getulio, Raul e Vanderley Paiva.
Agachados: Roberto Batata, Marcelo, Campos, Danival e Romeu.


FTT - Voces venceram a Argentina dentro de Rosario e em Belo Horizonte. O time deles era fortissimo com Gatti, Pavoni, Gallego, Ardiles, Luque , Valdano e Kempes. Foram os jogos mais dificeis desta Copa America?
Getulio - Sem duvida. Inclusive na Argentina vencemos de 1x0 com gol do Danival . Eles tinham o Gatti no gol, aquel goleiro que usava aquela fitinha pra amarrar o cabelo. Ele era todo metido. Chutaram uma bola em direção ao gol e ele matou no  peito e antes dela cair ele emendou, chutou pra frente. Aí o danival estava ligado, dominou e de longe chutou fazendo um golaço. Jogar em Rosario não foi brincadeira. A torcida deles com bodoque (istilingue)mandando pedras na gente. Pra entrar em campo cheio de polciais com aqueles cachorros pastores alemães. No hotel a noite muito foguetorio pra não deixar a gente dormir. O Raul pegou demais nesta partida. O Kempes chutou umas duas bolas lá que ele defendeu que salvou a gente. Luque tambem deu muito trabalho.


FTT - Mas o Peru tambem tinha um grande time com Chumpitaz, Soria, Oblitas e principalmente o Cubillas.
Getulio - Nossa, uma senhora seleção, um time que jogava bonito.

FTT - Pois o Brasil ganhou deles lá e perdeu no Mineirão por 3x1. O que aconteceu nesta partida?
Getulio - Eu acho que subestimaram o Peru. Teve um espião que foi lá ver um jogo deles e disse que o Oblitas estava em má fase, que eles não estavam tão bem . Imagina se estivessem (risadas).

FTT - E o Cubillas era um fora de serie mesmo?
Getulio - Minha nossa. O homem pegava a bola cortava pra lá, pra cá era tipo Pelé mesmo. Tabelava, cabeceava, tinha uma habilidade fora de serie.Completo.



FTT - Acabou a Copa América mas você continuou a ser chamado para a seleção. E foi campeão da Copa Roca e do Torneio Bicentenario dos EUA. Se lembra da seleção que foi campeã deste torneio ?
Getulio - Me lembro mais ou menos. No gol era o Leão , o lateral era o Orlando Lelé que estava realmente muito bem, na zaga o Miguel do Fluminense, um jogador até comum,o Amaral e o Marco Antonio. O meio de campo com Falcão, Rivelino e Zico. Na frente o Gil, Dinamite e o Lula.

FTT - O Orlando era o titular mas você jogou tambem?
Getulio - Entrei em duas partidas. Inclusive na final contra a Itália, o Oswaldo Brandão me chamou e o Givanildo tambem.Nós estávamos perdendo por 1x0 e ele pediu para mim apoiar mais e o Givanildo ficar mais protegendo a defesa e me liberando. A primeira bola que eu peguei, eu driblei um, outro e cruzei certinho no Dinamite. Ele dominou e empatou a partida 1x1.Depois eu fiz outro cruzamento e o Zico fez o segundo gol. No final vencemos por 4x1.



FTT - Você falou que o Oswaldo Brandão te colocou no time e ele tambem foi o tecnico daquela seleção mineira de 75. O que dizer dele?
Getulio - O Oswaldo era um sujeito com aquela cara de serio mas ele era brincalhão tambem. Tinha aquela jeitão sisudo mas era tipo paizão.Ele procurava o jogador e ouvia o que ele tinha dizer. Aceitava ouvir os jogadores.Era um cara que muita gente se enganava com ele. Era muito atencioso e conhecia muito de futebol, de tática.



 FTT -  E no inicio de 77 você foi comprado pelo São Paulo. Indicação de outro grande treinador.
Getulio - Foi. O Minelli me levou e tambem era este tipo paizão. Ele chegava pra gente e perguntava como estava a familia, se estava tudo bem .Ele se envolvia com o jogador. Cobrava da diretoria melhores condições. Qual treinador que faz isto hoje em dia?

FTT - Você chegou ao São Paulo e logo de cara a final do Brasileiro e justamente contra o seu ex clube, o Atletico. Como foi entrar no Mineirão e encarar aquela torcida?
Getulio - Foi a pior coisa que me aconteceu no futebol, serio mesmo.Estava muito recente  e para você ter ideia, nas entrevistas eu trocava os nomes, falava Atletico em vez de São Paulo . Ficamos concentrados na Toca da Raposa e eu numa ansiedade enorme. Perdi uns 3 kgs neste fim de semana. Quando eu entrei no campo e vi aquela torcida enorme, tinha muita gente ( 102.974) pensei comigo: nossa e agora. O Antenor subiu comigo e ele tambem tinha jogado no Galo e ficamos comentando.Os 15 primeiro minutos foram os piores. Depois você vai se soltando. Acabou que fomos para os penaltis. Eu não queria bater porque o João Leite estava cansado d me conhecer e sabia como eu batia. Porem o Minelli me falou que eu ia ser o primeiro a bater. Bati e não deu outra, o João Leite pegou.Sei que no final acabamos ganhando com o Atlético perdendo tres penaltis.

São Paulo e o primeiro titulo brasileiro do tricolor em 1977.O time campeão :
Waldir Peres, Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor, Chicão, Teodoro (Peres) e
Dario Pereira, Zé Sérgio, Mirandinha e Viana (Neca).
 
 
 
FTT - Os dois times jogaram desfalcados dos seus centroavantes na final. Reinaldo e Serginho estavam suspensos. Você acha que acabou sendo vantajoso para o São Paulo ?

Getulio - Não acho não. Reinaldo vivia um momento magico, era genial mas o Serginho fazia muitos gols tambem. Serginho chutava e cabeceava muito bem. os dois faziam gols em quase todos os jogos. Então, sei lá acho que se eles tivessem jogado sairia um placar de 2x2.
 
 
 Getulio fazendo um gol no Morumbi e recebendo os abraços dos companheiros.
 

FTT - E no São Paulo você ganhou outros titulos. Foram bicampeões paulistas em 80 e 81. Este time era uma verdadeira seleção ? 
Getulio - Nossa senhora. Valdir Peres, Getulio,  Oscar, Dario Pereyra e Marinho Chagas; Almir, Renato e Everton; Paulo Cesar, Serginho e Mario Sergio e tinha o Zé Sergio tambem. 



FTT - Este foi o melhor time em que você jogou?
Getulio - Foi !



FTT - Melhor do que o de 1977 campeão brasileiro?
Getulio - ah, foi melhor sim.Tinham mais jogadores que desequilibravam.




FTT - O que dizer de uma defesa formada por Waldir Peres, Getulio, Oscar, Dario Pereyra e Marinho Chagas?
Getulio - Era mesmo muito boa. O miolo de zaga com Oscar e Dario Pereyra então. Eu e Marinho podiamos subir ao ataque tranquilos.
Inclusive no São Paulo eu tive o Carlos Alberto Silva como treinador. Mas ele as vezes parecia que ainda estava dirigindo a Caldense. Nosso time era temido com este plantel e teve jogo dentro do Morumbi que ele mandava eu ficar na defesa o tempo todo marcando o baroninho por exemplo. Ele nem vinha ao ataque. O Carlos Alberto gostava muito de jogar fechado, mais atrás.Ai acabava que eu não aguentava e ia ao ataque pois via espaços.

FTT - Nos esclareça então uma coisa. Jogador muitas vezes não dá ouvidos as ordens do treinador? Entra em um ouvido e sai por outro?
Getulio - Exatamente. Este time do São Paulo por exemplo. A gente via que os caras estavam jogando diferente do que o tecnico planejou e nós mesmos resolviamos isto. Olha Oscar adianta a marcação com o Dario Pereyra. Eu vou apoiar mais , O Paulo Cesar vai triangular comigo e por ai vai. Aliás eu me entendia muito bem com ele , tinhamos jogadas ensaiadas. A gente ia jogar contra o Corinthians por exemplo eu e Paulo Cesar combinavamos na concentração como fazer pra sair da marcação do Wladimir.


Getulio fazendo um gol para o tricolor, fazendo a alegria de Ze Sergio e Everton.


 FTT - E você trabalhou com alguns dos maiores tecnicos do Brasil. Oswaldo Brandão, Rubens Minelli e Telê Santana. Qual foi o melhor?
Getulio - Eles eram parecidos na maneira de trabalhar. Naquela epoca os tecnicos faziam muitos coletivos. Não tinha este negocio de jogar contra cone. O Tele então parava o coletivo diversas vezes até corrigir do jeito que ele queria.Tive ainda o Carlos Alberto Silva e o Mario Travaglini.


FTT - No São Paulo você viveu o melhor momento da sua carreira?
Getulio - No Atlético eu tambem tive bon momentos mas no São Paulo eu joguei por sete anos. Então foram meus melhores momentos. 



FTT - Bi campeão paulista em 80/81 você voltou a ser convocado para a seleção. Passou a fazer parte daquele grupo maravilhoso que foi a seleção de 82.
Getulio -  Foi. Joguei varias partidas pela seleção e o grupo era sensacional, forte demais. Aquele grupo foi armado aos poucos.

Um das formações da seleção brasileira em 1981.Waldir Peres, Getulio, Oscar, Batista, Luizinho e Junior. Agachados: Tita, Socrates, Reinaldo, Zico e Eder

Aqui na concentração com Pita, Serginho Chulapa e Batista. 


FTT - E porque você foi cortado?
Getulio - Nas eliminatorias fomos convocados eu e se não me engano o Edevaldo. Eu vinha jogando como titular.Iriamos jogar na Bolivia , na altitude. Durante o treinamento o tel^falou que não queria que ninguem parasse a bola. O Juninho, zagueiro que foi da ponte Preta me lançou uma bola muito forte e para não deixar ela sair a lateral dei um pique forte.Me faltou ar e eu abaixei pra tentar respirar, ficando ali parado.O Telê então parou o treinamento, me deu um esporro dizendo que falou que não queria que parasse e me cortou ali. 


Telê foi quem me lançou, devo muito a ele mas ele era assim, guardava magoa por pouca coisa, te tirava do time e muitas vezes nunca mais jogava com ele.


GETULIO MUDA DE TRICOLORES - SAI DO PAULISTA PARA O CARIOCA


FTT - No Fluminense você não se firmou como titular porque?
Getulio -  Eu fui para o Fluminense já em fsae final de carreira. O time tinha uma geração muito boa com Jandir, Delei, Branco começando, Paulinho, Ricardo Gomes e o Aldo. O Aldo estava muito bem, voando mesmo.Merecia a posição. Só que depois mudamos de tecnico e chegou o Carlos Alberto Torres. Ele chegou cheio de pompa e logo nos primeiros treinos reuniu o grupo e começou a falar: Ricardo Gomes você vai ser meu Passarella, Delei vai ser não sei quem,Branco o fulano de tal. E eu só olhando aquilo. Aí ele disse que quem estivesse bem jogaria.Pois bem, teve um jogo contra o Vasco e o Aldo foi expulso depois de dar uma porrada no Silvinho ponta esquerda deles. O jogo seguinte era contra o Botafogo. Sexta feira me empenhei ao maximo no coletivo para jogar o clássico, O Carlos Alberto era cheio de coisa e disse que quem fizesse um gol de falta no jogo ganharia uma televisão. No treino o Paulo Vitor jogava no time reserva e teve uma falta perto da area. Aí ele falou: ai Carão (apelido de Getulio) quero ver se faz gol em mim.Cobrei por cima da barreira lá na gaveta.O treino corrndo solto e chegou um conselheiro do clube que tinha fama de escalar times e foi falar com o Carlos Alberto. Eu pensei: ah com o Carlos Alberto, um tricampeão mundial vai ser diferente.O Carlesso (Raul Carlesso) que era auxiliar foi chamado pelo nosso tecnico então e me disse: o Carlos Alberto quer que você jogue de meia direita e improvisou o Leomir de lateral direito. eu falei de meia direita? Ele falou:é. Na saida do treino na entrada do vestiario eu cheguei para o Carlos Alberto e desabafei. poxa você um tricampeão mundial não tem opinião. Improvisar um volante de lateral enquanto eu estou aqui dando duro e esperando uma oportunidade. Aí xinguei ele de tudo. Cheguei para o presidente o Manoel Schwartz , tirei a camisa e disse a ele: muito obrigado por tudo nestes dois anos presidente e estou tirando esta camisa em respeito ao clube mas a partir de hoje não jogo mais aqui. Foi no domingo o Fluminense tomou de 5 do Botafogo. Ai resolvi parar até que fui chamado para jogar nos Estados Unidos.
FTT - Quem mais te impressionava jogando neste Flu? 
Getulio - Tinha varios. O Delei, o Assis mas o Romerito era fora de serie.Ele corria demais,o folego dele era impressionante. Era muito rapido e tinha tecnica tambem.

FTT - Aliás era um time leve com jogadores como Branco, Delei, Romerito, Tato, Assis, Paulinho.
Getulio - Muito rapido. Saia com velocidade para o ataque e recompunha tambem. 

FTT - Cite os tres maiores zagueiros que você viu?
Getulio - Luis Pereira, Luizinho e Dario Pereyra


Bruno e Getulio

FTT - E quem foi o ponta esquerda que te deu mais trabalho?

Getulio - Ahh sem duvidas o Joãozinho. Ainda bem que eu joguei somente tres anos contra ele. Joãozinho era fora de serie. Ele cortava pra direita, pra esquerda, pra dentro e pra fora.Tinha muito drible de corpo.



FTT - Aponte quais foram os 6 maiores jogadores que você viu. Aqueles craques de primeira grandeza.
Getulio -  Pelé . Reinaldo. Pedro Rocha era forte e jogava muito , Dirceu Lopes, Joãozinho, Rivelino e Falcão.



 FTT - Você trabalha no projeto Curumin. Dá aulas para diversos meninos carentes. Como está o projeto?
Getulio - Eram 32 nucleos e eu trabalhei quase 6 anos no Projeto Curumin, tirando meninos das ruas. O governo acabou com quase todos os nucleos e acho que está ficando dois ou tres apenas. São cerca de 6 mil crianças voltando para as ruas. Lá eles tinham reforço escolar, aula de musica, futebol, teatro.Eles iam pra lá por que na casa deles não tinham nem café e lá tomavam café , depois almoçavam e iam pra escola.


FTT - E você contribuia dando aulas de futebol?
Getulio -  Dava aula. Os meninos ficavam numa alegria...(emocionado e com os olhos cheios de lagrimas dá uma pausa) ...dá uma emoção que vou te falar.

FTT - E estão acabando com o Projeto? 
Getulio - (muito emocionado) Já acabou . Tivemos meninos que sairam do projeto e foram representar o pais no judo, na ginástica.

FTT - Acaba que você se envolve com os meninos. 
Getulio - Envolvia mesmo. Teve o caso de tres meninos lá, que eram bem magrinhos, você ve que faltavam as coisas na casa deles...(nesta hora Getulio não consegue segurar as lagrimas que lhe descem a face e emocionado dá uma pausa) (Chorando tenta voltar a entrevista, limpando os olhos com as mãos)

FTT - Quem sabe não apareça algum empresario.  Alguem que possa ler nosso blog e se sensibilizar por estas crianças.
Getulio - Quem sabe (respirando fundo) 

 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Encontros eternizados - ZICO & JUARY

Os dois brasileiros cruzaram-se no ‘Calcio’ durante a época 1983/84, Juary jogando no Ascoli  e Zico  na Udinese.

Revista do Dia - MANCHETE ESPORTIVA 1978


A Revista Manchete Esportiva trás em sua capa  de dezembro de 1978 os melhores do campeonato brasileiro. Começando pela primeia fila a esquerda, estão Careca, Zico, Palhinha, na segunda fila Oscar, Zenon e Miranda, na terceira Amaral e Paulo Cesar Carpegianni  e na ultima Leão, Falcão e Zé Maria.