FTT - Futebol de Todos os Tempos

ENTREVISTAS COM EX JOGADORES, TECNICOS, DIRETORES E PESSOAS LIGADAS AO FUTEBOL QUE CONTRIBUIRAM DE ALGUMA FORMA PARA QUE PUDESSEMOS CONHECERMOS UM POUCO MAIS DA HISTORIA DO FUTEBOL BRASILEIRO E MUNDIAL.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Encontros eternizados - BRANDÃO & INDIO ARAUTANA


Brandão cumprimenta indio Carajá Arautana, convidado para o jogo Corinthians 1 X 1 Palestra Itália, no Parque São Jorge em 1938.

Revista do dia - ESPORTE ILUSTRADO 1942


Sport Illustrado nº 192, de 11 de Dezembro de1941 - Minas Gerais 4 x 5 Rio Grande do Sul. Na foto acima os gauchos comemorando bebendo sabe-se lá o que. Abaixo o vestiario do selecionado mineiro aprecendo o lendario goleiro Kafunga bebendo o que parece ser um café.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Craque disse e eu anotei - VITAL & ARTUR (Resp. pelo Museu da Portuguesa)

No mesmo dia que entrevistei o neto do Mário Américo, pude conhecer o museu da Portuguesa. Quem toma conta dele é o Senhor Vital, que é um profundo conhecedor da história da Lusa. Conversamos muito sobre as glórias deste tradicional clube do futebol brasileiro, que também contou com a participação do Senhor Artur que é diretor do museu. Confiram também esta matéria.

FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS: Estou vendo a galeria dos presidentes. Fale deles.
VITAL: Já vamos destacar um, que é o fundador do maior grupo industrial do Brasil, a Votorantim, que é o Doutor Antonio Pereira Inácio. Foi campeão pela liga oficial (APEA) nos anos 30 e é avô do Antonio Ermírio de Moraes, que é bem parecido com ele. 
Uma prova que a Portuguesa não é só clube de portugueses e descendentes. Me refiro à Miguel Franchini Netto, descendente de italianos e um grande presidente da Portuguesa nos anos 40. Foi chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo.
Teve também o Doutor Oswaldo Cordeiro e Doutor Mário Augusto Izaías, que ganhou o Rio-São Paulo de 1952. Luiz Portes Monteiro, grande presidente, que na sua gestão comprou o Canindé.
E esse, na minha opinião pessoal, não foi somente o maior presidente da Portuguesa, mas de todos os clubes do futebol brasileiro, o grande Oswaldo Teixeira Duarte. Um homem que amava profundamente a Portuguesa, dava todo o amor na administração deste clube e permanecia aqui todo os dias das 8 da manhã as 10 horas da noite.

 Mauricio Sabará e o sr. Vital tendo ao centro um quadro com o time da Portguesa campeã do Rio-SP 1952


FTT: O Senhor nasceu em Portugal no ano de 1940, veio pequeno para o Brasil e desde 1950 acompanha a Portuguesa, pegando justamente a melhor fase que foi dos anos 50, duas vezes campeã do Rio-São Paulo em 1952 e 1955, três conquistas da Fita Azul, um verdadeiro esquadrão. O que o Senhor tem a dizer da Portuguesa desta época?
VITAL: Tem a equipe que foi campeã do Rio-São Paulo de 1952, onde nós tínhamos quatro titulares indiscutíveis da Seleção Brasileira, com Djalma Santos, Brandãozinho, Julinho e Pinga. Haviam seis titulares na Seleção Paulista de 1953, sendo além destes quatro, o Noronha e o Muca, com mais três reservas, destacando o Renato, um grande jogador da Portuguesa.

FTT: Era aquele famoso ataque com Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Simão. Como jogava este  time da Portuguesa?
VITAL: Este time não era somente o melhor do Brasil, mas do mundo. Quando fizemos a primeira excursão à Europa, os espanhóis estavam melindrados porque tinham sido derrotados por 6 a 1 na Copa do Mundo de 1950 e convidaram um clube brasileiro pra tirar a desforra, contratando o juiz e todas as condições pra eles ganharem. Mas contrataram errado, pois levaram o maior time do mundo que os derrotou lá por 4 a 3 e ganharam a Taça San Izidro de 1951, vencendo o Atlético de Madrid, campeão espanhol.


 A sensacional linha de ataque citada pelo sr. Vital - A partir da esq: Julinho Botelho, Renato, Nininho, Pinga e Simão.


FTT: E aquele famoso 7 a 3 contra o Corinthians? Há pouco nós conversávamos com o Senhor falando muito bem deste time do Corinthians, campeão daquele ano.
VITAL: Oswaldo Brandão era o nosso técnico. Ele criou uma onda que os jogadores não estavam bem, tinham sido todos internados na Beneficência Portuguesa e que não iam entrar  com um time mais fraco. Mas na hora H ele colocou realmente o grande time da Portuguesa e nós goleamos o Corinthians por 7 a 3, um dos resultados entre equipes mais famosos do futebol brasileiro.

FTT: Fale sobre o Rio-São Paulo de 1952. Como foi esta conquista?
VITAL: Foi brilhante porque realmente a Portuguesa era o melhor time do Brasil de 1951 a 1955, antes de acontecer a grande fase do Santos. O time campeão do Rio-São Paulo de 55 tinha ainda o Djalma Santos, Cabeção (que tinha vindo do Corinthians), Floriano (que veio do Botafogo), Nena, Brandãozinho, Zinho, Julinho (ainda estava), Aírton no lugar do Renato, o excepcional Ipojucan, Edmur, Ortega e Mário Américo. Temos uma entrevista em nossos arquivos com o Pelé no início de carreira, com o repórter da Gazeta Esportiva perguntando à ele, como grande jogador que já mostrava, quem você gostaria de ser. E ele responde: Ipojucan.

 Portuguesa campeã do Rio-SP em 1952.


FTT: Falamos bastante da Portuguesa dos anos 50 e falaremos agora de outras épocas. Na década de 30 também teve alguns esquadrões, com grandes nomes como o do goleiro Batatais, teve o Brandão que jogou muitos anos no Corinthians, além do Machado que formou a zaga com Domingos da Guia em 1938.
VITAL: O Batatais foi revelado na Portuguesa, defendendo a Seleção no Campeonato do Mundo de 1938 e Brandão que é até hoje o símbolo da garra corintiana. Da Seleção de 38 disputou Batatais, Brandão e Machado, que jogou muitos anos na Portuguesa, indo depois para o Fluminense.

FTT: O Fluminense praticamente contratou toda a Seleção Paulista.
VITAL: Era formada por Batatais, Neves e Machado.

FTT: Tem mais alguma curiosidade de algum time da Portuguesa?
VITAL: Nós temos no campo esportivo uma curiosidade. Trata-se do primeiro jogador brasileiro campeão mundial de futebol em 1934, sem o Brasil ter sido. Ele começou a carreira na Portuguesa e era filho do segundo presidente da Portuguesa. Foi Amphilóquio Marques, mais conhecido como Filó. Depois ele foi para o Paulistano, um time muito forte na época, que fez uma excursão muito famosa na Europa. Jogou também no Corinthians. Foi pra Itália, o Mussolini lhe deu a cidadania italiana pra jogar lá, porque a mãe dele era italiana e o pai era português.
Uma foto curiosa que podemos ver é do primeiro estádio da Portuguesa, em 1927, na rua Cesário Ramalho, no Cambuci. 
 Antigo estadio da Portuguesa no Cambuci.

A Portuguesa também é muito forte nos esportes amadores, como no ciclismo, hóquei sobre patins, futebol de salão e boxe.
O time Bicampeão Paulista de 1935/36 pela APEA, com o famoso goleiro Caxambu, que jogou também no São Paulo e participou de sua Direção Técnica. Foi um time marcante, tinha o Rodigies (ex-goleiro), Duílio que jogou muitos anos na Portuguesa, Fiorotti, Pascoalno que também jogou muitos anos, o grande artilheiro Carioca e o notável que diretor de futebol que se dedicou muito ao clube (Elísio Ferreira).

FTT: Falamos da Portuguesa dos anos 20, 30, um poucos da década de 40 e bastante dos anos 50, vamos falar agora da Portuguesa da década de 60, que tinha como grande craque o Príncipe Ivair.
VITAL: Pelé era o Rei e Ivair o Príncipe. Nair também foi marcante. Teve o Félix, que jogou muitos anos na Portuguesa, foi Tricampeão em 70 quando já era goleiro do Fluminense, mas que saiu da Lusa com mais de 30 anos.

FTT: Passou os anos 60, começando a década de 70, com a Portuguesa sendo campeã em 1973 com aquele grande time que tinha o Wilsinho, Badeco, Basílio e, principalmente, o Enéas.
VITAL: Tinha também o Pescuma, Zecão, Isidoro, Calegari, Xaxá, Cardoso e o grande jogador Cabinho.

 Sala de troféus da Portuguesa. À frente, taça do Rio-São Paulo de 1952.


FTT: Vamos falar agora de uma fase mais recente da Portuguesa, como o time da década de 80, Vice-Campeão Paulista de 1985, contra o São Paulo.
ARTUR: Perdemos por 2 a 1 e foi uma tristeza muito grande.

FTT: Chegou a década de 90, surgindo um dos maiores talentos da história da Portuguesa, que foi o Dener.
ARTUR: Pra nós, o Enéas foi o maior jogador, que fez 179 gols pela Portuguesa, sendo 46 no Brasileirão, um craque com muita tradição. Depois dele vem o Dener, esta jovem promessa. Era um terror das defesas, uma pessoa sensacional, que nos deixou muito cedo, que foi uma lacuna para o futebol brasileiro. Passou também pelo Grêmio e Vasco da Gama. Nos deu muita honra. Foi Campeão Juvenil da Taça São Paulo, ganhando por 5 a 0 do Grêmio no Pacaembu, em 1991. A imprensa o comparava com o Pelé, era o futuro Reizinho, chegando muito perto à ele que é uma coisa à parte.

 Mauricio Sabará com o sr. Artur defronte aos trofeus da Potuguesa.


FTT: Logo depois do Dener tem uma outra fase boa da Portuguesa, que foi o time Vice-Campeão Brasileiro de 1996.
ARTUR: Jogavam o Zé Roberto, Rodrigo Fabri, Capitão que também honrou muito e o Caio que voltou à Portuguesa como gerente de futebol. Quem também era muito importante é o técnico Candinho. Foi  um bom time que perdeu a final para o Grêmio. Perdemos a chance de sermos campeões aqui no Morumbi, quando ganhamos por 2 a 0. Por muito pouco não fomos campeões para a alegria de todo o Brasil que torceu pra Portuguesa. Infelizmente foi no dia do meu aniversario, 14 de dezembro de 1996, mas faz parte da vida.
No ano passado a Portuguesa completou 90 anos, faltando nove para o nosso centenário, com muitas dificuldades, mas também com muita garra. Hoje, para muitos, não é um time grande. Mas nós consideramos ela como grande. Eu sou brasileiro, meu pai é português, me ensinou a torcer pra Portuguesa, morávamos perto do Pacaembu, assisti muitos jogos do Corinthians, do Santos na época do Pelé, mas nunca deixei de ser torcedor da Lusa. Ia ver mais o Pelé do que o Santos jogar.  Meu filho Rogério torce pra Portuguesa com 20 anos de idade, tem um site conhecido como Alma Lusa, tem a mesma garra que tenho por torcer pra Portuguesa, o endereço do site é www.almalusa.net, tem toda a história do clube e é um garoto apaixonado que dorme com a camisa da Portuguesa. Quem quiser conhecer o museu do clube, está aberto todo o sábado das 11 as 14 horas, não importa pra qual time torça, é bem vindo, formamos uma legião de amigos e não de torcedores irados uns contra os outros, nosso negocio é paz nos estádios e a entrada é franca.

Uma homenagem ao Doutor Eduardo dos Campos Rosmaninho, criador do museu histórico, na gestão de Oswaldo Teixeira Duarte, nascido em 16/11/1928 e falecido em 24/11/2009, com recém completados 81 anos de idade.


REPORTAGEM: Maurício Sabará Markiewicz.
FOTOS: Estela Mendes Ribeiro.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Encontros eternizados - DIRCEU LOPES & RONALDO


Dirceu Lopes entrega a Ronaldo o trofeu Charles Miller da Rede Globo. Duas gerações de craques que vestiram a camisa do Cruzeiro.

Revista do Dia - ESPORTE ILUSTRADO 1951

Capa da Esporte Ilustrado de 1951 com tres idolos do Fluminense : Castilho em pé e Pindaro e Pinheiro agachados. Neste ano o tricolor foi campeão carioca.

terça-feira, 1 de março de 2011

O Craque disse e eu anotei - MARIO AMÉRICO NETO

Através do meu amigo Eduardo Verdasca, entrei em contato com o neto do massagista Mário Américo, que foi Tricampeão Mundial pela Seleção Brasileira em 1958, 1962 e 1970, além de ter participado de sete Copas do Mundo. A entrevista foi realizada no museu da Portuguesa, com um jovem de 23 anos que mostrou muito conhecimento sobre a história do seu avô. Confiram a matéria


FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS: O que você tem a dizer deste pouco convívio que teve com o seu avô?
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Na verdade, eu pouco convivi com ele, pois nasci em 1987 e ele faleceu em 90. Como fui criado por minha avó, desde pequeno fuçava as coisas que ele trouxe das Copas, fotos, o que foi me trazendo uma paixão pelo futebol e pela história dele. Mesmo as pessoas me influenciando a torcer por outros times, depois de um certo tempo não teve jeito, acabei gostando da Portuguesa, o time que ele mais amou.
Mario Americo em 1958


FTT: O Mário Américo nasceu em Minas Gerais no ano de 1912.
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Exatamente, na cidade de Monte Santo.

FTT: Parece que com oito anos de idade ele fugiu de Minas.
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Ele morava em uma fazenda, mas um dia resolveu fugir para o Rio de Janeiro pra morar com um primo dele, com a intenção de melhorar a sua vida. Lá no Rio, também não deu certo, resolveu ir pra São Paulo atrás de outro primo, chamado Malquíades. Aqui em São Paulo ele foi trabalhar como auxiliar de mecânico, só que também não se deu bem. Chegou até a ser baterista de uma orquestra, mas acabou tendo uma confusão e foi para o boxe, chegando a lutar em várias lutas lá no Rio de Janeiro. Teve um dia que tomou uma surra no ringue e acabou parando na mesa do Madureira. O médico do clube, Doutor Almir do Amaral, falou pra ele parar por aí, dizendo a ele que era muito valente e qualquer hora via acabar morrendo. O meu avô perguntou o que poderia fazer. O Doutor disse que tem um Senhor no Madureira que está pra se aposentar como massagista, que o levaria pra faculdade de Educação Física apenas pra assistir as aulas, porque não tinha o Ginásio. Aí começou a história dele como massagista.

FTT: Então ele foi para o Madureira, do qual participou de um grande time, que tinha os 3 patetas, com Jair, Lelé e Isaías.
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Ele ficou sete anos lá. Depois alguns jogadores do Madureira começaram a se destacar, acabaram indo para o Vasco, pedindo aos diretores pra levar o Mário. Teve um dia que meu avô foi lá e praticamente o forçaram a ser massagista do clube, que veio a ter o maior time da sua história, que foi o do Expresso da Vitória.
Vasco campeão 1949 - Em´pé: Mario Americo, Sampaio, Augusto, Barbosa, Wilson e Laerte. Na fila do meio: Jorge, Alfredo II, o mdeico Amilcar Gifoni, , o tecnico Flavio Costa, o auxiliar Otto Gloria, Danilo Alvin e Ely. Sentados :Nestor, Maneca, Ademir Menezes, Lima, Ipojucan , Heleno de Freitas, Chico e Mario.


FTT: Mário Américo fez parte deste time do Expresso da Vitória, sendo Campeão Carioca em 1945, 1947 e 1949/50. Vencendo também aquele famoso Sulamericano vencido no Chile, empatando com o River Plate na final. Era um timaço o Vasco. Foi também massagista da Seleção Carioca. Aí ele teve a oportunidade de ser massagista da Seleção Brasileira, que foi praticamente a grande carreira do seu avô.
MÁRIO AMÉRICO NETTO:  Ele começou em 1949 pra ser auxiliar do Johnson, que era o massagista da Seleção Brasileira. Mas o Johnson já estava em final de carreira. Em 1958 ele já foi massagista oficial da Seleção. O seu início foi no Campeonato Sulamericano de 49 e dali parou somente em 74


FTT: Ele oficialmente foi em 1958, mas também fez parte em 50 e 54, ou seja, viu muita coisa boa.
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Ele bateu muito naquele jogo do Brasil contra a Hungria... risos!
Uniforme usado por Mario Américo na Copa do Mundo de 1958.


FTT: No início da década de 50 foi chamado pra ser massagista da Portuguesa. Você sabe o motivo que o fez sair do Vasco?
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Tudo começou em um jogo do Vasco contra a Portuguesa. O Eli deu uma pernada no Pinga, começando o quebra pau no campo. O presidente da Portuguesa, que era o Doutor Mario Augusto Izaías, entrou em campo e começou a briga. O meu avô, sem saber de quem se tratava, deu um soco de direita nele, com o presidente caindo no chão. Mas passou dali, apaziguaram, só que alguns meses depois ficaram no mesmo hotel o Vasco e a Portuguesa (não havia muitos hotéis naquela época), o Djalma Santos levou o presidente para o quarto onde o meu avô estava. Ele disse que este é quem tinha lhe dado o soco. O presidente falou que se tem uma pessoa que tem que levar pra Portuguesa é ele, porque “é um homem de verdade” e precisavam de pessoas assim. Dali começaram as conversas pra ele trabalhar na Portuguesa.



 Portuguesa : Lindolfo, Djalma Santos, Ceci, Nena, Floriano e Brandãozinho. Agachados: Julinho Botelho, Zé Amaro, Ipojucan, Osvaldinho, Ortega e o massagista Mário Américo


FTT: Na Portuguesa ele participou de grandes títulos, da Fita Azul na Europa e do Rio-São Paulo de 1955. Mesmo assim ele continuou sendo massagista da Seleção Brasileira. Em 1958 tem uma história engraçada, quando o Brasil acabou de ser Campeão do Mundo, ele se encontrou com o Rei da Suécia e falou “olá, King”, como se fosse uma pessoa que conhecesse há muito tempo. Era uma simplicidade que todos gostavam do Mário Américo, que era também conhecido como Pombo Correio.
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Exato. Na final da Suécia, os jogadores e a Comissão Técnica eram tão humildes que meu avô conta no livro dele que o Garrincha, quando acabou a Copa, quis saber dele “com quem jogaríamos agora”. O próprio Nílton Santos, se não me engano, perguntou ao Rei se estava tudo bem. Era muita humildade da parte dos jogadores.

FTT: Falando novamente da Copa de 1958, tem a história de ele ter levado a bola da final para o Brasil.
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Quando o jogo estava nos minutos finais, o Doutor Paulo Machado de Carvalho disse ao Mário que queria esta bola. O meu avô respondeu como faria, sendo que o Paulo falou que tinha que arrumar um jeito. Quando a partida acabou, com todo o mundo comemorando, ele foi em disparada ao juiz, que colocou a bola debaixo dos braços, o meu avô deu aquele soquinho básico pra ela cair, pegou a bola, saiu correndo, foi para o vestiário e sumiu com ela. Depois teve um banquete da Seleção na Suécia, eles pressionaram para que antes de voltarem ao Brasil, que devolvessem a bola. Só que ele foi mais esperto, trocou a bola, deu uma réplica e trouxe a verdadeira ao nosso país, que se encontra no museu da Federação Paulista.


FTT: Então a Seleção Brasileira trouxe o troféu e o Mário Américo trouxe a bola ... risos! Ele ainda foi campeão em 1962, fracassando na Inglaterra na tentativa do Tri, sendo que em ambas o Mário teve uma participação muito boa, principalmente nas famosas contusões do Pelé, no segundo jogo contra a Tchecoslováquia (62), com ele tentando recuperá-lo, mas a contusão era grave. Em 66, quando os portugueses marcaram muito forte o Pelé. E em 70, no Tri, ele também estava lá.
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Há cinco anos atrás conversei com a mãe do Pelé, dizendo que umas das pessoas fundamentais para o seu filho e pra Copa de 70 foi o Mário Américo, porque o Rei não queria ir mais, pois não teve sorte nas duas últimas, mas o meu avô o convenceu que ele tinha que ir e se preparar. Acabou indo e trouxe pra nós o Tricampeonato.
Mario Américoajudando a carregar Amarildo na Copa do Mundo de 1962.




FTT: Depois de 1970 houve mais uma Copa, que foi a de 74, na Alemanha, sendo justamente a última do Mário Américo. Depois disso o que ele fez no futebol? Continuou a sua profissão como massagista?
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Ele tinha uma clínica de massagens no bairro do Imirim. Só que em 1976 candidatou-se como vereador em São Paulo, tendo 53 mil votos e foi eleito na época. Tinha a clínica e a Câmera Municipal. Como curiosidade, ele participou do primeiro comercial da Gelol.
Mario Americo carregando sozinho Leivinha contundido na Copa de 1974. Sua força era impressionante e chamava a atenção da imprensa de todo mundo.


FTT: Mário Américo veio a falecer em 1990, deixando um legado pra nós. Em 70 tinha o Nocaute Jack, que era auxiliar dele, tornando-se depois o massagista oficial da Seleção. Falamos de grandes histórias do seu avô e você chegou a fazer uma exposição dele alguns tempos atrás.
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Em abril de 2010 consegui realizar uma exposição do Mário Américo dentro de um evento na Bienal, chamado Universo do Futebol. Conseguimos reunir 13 mil pessoas em quatro dias, sendo que foi bem legal, porque muitas pessoas jovens não o conheciam, para que saibam que o Brasil teve um massagista que foi a 7 Copas do Mundo e conseguiu Ser Tricampeão. Uma experiência muito bacana.
Mario Américo Neto com o livro em homenagem ao avô, intitulado "O Massagista dos Reis".


FTT: Ele poderia até ter ido em mais uma duas Copas do Mundo.
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Na verdade a CBD falou que ia fazer uma grande homenagem pra ele. O Mário falava  que poderia ter continuado mais em duas ou três, mas ele mesmo quis parar, pois já achava que estava bom demais.

FTT: Em 2012, se seu avô estivesse vivo, completaria 100 anos. Você tem alguma idéia de fazer algo no seu centenário?
MÁRIO AMÉRICO NETTO: Um grande sonho que tenho é poder relançar o livro dele. Depois desta exposição, uma prioridade minha é poder relançá-lo com novas fotos, inclusive histórias da minha avó, além de depoimentos dos jogadores da época
Mauricio Sabará e Mario Américo Neto

REPORTAGEM: Maurício Sabará Markiewicz.
FOTOS: Estela Mendes Ribeiro.

Encontros eternizados - PALHINHA I & PALHINHA II


Vanderlei Eustaquio, o Palhinha "original" escreveu seu nome na historia do Cruzeiro. Campeão inumeras vezes foi ainda o artilheiro da Libertadores em 1976 com 13 gols. Já Jorge Ferreira da Silva tambem escreveu seu nome na historia da Raposa. Da mesma maneira que o xará mais velho tambem foi campeão da Libertadores alem de dois mineiros e a Copa do Brasil em 1996.