FTT - Futebol de Todos os Tempos
ENTREVISTAS COM EX JOGADORES, TECNICOS, DIRETORES E PESSOAS LIGADAS AO FUTEBOL QUE CONTRIBUIRAM DE ALGUMA FORMA PARA QUE PUDESSEMOS CONHECERMOS UM POUCO MAIS DA HISTORIA DO FUTEBOL BRASILEIRO E MUNDIAL.
domingo, 10 de abril de 2011
Encontros eternizados - CESAR MALUCO & CHICO LANDI
Troca de presentes entre o jogador Cesar Maluco e o primeiro piloto brasileiro a participar de um grande premio de formula 1, Chico Landi.Ele é uma legenda no automobilismo paulista e brasileiro entre os anos de 47 a 57.
Revista do dia - EL GRÁFICO
terça-feira, 5 de abril de 2011
O Craque disse e eu anotei - GETULIO
Getulio foi indicação de um amigo de trabalho. Vizinhos que são ele ficou sabendo do blog e perguntou se eu teria interesse em entrevistar o ex lateral da seleção. Eu disse que claro que sim. Getulio tem muita historia no futebol e teria imenso prazer em entrevista-lo. Porem ao conhecer o nosso entrevistado da semana eu passei a conhecer não apenas a historia de um dos grandes laterais do futebol brasileiro. Conheci um ser humano fantástico, um coração pronto a ajudar qualquer um que necessite de uma ajuda, um homem preocupado com seu próximo.
FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS - Logo que você começou nos profissionais em 74 já ganhou a camisa de titular da lateral direita ou demorou um pouco?
Getulio - Na verdade eu fiz a final do campeonato mineiro de juvenis em Itabira contra o Valério. Um jogo muito dificil em que nós vencemos por 1x0. O jogo foi no domingo e na segunda feira eu dava baixa no Exercito. Então o Telê Santana me mandou apresentar nos profissionais na terça feira. Bom, pensei que devia ser para mim completar o time dos profissionais, conhecer o pessoal, bater uma bolinha e ir embora. Cheguei lá e me mandaram ficar concentrado com o time no Brasil Palace porque no dia seguinte (quarta feira) o Atlético ia jogar contra o Flamengo. O time deles tinha o Dario, Doval, Paulo Cesar Caju o Rogerio na ponta direita. Estava o nosso time no vestiario, inclusive o Ze Maria que era o titular , chegou o Telê e falou comigo: se apronte que você é que vai jogar. Poxa eu não tinha levado chuteira nem nada. Eu comecei então a experimentar chuteiras. Uma com apisada desgastada pra dentro, outra pra fora , outra apertada demais até que o Valtinho roupeiro me arranjou uma lá que ficou mais ou menos. Eu falei:vai esta mesmo. Bem entrei no jogo e logo de cara o Rogerio fez um cruzamento, o Mussula largou e o Doval fez 1x0. Aí aos 28 minutos teve uma falta a nosso favor. Eu fui caminhando e como ninguem se ofereceu para bater eu pedi. Renato nem pediu barreira porque estava muito longe. Eu soltei uma bomba e ela pegou no pé da trave e subiu. A galera vibrou. Depois eu e o Arlem fizemos uma tabelinha na lateral ele foi no fundo e cruzou para o Totonho empatar. Repetimos a mesm jogada e novamente o Totonho virou o jogo pra gente. O Mineirão quase veio abaixo. Faltando cinco minutos para acabar o jogo eu não tinha onde ter caimbras mais. Meu corpo todo (risadas). O tempo parecia uma eternidade mas ganhamos e eu fiquei quase dois dias sem conseguir andar por causa das caimbras. Daí me firmei como titular.
FTT - E você pegou a transição do time campeão brasileiro de 71 e a nova geração com Reinaldo, Paulo Isidoro, Marcelo e Cerezo. Dos antigos quem jogou ao seu lado?
Getulio - O Vantuir, Grapete, Mussula , Vanderley Paiva e o Romeu.
Getulio com 20 anos e titular da lateral direita do do Atlético
FTT - Você pegou o Mussula no gol do Atlético, um grande goleiro. Mas jogou tambem por dois anos com Mazurkiewicz. O que dizer do goleiro uruguaio?
Getulio - O Mazurkiewicz era impressionate. A gente jogava contra o Palmeiras com Leivinha, Cesar Maluco, o Cruzeiro com Tostão, Dirceu Lopes e quando a gente via a bola entrando, ele dava dois passos , se posicionava e buscava as bolas.Não era goleiro de ficar dando voos atoa. Estava sempre bem posicionado. O mais impressionante é que depois de fazer uma defesa dificil assim, ele já puxava o contra ataque lançando pro cara lá na ponta esquerda, lá no ataque.
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FTT - Você ter um goleiro de lingua estrangeira dificulta na comunicação, por exemplo: te alertando para uma cobertura ou é indiferente?
Getulio - No começo você fica meio perdido. Eles falam meio embolado, muito rapido. E ficava gritando : bamo...bamo.... adelante. E com o tempo a gente passa a se entender melhor. Ele tambem passou a nos entender melhor.
FTT - Em 75 uma seleção mineira representou o Brasil na Copa América. Você foi convocado e foi titular em todas as partidas mas como lateral esquerdo. Adaptou-se facilmente ?
Getulio - Adaptei sim. Eu tinha facilidade em cruzar com as duas pernas.
FTT - Minas Gerais vivia um grande momento no futebol. . Muitos craques para uma mesma posição. Na lateral direita dois laterais do seu nivel e de Nelinho. Para volantes tinham Vanderley Paiva , Cerezo, Piazza , Zé Carlos e o Pedro Omar. No ataque o Campos, Reinaldo, Palhinha, Marcelo, Dirceu Lopes, Romeu, Joãozinho , Paulo Isidoro e Roberto Batata. O Atlético era o campeão brasileiro de 71, o Cruzeiro foi vice em 74 e 75 e campeão da Libertadores em 76. Foi o grande momento do futebol mineiro em todos os tempos?
Getulio - Primeiro quero lembrar de outro grande volante desta epoca, o Toninho Almeida do Cruzeiro. Agora quanto ao melhor momento do futebol em Minas Gerais sem sombra de duvidas. Você formava pelo menos duas seleções a nivel de seleções brasileiras. E isto já veio do fim dos anos 60 quando o Atlético venceu a seleção brasileira com Pelé , Tostão e cia (Atlético 2x1 Brasil 1969).
Nelinho , Piazza, Amaral, Getulio, Raul e Vanderley Paiva.
Agachados: Roberto Batata, Marcelo, Campos, Danival e Romeu.
FTT - Voces venceram a Argentina dentro de Rosario e em Belo Horizonte. O time deles era fortissimo com Gatti, Pavoni, Gallego, Ardiles, Luque , Valdano e Kempes. Foram os jogos mais dificeis desta Copa America?
Getulio - Sem duvida. Inclusive na Argentina vencemos de 1x0 com gol do Danival . Eles tinham o Gatti no gol, aquel goleiro que usava aquela fitinha pra amarrar o cabelo. Ele era todo metido. Chutaram uma bola em direção ao gol e ele matou no peito e antes dela cair ele emendou, chutou pra frente. Aí o danival estava ligado, dominou e de longe chutou fazendo um golaço. Jogar em Rosario não foi brincadeira. A torcida deles com bodoque (istilingue)mandando pedras na gente. Pra entrar em campo cheio de polciais com aqueles cachorros pastores alemães. No hotel a noite muito foguetorio pra não deixar a gente dormir. O Raul pegou demais nesta partida. O Kempes chutou umas duas bolas lá que ele defendeu que salvou a gente. Luque tambem deu muito trabalho.
FTT - Mas o Peru tambem tinha um grande time com Chumpitaz, Soria, Oblitas e principalmente o Cubillas.
Getulio - Nossa, uma senhora seleção, um time que jogava bonito.
FTT - Pois o Brasil ganhou deles lá e perdeu no Mineirão por 3x1. O que aconteceu nesta partida?
Getulio - Eu acho que subestimaram o Peru. Teve um espião que foi lá ver um jogo deles e disse que o Oblitas estava em má fase, que eles não estavam tão bem . Imagina se estivessem (risadas).
FTT - E o Cubillas era um fora de serie mesmo?
Getulio - Minha nossa. O homem pegava a bola cortava pra lá, pra cá era tipo Pelé mesmo. Tabelava, cabeceava, tinha uma habilidade fora de serie.Completo.
FTT - Acabou a Copa América mas você continuou a ser chamado para a seleção. E foi campeão da Copa Roca e do Torneio Bicentenario dos EUA. Se lembra da seleção que foi campeã deste torneio ?
Getulio - Me lembro mais ou menos. No gol era o Leão , o lateral era o Orlando Lelé que estava realmente muito bem, na zaga o Miguel do Fluminense, um jogador até comum,o Amaral e o Marco Antonio. O meio de campo com Falcão, Rivelino e Zico. Na frente o Gil, Dinamite e o Lula.
FTT - O Orlando era o titular mas você jogou tambem?
Getulio - Entrei em duas partidas. Inclusive na final contra a Itália, o Oswaldo Brandão me chamou e o Givanildo tambem.Nós estávamos perdendo por 1x0 e ele pediu para mim apoiar mais e o Givanildo ficar mais protegendo a defesa e me liberando. A primeira bola que eu peguei, eu driblei um, outro e cruzei certinho no Dinamite. Ele dominou e empatou a partida 1x1.Depois eu fiz outro cruzamento e o Zico fez o segundo gol. No final vencemos por 4x1.
FTT - Você falou que o Oswaldo Brandão te colocou no time e ele tambem foi o tecnico daquela seleção mineira de 75. O que dizer dele?
Getulio - O Oswaldo era um sujeito com aquela cara de serio mas ele era brincalhão tambem. Tinha aquela jeitão sisudo mas era tipo paizão.Ele procurava o jogador e ouvia o que ele tinha dizer. Aceitava ouvir os jogadores.Era um cara que muita gente se enganava com ele. Era muito atencioso e conhecia muito de futebol, de tática.
FTT - E no inicio de 77 você foi comprado pelo São Paulo. Indicação de outro grande treinador.
Getulio - Foi. O Minelli me levou e tambem era este tipo paizão. Ele chegava pra gente e perguntava como estava a familia, se estava tudo bem .Ele se envolvia com o jogador. Cobrava da diretoria melhores condições. Qual treinador que faz isto hoje em dia?
FTT - Você chegou ao São Paulo e logo de cara a final do Brasileiro e justamente contra o seu ex clube, o Atletico. Como foi entrar no Mineirão e encarar aquela torcida?
Getulio - Foi a pior coisa que me aconteceu no futebol, serio mesmo.Estava muito recente e para você ter ideia, nas entrevistas eu trocava os nomes, falava Atletico em vez de São Paulo . Ficamos concentrados na Toca da Raposa e eu numa ansiedade enorme. Perdi uns 3 kgs neste fim de semana. Quando eu entrei no campo e vi aquela torcida enorme, tinha muita gente ( 102.974) pensei comigo: nossa e agora. O Antenor subiu comigo e ele tambem tinha jogado no Galo e ficamos comentando.Os 15 primeiro minutos foram os piores. Depois você vai se soltando. Acabou que fomos para os penaltis. Eu não queria bater porque o João Leite estava cansado d me conhecer e sabia como eu batia. Porem o Minelli me falou que eu ia ser o primeiro a bater. Bati e não deu outra, o João Leite pegou.Sei que no final acabamos ganhando com o Atlético perdendo tres penaltis.
São Paulo e o primeiro titulo brasileiro do tricolor em 1977.O time campeão :
Waldir Peres, Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor, Chicão, Teodoro (Peres) e
Dario Pereira, Zé Sérgio, Mirandinha e Viana (Neca). FTT - Os dois times jogaram desfalcados dos seus centroavantes na final. Reinaldo e Serginho estavam suspensos. Você acha que acabou sendo vantajoso para o São Paulo ?
Getulio - Não acho não. Reinaldo vivia um momento magico, era genial mas o Serginho fazia muitos gols tambem. Serginho chutava e cabeceava muito bem. os dois faziam gols em quase todos os jogos. Então, sei lá acho que se eles tivessem jogado sairia um placar de 2x2.
Getulio fazendo um gol no Morumbi e recebendo os abraços dos companheiros. FTT - E no São Paulo você ganhou outros titulos. Foram bicampeões paulistas em 80 e 81. Este time era uma verdadeira seleção ?
Getulio - Nossa senhora. Valdir Peres, Getulio, Oscar, Dario Pereyra e Marinho Chagas; Almir, Renato e Everton; Paulo Cesar, Serginho e Mario Sergio e tinha o Zé Sergio tambem.
FTT - Este foi o melhor time em que você jogou?
Getulio - Foi !
FTT - Melhor do que o de 1977 campeão brasileiro?
Getulio - ah, foi melhor sim.Tinham mais jogadores que desequilibravam.
FTT - O que dizer de uma defesa formada por Waldir Peres, Getulio, Oscar, Dario Pereyra e Marinho Chagas?
Getulio - Era mesmo muito boa. O miolo de zaga com Oscar e Dario Pereyra então. Eu e Marinho podiamos subir ao ataque tranquilos.
Inclusive no São Paulo eu tive o Carlos Alberto Silva como treinador. Mas ele as vezes parecia que ainda estava dirigindo a Caldense. Nosso time era temido com este plantel e teve jogo dentro do Morumbi que ele mandava eu ficar na defesa o tempo todo marcando o baroninho por exemplo. Ele nem vinha ao ataque. O Carlos Alberto gostava muito de jogar fechado, mais atrás.Ai acabava que eu não aguentava e ia ao ataque pois via espaços.
FTT - Nos esclareça então uma coisa. Jogador muitas vezes não dá ouvidos as ordens do treinador? Entra em um ouvido e sai por outro?
Getulio - Exatamente. Este time do São Paulo por exemplo. A gente via que os caras estavam jogando diferente do que o tecnico planejou e nós mesmos resolviamos isto. Olha Oscar adianta a marcação com o Dario Pereyra. Eu vou apoiar mais , O Paulo Cesar vai triangular comigo e por ai vai. Aliás eu me entendia muito bem com ele , tinhamos jogadas ensaiadas. A gente ia jogar contra o Corinthians por exemplo eu e Paulo Cesar combinavamos na concentração como fazer pra sair da marcação do Wladimir.
Getulio fazendo um gol para o tricolor, fazendo a alegria de Ze Sergio e Everton.
FTT - E você trabalhou com alguns dos maiores tecnicos do Brasil. Oswaldo Brandão, Rubens Minelli e Telê Santana. Qual foi o melhor?
Getulio - Eles eram parecidos na maneira de trabalhar. Naquela epoca os tecnicos faziam muitos coletivos. Não tinha este negocio de jogar contra cone. O Tele então parava o coletivo diversas vezes até corrigir do jeito que ele queria.Tive ainda o Carlos Alberto Silva e o Mario Travaglini.
FTT - No São Paulo você viveu o melhor momento da sua carreira?
Getulio - Eles eram parecidos na maneira de trabalhar. Naquela epoca os tecnicos faziam muitos coletivos. Não tinha este negocio de jogar contra cone. O Tele então parava o coletivo diversas vezes até corrigir do jeito que ele queria.Tive ainda o Carlos Alberto Silva e o Mario Travaglini.
FTT - No São Paulo você viveu o melhor momento da sua carreira?
Getulio - No Atlético eu tambem tive bon momentos mas no São Paulo eu joguei por sete anos. Então foram meus melhores momentos.
FTT - Bi campeão paulista em 80/81 você voltou a ser convocado para a seleção. Passou a fazer parte daquele grupo maravilhoso que foi a seleção de 82.
Getulio - Foi. Joguei varias partidas pela seleção e o grupo era sensacional, forte demais. Aquele grupo foi armado aos poucos.
Um das formações da seleção brasileira em 1981.Waldir Peres, Getulio, Oscar, Batista, Luizinho e Junior. Agachados: Tita, Socrates, Reinaldo, Zico e Eder
Aqui na concentração com Pita, Serginho Chulapa e Batista.
FTT - E porque você foi cortado?
Getulio - Nas eliminatorias fomos convocados eu e se não me engano o Edevaldo. Eu vinha jogando como titular.Iriamos jogar na Bolivia , na altitude. Durante o treinamento o tel^falou que não queria que ninguem parasse a bola. O Juninho, zagueiro que foi da ponte Preta me lançou uma bola muito forte e para não deixar ela sair a lateral dei um pique forte.Me faltou ar e eu abaixei pra tentar respirar, ficando ali parado.O Telê então parou o treinamento, me deu um esporro dizendo que falou que não queria que parasse e me cortou ali.
Telê foi quem me lançou, devo muito a ele mas ele era assim, guardava magoa por pouca coisa, te tirava do time e muitas vezes nunca mais jogava com ele.
GETULIO MUDA DE TRICOLORES - SAI DO PAULISTA PARA O CARIOCA
FTT - No Fluminense você não se firmou como titular porque?
Getulio - Eu fui para o Fluminense já em fsae final de carreira. O time tinha uma geração muito boa com Jandir, Delei, Branco começando, Paulinho, Ricardo Gomes e o Aldo. O Aldo estava muito bem, voando mesmo.Merecia a posição. Só que depois mudamos de tecnico e chegou o Carlos Alberto Torres. Ele chegou cheio de pompa e logo nos primeiros treinos reuniu o grupo e começou a falar: Ricardo Gomes você vai ser meu Passarella, Delei vai ser não sei quem,Branco o fulano de tal. E eu só olhando aquilo. Aí ele disse que quem estivesse bem jogaria.Pois bem, teve um jogo contra o Vasco e o Aldo foi expulso depois de dar uma porrada no Silvinho ponta esquerda deles. O jogo seguinte era contra o Botafogo. Sexta feira me empenhei ao maximo no coletivo para jogar o clássico, O Carlos Alberto era cheio de coisa e disse que quem fizesse um gol de falta no jogo ganharia uma televisão. No treino o Paulo Vitor jogava no time reserva e teve uma falta perto da area. Aí ele falou: ai Carão (apelido de Getulio) quero ver se faz gol em mim.Cobrei por cima da barreira lá na gaveta.O treino corrndo solto e chegou um conselheiro do clube que tinha fama de escalar times e foi falar com o Carlos Alberto. Eu pensei: ah com o Carlos Alberto, um tricampeão mundial vai ser diferente.O Carlesso (Raul Carlesso) que era auxiliar foi chamado pelo nosso tecnico então e me disse: o Carlos Alberto quer que você jogue de meia direita e improvisou o Leomir de lateral direito. eu falei de meia direita? Ele falou:é. Na saida do treino na entrada do vestiario eu cheguei para o Carlos Alberto e desabafei. poxa você um tricampeão mundial não tem opinião. Improvisar um volante de lateral enquanto eu estou aqui dando duro e esperando uma oportunidade. Aí xinguei ele de tudo. Cheguei para o presidente o Manoel Schwartz , tirei a camisa e disse a ele: muito obrigado por tudo nestes dois anos presidente e estou tirando esta camisa em respeito ao clube mas a partir de hoje não jogo mais aqui. Foi no domingo o Fluminense tomou de 5 do Botafogo. Ai resolvi parar até que fui chamado para jogar nos Estados Unidos.
Getulio - Tinha varios. O Delei, o Assis mas o Romerito era fora de serie.Ele corria demais,o folego dele era impressionante. Era muito rapido e tinha tecnica tambem.
FTT - Aliás era um time leve com jogadores como Branco, Delei, Romerito, Tato, Assis, Paulinho.
Getulio - Muito rapido. Saia com velocidade para o ataque e recompunha tambem.
FTT - Cite os tres maiores zagueiros que você viu?
Getulio - Luis Pereira, Luizinho e Dario Pereyra
| Bruno e Getulio |
Getulio - Ahh sem duvidas o Joãozinho. Ainda bem que eu joguei somente tres anos contra ele. Joãozinho era fora de serie. Ele cortava pra direita, pra esquerda, pra dentro e pra fora.Tinha muito drible de corpo.
FTT - Aponte quais foram os 6 maiores jogadores que você viu. Aqueles craques de primeira grandeza.
Getulio - Pelé . Reinaldo. Pedro Rocha era forte e jogava muito , Dirceu Lopes, Joãozinho, Rivelino e Falcão.
FTT - Você trabalha no projeto Curumin. Dá aulas para diversos meninos carentes. Como está o projeto?
Getulio - Eram 32 nucleos e eu trabalhei quase 6 anos no Projeto Curumin, tirando meninos das ruas. O governo acabou com quase todos os nucleos e acho que está ficando dois ou tres apenas. São cerca de 6 mil crianças voltando para as ruas. Lá eles tinham reforço escolar, aula de musica, futebol, teatro.Eles iam pra lá por que na casa deles não tinham nem café e lá tomavam café , depois almoçavam e iam pra escola.
FTT - E você contribuia dando aulas de futebol?
Getulio - Dava aula. Os meninos ficavam numa alegria...(emocionado e com os olhos cheios de lagrimas dá uma pausa) ...dá uma emoção que vou te falar.
FTT - E estão acabando com o Projeto?
Getulio - (muito emocionado) Já acabou . Tivemos meninos que sairam do projeto e foram representar o pais no judo, na ginástica.
FTT - Acaba que você se envolve com os meninos.
Getulio - Envolvia mesmo. Teve o caso de tres meninos lá, que eram bem magrinhos, você ve que faltavam as coisas na casa deles...(nesta hora Getulio não consegue segurar as lagrimas que lhe descem a face e emocionado dá uma pausa) (Chorando tenta voltar a entrevista, limpando os olhos com as mãos)
FTT - Quem sabe não apareça algum empresario. Alguem que possa ler nosso blog e se sensibilizar por estas crianças.
Getulio - Quem sabe (respirando fundo)
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Encontros eternizados - ZICO & JUARY
Os dois brasileiros cruzaram-se no ‘Calcio’ durante a época 1983/84, Juary jogando no Ascoli e Zico na Udinese.
Revista do Dia - MANCHETE ESPORTIVA 1978
A Revista Manchete Esportiva trás em sua capa de dezembro de 1978 os melhores do campeonato brasileiro. Começando pela primeia fila a esquerda, estão Careca, Zico, Palhinha, na segunda fila Oscar, Zenon e Miranda, na terceira Amaral e Paulo Cesar Carpegianni e na ultima Leão, Falcão e Zé Maria.
sexta-feira, 25 de março de 2011
O Craque disse e eu anotei - PAULO ISIDORO
Paulo Isidoro foi uma das melhores entrevistas que realizei. Uma pessoa simples, aberta , que vive o futebol até hoje. Ele possui uma escolinha para garotos até 16 anos, fazendo um belissimo trabalho social. Logo que cheguei ao local de treinamento fiquei observando as orientações que Paulo Isidoro passava aos aspirantes a futuros craques. Logo se via que o professor entendia do assunto.
Tão logo terminou o treino ele veio me receber e me consedeu uma entrevista contando detalhes interessantes, jamais contados sobre a seleção brasileira de 82 e o Atletico vice campeão brasileiro de 77.
Confiram toda sinceridade e espontaneidade de Paulo Isidoro.FTT – FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS – Paulo Isidoro. Você começou na base do Atlético e logo que subiu acabou sendo emprestado ao Nacional de Manaus. Para um jovem , chegou a ficar frustado com esta transferência?
PAULO ISIDORO - Para mim foi muito bom. O Atlético tinha por costume emprestar jogadores revelados na base para pegarem experiencia e minha ida foi muito oportuna. Fiquei em Manaus um ano e lá amadureci bem.
FTT - Foram outros jogadores do Atlético com você para lá?
PAULO ISIDORO - Foram. O interessante foi isto aí , pois foram outros jogadores e nós conseguimos um melhor entrosamento e tambem amenizar a saudade de casa. Eu por exemplo era muito jovem, nunca tinha ficado tão longe da familia e aí era importante esta amizade que levamos de BH.
FTT - Chegou 1975 e você retornou ao Atlético. Quem te lançou no time principal?
PAULO ISIDORO - Foi o Telê. Ele quando eu estava no junior, antes de ir pra Manaus já tinha falado com a diretoria: "este aí voces podem emprestar para o Nacional para pegar experiencia que quando voltar vai pro time de cima."
Não deu outra. Eu voltei e ele me lançou entre os profissionais.
Atlético 1976 - A base do Galo no time profissional
Em pé: Paulo Benigno, Barbatana, Vantuir, João Leite, Modesto, Ortiz, Gregório (massagista) e Waltinho (massagista); na fila do meio estão Silvestre, Ângelo, Danilo, Marcio, Flávio, Toninho Cerezo, Dionísio e Getúlio; Sentados: Reinaldo, Marinho, Alfredo, Wallace, Marcelo, Paulo Izidoro, Heleno e MarcinhoFTT – Surgia ali o time mágico de garotos formados na base. Paulo Isidoro, Marcelo, Reinaldo, Danival, Cerezo , Marinho e cia. O que dizer deste time?
PAULO ISIDORO - Olha o que eu tenho a dizer hoje é que tenho muitas saudades. Este time marcou a vida de muita gente. Não só a minha como a de outros jogadores como o Angelo, o Cerezo, o Reinaldo e não apenas nós jogadores. Este time marcou a torcida do Atlético. Você ve que até hoje este time da decada de 70 e muito comentado.
Eu inclusive não entendo porque hoje se revela tão poucos jogadores pois a estrutura é muito melhor do que na nossa época, não falta nada e tem aparecido muito poucos jogadores. O trabalho é bem feito mas não sei o que acontece. Talvez a falta de seuqencia, pois hoje os dirigentes querem imediatismo. Então o jogador sobe, joga uma partida e se não jogar bem na segunda já está fora , não tem a chance de ter uma sequencia.
FTT – Por ironia do destino chegou a final do brasileiro em 1977 e o Atlético sem perder um jogo sequer acabou perdendo nos pênaltis.
Você considerava o time do Galo superior ao do São Paulo?
PAULO ISIDORO - Considerava sim, tanto é que os numeros mostram isto. O Atlético era superior . Nós tinhamos 10 pontos a mais do que eles, tinhamos o artilheiro do campeonato, enfim eramos melhores.
FTT – E o que faltou para o Atlético mostrar em campo esta superioridade?
PAULO ISIDORO - Olha, o que faltou neste jogo foi humildade do Barbatana que ele não teve. Ele mensoprezou um pouco o time do São Paulo, olhou o time deles muito por cima. Inclusive ele mexeu no nosso meio campo, mudou o jeito do time jogar. O Reinaldo fazia falta? (estava suspenso) Fazia , mas tinhamos totais condições de vencer mesmo sem ele. A meu ver o grande culpado foi então o Barbatana. Ele estava totalmente diferente no dia da final. Uma coisa que nós jogadores costumávamos fazer na concentração era lavar nosso carros. Ele não queria que a gente lavasse e proibiu mais um monte de coisas. Eu acabei discutindo com ele e ele me falou que eu não iria nem jogar então. Eu retruquei e falei que seu eu não fosse jogar era problema dele.
Chegou na hora do jogo e ele para mostrar sua autoridade me tirou do time titular.
O time saindo de campo derrotado mas com a mesma união vinda da base.
FTT – Você acredita que se tivesse atuado com o Marcelo , juntos a historia poderia ser outra? Afinal vocês se conheciam desde os juvenis. Você acabou entrando exatamente no lugar dele.
PAULO ISIDORO - Com certeza. Foi como você disse: nós nos conheciamos desde os infantis. A gente se entendia bem demais e estávamos jogando todo campeonato juntos. Acabou acontecendo muita coisa na concentração que a gente abafava e resolvia por lá pra não vazar para a imprensa.
FTT – O Atlético começava uma hegemonia em Minas a partir de 78. Foi bicampeão em 79 e você acabou sendo trocado pelo Eder com o Grêmio. O porque desta troca?
PAULO ISIDORO - A troca na época foi muito boa, veio no momento exato da minha carreira. Porque eu já tinha feito tudo de bom , tudo que estava ao meu alcance para servir o Atlético. E naturalmnte todo jogador vive aquela expectativa de uma trasnferencia e em 79 existiu a possibilidade desta troca envolvendo eu e o Eder. Sei que eu estava a fim de sair e o Eder parecia que tambem queria voltar pra Minas e a transação foi boa para os dois lados.
PAULO ISIDORO VAI PARA O GRÊMIO GANHAR TITULOS
FTT – Bem mas você saiu de um grande time e foi parar em outro. Foi para o Grêmio . Se lembra mais ou menos da escalão deste time?
Leão, Paulo Roberto, Vantuir, Hugo De Leon e o Casemiro ou Dirceu na lateral esquerda, China ou Vitor Hugo, Paulo Isidoro, Vilson Tadei.Tarciso, Baltazar e Renato Sá ou Odair. Este time do Grêmio era muito forte,atroleva mesmo
FTT - Mas na lateral não era o Nelinho?
PAULO ISIDORO - É mas o Nelinho ficou pouco tempo com a gente. Acho que só um ano. Aí quando ele saiu começou o Paulo Roberto. FTT – Campeão gaúcho em 80 e da copa do Brasil e Brasileiro em 1981.
Era um time de mais força ou tinha muita técnica também?
PAULO ISIDORO - Ele aliava as duas coisas. Primeiro ele tinha muita força pra sair e depois tinha muita tecnica nas finalizações. Nosso contra ataque era mortal. Nosso time era perfeito nas finalizações. O mais interessante é que os adversarios conheciam nossas jogadas mas não conseguiam parar. Eu era muito rapido e me deslocava muito, o Tarciso tambem era muito rápido e o Baltazar tinha uma colocação impressionante dentro da area. E nós treinávamos muito esta jogada. Hora o Tarciso vinha pela ponta e eu no meio hora ele fechava pelo meio e eu caía na ponta. Nossa equipe então aliava força e tecnica.
FTT – Como era jogar com um xerifão como o Dé Leon?
PAULO ISIDORO - Nossa, era um lider nato. Tinha o Vantuir que chegava mais na força e o De Leon que organizava o time na hora de sair ali de trás. Ele ditava o ritmo do time , juntamente com o Vilson Tadei no meio campo.
Grêmio Campeão Brasileiro 1981 - Newmar, Leão, Paulo Roberto, China, casemiro e De Leon, Agachados: Tarciso, Vilson Tadei, Baltazar, Paulo Isidoro e Odair
FTT - Esclareça para os leitores do blog FTT como é esta sensação , este momento que o jogador vive . Você foi criado dentro do Atlético, torce para o clube e depois foi para o Grêmio. Como você se sentiu ao jogar pelo tricolor gaucho contra o Galo dentro do Mineirão, perante a torcida atleticana?
PAULO ISIDORO - É a coisa que eu mais gostava. Não era porque eu tinha raiva do Atlético não. Era um desafio onde você tinha que realmente mostrar seu lado profissional. Então você vem com mais força, com mais vontade. Eu acho inclusive que é o grande momento para o jogador mostrar seu lado profissional, de superação.
A INESQUECÍVEL SELEÇÃO BRASILEIRA DE 1982
FTT – Suas atuações foram tão destacadas que Tele passou a te convocar para a seleção brasileira. Como foi fazer parte daquele grupo que foi chamado para a Copa de 1982 ?
PAULO ISIDORO - Olha naquele ano que eu fui convocado pelo Telê, não tinha como eu não ir. Eu estava numa fase extraordinaria, estava voando, jogando muito mesmo. Neste ano eu ganhei a Bola de Prata e a Bola de Ouro disputando com o Zico. Eu vou ser sincero. Quando eu fui chamado para fazer parte daquele grupo eu pensei comigo: eu não tenho que ficar cheio de humildade não, eu fui chamado porque eu merecí, pelo que eu venho jogando e sei que tenho meu lugar neste time. E fui em busca do meu espaço pois se eu era o Bola de Ouro que quer dizer o melhor jogador do campeonato, eu sabia que tinha todas as condições de estar ali e não era favor.
Edvaldo, Paulo Isidoro, Tita e Cerezo contra os argentinos no Mundialito do Uruguai em 1980.
FTT – Você foi titular da seleção durante quase toda preparação para a Copa.Notava-se que você ajudava muito a cobrir as subidas de Leandro ao ataque e estava muito bem encaixado no esquema. Porque na hora H, quando começou a copa Tele te colocou na reserva?
PAULO ISIDORO - Olha eu tambem nunca entendi isto. Sei que o Telê Santana me decepcionou muito com isto. Gosto demais do Telê , pois foi ele quem me lançou e tudo, mas nesta parte aí ele foi erradíssimo de não ter me colocado. Porque? Porque o time estava entrosado . O Leandro ia para o ataque numa tranquilidade só pois sabia que eu o cobria. Eu fazía a cobertura do Zico tambem e ocupava os espaços ali. Então eu fiquei muito magoado com minha saída e até hoje eu tenho esta magoa.
Até o Jô Soares entendeu minha importancia na época pois ele ficava com aquela brincadeira de "Coloca ponta Telê!" e depois admitiu que minha participação no time era fundamental.
FTT – Contra a Itália você acha que faltou concentração ?
PAULO ISIDORO - Não. O time entrou como sempre, concentrado e focado na partida. No mundo do futebol acontece coisas como esta que a gente não sabe explicar. Como justificar um time superior com o nosso perder. Mas perdeu e acho que aquele dia , era um dia de Paolo Rossi e de uma Italia vencer aquela partida. Era coisa do destino mesmo e o destino reserva supresas para a gente.
Zico sofre a marcação de Gentile enquanto Paulo Isidoro observa mais atrás.
FTT - Você acha que ouve falhas individuais nesta partida?
PAULO ISIDORO - Não, a equipe errou no posicionamento em dois gols. A imprensa na epoca tentou trasferir a culpa para o passe do Cerezo. Absurdo. Todos erraram.
AGORA QUEM DÁ BOLA É O SANTOS
FTT - Depois da Copa você foi para o Santos. Como foi esta mudança?
PAULO ISIDORO - Eu me reuni com o Milton Teixeira e ele me disse que precisava ganhar um titulo. Ele me falou que estava me levando pra lá pois eu era um ganhador de tituloss e eu disse que ele estava levando o cara certo. Eu disse a ele que estava a tres anos no sul, estava bem mas foram tres anos de frio e já não estava aguentando mais. Ele me contratou então e me disse que estavam pensando em trazer o Serginho Chulapa mas que tinha receio porque o serginho é muito complicado, poderia trazer problemas. Foi então que eu disse. "Traz o homem que nós vamos fechar este grupo e ele não vai dar problema não. Ele vai se enquadrar pode ter certeza".
Não deu outra. Ele veio, foi artilheiro.
Serginho Chulapa e Paulo Isidoro comemorando mais um gol santista em 1984.
Paulo Isidoro e Pita comandando o meio campo do Santos.
FTT - E você cumpriu o prometido ao presidente tambem. Campeões paulistas.
PAULO ISIDORO - Pois é. Fomos campeões paulistas e ainda vice brasileiros. Nosso time era muito bom. Nosso meio era com Dema, Paulo Isidoro , Humberto e Pita.
FTT - A final do campeonato paulista contra o Corinthians você se lembra desta partida?
PAULO ISIDORO - Me lembro por dois motivos. Primeiro porque eu estava fazendo este jogo e foi o falecimento do meu pai e depois porque fomos os campeões. Meu pai estava sendo velado naquela noite do jogo em Belo Horizonte. Eu fui pro jogo assim mesmo e conseguimos um titulo que o Santos perseguia algum tempo. Conseguimos ser campeões.
FTT - Neste time do Santos tinha ainda o Zé Sergio.
PAULO ISIDORO - Nossa, Zé Sergio jogava demais. Ia pra cima mesmo e levava os laterais. Nós comentávamos entre nós, que este nosso time era praticamente imbativel. Dentro da Vila então a gente não perdia de jeito nenhum.
(A campanha do Santos foi mesmo espatacular . Foram 38 jogos com 22 vitorias,13 empates e apenas 3 derrotas. Foram 54 gols a favor e somente 19 contra)
FTT - E este time começava simplesmente com rodolfo Rodriguez no gol.
PAULO ISIDORO - Nossa senhora. Rodolfo Rodriguez era brincadeira. Para mim foi o maior goleiro com quem eu tive a oportunidade de jogar. Depois vem o Ortiz no Galo.
FTT - E o Ortiz saiu praticamente expulso do Atlético.
PAULO ISIDORO - Olha esta é uma das maiores magoas que eu tenho . Adoro a torcida do Atlético mas o que eles fizeram com o Ortiz foi covardia, eu não perdoo nunca. Fiquei muito magoado com o que els falaram para o Ortiz. Era um excelente profissional, dedicado, cara de carater.Muitas vezes acontece coisas assim no futebol. O torcedor incoonsequente fala bobagens, lança coisas no ar. Vem a imprensa que gosta de oba oba e acaba com o jogador.
(Ortiz foi acusado pela torcida atleticana de entregar os dois jogos finais de 77 para o Cruzeiro ajudando o uruguaio Revétria)
A VOLTA PARA O ATLÉTICO EM 1985
FTT - Você então voltou para o Atlético?
PAULO ISIDORO - Voltei. Eu estav triste em Santos. Não pelo clube e torcedores. É que eu tinha perdido meu pai e eu com minha mãe eramos carne e osso e ela estava sofrendo muito. Eu sentia saudades tambem e resolvi vir embora pra ficar perto da familia.
Voltei para o Atletico em 85 e vencemos o campeonato em 85 e 86 dando uma renovada na carreira.
Atlético bicampeão mineiro 1986 - João Leite, Elzo, Nelinho, Oliveira, Luisinho e Nena; Agachados: Sergio Araujo, Paulo Isidoro, paulinho, Everton e Edivaldo.
PAULO ISIDORO VAI JOGAR NO VELHO RIVAL CRUZEIRO
FTT - E quem diria Paulo Isidoro foi jogar no grande rival, o Cruzeiro. Como foi a recepção dos jogadores e da torcida?
PAULO ISIDORO - Fui muito bem recebido, tanto pelos jogadores e dirigentes mas tambem dos torcedores.Foi a maior alegria que eu tive em uma contratação. Não pelo lado financeiro mas a chance de ir jogar no rival, a torcida não tem ideia de como isto é gostoso. Você ser nascido em um clube e depois ir jogar no rival. Eu confesso que não tinha palavras para agradecer a recepção que eu tive no Cruzeiro. Para o meu ego foi muito bom pois era meu sonho, era minha vontade. Lá no sul tambem eu tinha muita vontade de ter jogado no Inter para conhecer como era do outro lado.Só que lá não teve jeito.
FTT -Infelizmente você pegou o Cruzeiro em tempo dificeis?
PAULO ISIDORO - Foi. Eu cheguei em 88 e fiquei até 90. Foi uma decada dificil para o clube mas mesmo assim eu tive a felicidade de ser campeão mineiro em 1990 pelo clube.E nosso time não era ruim não. Tinha o ponta esquerda Edson que foi campeão com o Coritiba, o Balu, Adilson, o Ademir, o Careca que começou arrebentando.
FTT - E neste time você jogou tambem com o Wladimir?
PAULO ISIDORO - Joguei. Puxa, Wladimir era bom demais. lateral com muita força fisica e qualidade tecnica tambem. Excelente!
Paulo isidoro e Bruno na escolinha de treinamentos do ex craque.
FTT - Hoje você tem um filho jogando no junior do Cruzeiro e ele vem se saindo muito bem. Acaba de ser campeão brasileiro sub-20 no RS. Porque jogar no Cruzeiro e não no Atlético?
PAULO ISIDORO - É, na verdade eu tenho tres filhos. Todos eles jogavam na minha escolinha mas os dois mais velhos resolveram parar e só o Fabricio continuou. Aconteceu que fomos fazer um amistoso do meu time contra o Cruzeiro lá na Toca. Fizemos um otimo jogo contra o Cruzeiro, perdemos a partida mas deixamos uma ótima impressão. O Alexandre Gracieli então viu o fabricio se destacando juntamente com o Assis que era outro menino do time. Então ele convidou o Fabricio para fazer um teste no Cruzeiro. Perguntou a ele quem era o pai dele e o Fabricio falou que era o Paulo Isidoro. O diretor veio então falar comigo e perguntou se tinhaalgum problema. Como você fala "não" para um clube como o Cruzeiro e a estrutura que ele tem? Não é porque eu comecei no Atlético que meu filho tem de começar lá.
Hoje ele já está a cerca de 8 anos no Cruzeiro, está no junior agora fazendo um bom trabalho.Eu sempre comento com ele que é dificil esta transição para o time profissional, ainda mais em um clube como o Cruzeiro que só tem craque. Porem falo pra ele fazer bem o trabalho dele que uma hora chega e se não chegar no Cruzeiro para o time que voc~e for vai com uma refrencia de um grande clube.
| Paulo Isidoro |
FTT - Você acha que o estilo do Ramires parece com o seu ?
PAULO ISIDORO - Acho que parece muito. Se alguem me perguntasse hoje como eu atuava antigamente eu diria para a pessoa ver o Ramires jogar que era igualzinho. Passadas largas, cobrindo ali atrás e chegando na frente fazendo seus golzinhos.O Ramires tem melhorado a cada dia. Fez um golaço outro dia , vem crescendo muito.É um jogador que o treinador pode usar para fazer um quadrado ,liberando um meia.
FTT - Você acredita que os times atualmente poderiam jogar ainda com pontas.
PAULO ISIDORO - Poderiam sim. Claro que não aqueles pontas parados mas voltando pra ajudar na marcação. O time recuperou a bola você abre nas pontas porque vai segurar o lateral deles lá atrás. Jogar com dois pontas abertos é um risco pois pode sacrificar os homens de meio campo mas por outro lado foi como eu disse, vai segurar os laterais do time deles. Eu sou fã do Thiago Ribeiro do Cruzeiro. Jopga como um autentico ponta que cai pro meio e finaliza muito bem. Chuta muito bem em gol. Ele tem facilidade em bater tanto de esquerda quanto de direita. Você ve que ele está disparando a fazer gols no Cruzeiro.
FTT - Você que jogou com tantas feras do nosso futebol, aponte seis ou sete dos maiores jogadores que você viu.
PAILO ISIDORO - Graças a Deus você falou seis ou sete porque se voçe me pede apenas um iria ficar complicado escolher (risadas). Eu começo com Reinaldo que eu sempre admirei muito. O Dirceu Lopes, o Zé Carlos. O Maradona, Zico, Socrates, Cerezo, Luisinho. Era craque demais. Se você começar a lembrar não para mais. No caso do Maradona é diferente porque eu quando ia jogar contra os argentinos eu ficava louco, eu queria ganhar de qualquer jeito. Mas você não pode deixar de reconhecer um cara como o Maradona. É um jogador que entra na lista de craques de qualquer um do mundo.
FTT - Para finalizar qual foi o grande time que você jogou entre todos?
PAULO ISIDORO - Nossa é dificil. Olha o time do Atlético na decada de 70 era brilhante. Eu muitas vezes via torcedores na porta do estadio perguntarem pra mim, Reinaldo e Cerezo de quanto seria o placar naquele dia. Nosso time era muito bom, era muito tecnico.O time do Santos foi muito bom tambem. O Grêmio já era um time mais tarimbado . Não tinha jogador show neste time. Se você for olhar vai ver que não tinha aquele jogador "show" neste time mas a equipe sabia o que queria e pronto. Ia lá e ganhava. Já o Atletico tinha por exemplo o Reinaldo que a gente reverenciava dentro de campo e muitas vezes a gente pensava: poxa, como que este cara fez isto? O time do Santos tinha o Pita que era um jogador fantástico. Tinha o Zé Sergio, aquele jogador malabarista.
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