FTT - Futebol de Todos os Tempos

ENTREVISTAS COM EX JOGADORES, TECNICOS, DIRETORES E PESSOAS LIGADAS AO FUTEBOL QUE CONTRIBUIRAM DE ALGUMA FORMA PARA QUE PUDESSEMOS CONHECERMOS UM POUCO MAIS DA HISTORIA DO FUTEBOL BRASILEIRO E MUNDIAL.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

IUGOSLAVIA - Os brasileiros do leste europeu

Hoje, quando acompanho o sucesso das seleções que faziam parte da ex-Iugoslávia, fico me perguntando: “Como seria, então, uma única seleção formada com craques da Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedônia?” Essa seleção existiu, e como Iugoslávia recebeu o apelido de “brasileiros do leste europeu”. Falar de Iugoslávia, sem citar história política, é praticamente impossível. Por isso, um pouco de sua história . A primeira união entre os eslavos do sul aconteceu após a Primeira Guerra Mundial, quando foi fundado o Reino de Sérvios, Croatas e Eslovenos. Depois o Rei Alexandre I mudaria o nome para Reino da Iugoslávia. Anos se passaram, e com a Segunda Guerra, italianos e alemães invadiram a Iugoslávia, impondo o regime nazista e perseguindo várias etnias da região. Então, o primeiro ministro Tito formou um bravo exército socialista, que heroicamente resistiu à invasão. Em 1953, Tito fundou a República Socialista Federativa da Iugoslávia, formada por seis repúblicas: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedônia. Para resumir o sistema político-étnico da Iugoslávia de Tito, usava-se a seguinte frase: “Seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um Partido”.Com a morte de Tito, em 1980, começaria a surgir um forte sentimento de nacionalismo entre os grupos étnicos que compunham a Iugoslávia. Ao mesmo tempo em que o regime comunista se enfraquecia consideravelmente, culminando com o fim da URSS e também com a queda do muro do Berlim, na Iugoslávia ocorria os já esperados movimentos separatistas entre os eslavos do Sul. Croácia, Eslovênia e Macedônia declarariam independência em 1991. A Bósnia-Herzegovina tentaria tomar o mesmo caminho, mas o presidente iugoslavo Milosevic se recusava a aceitar. Por isso, ocorreria uma guerra civil sangrenta, após a Bósnia-Herzegovina conseguir sua independência em 1992. Nesse caos, sobraria da Iugoslávia, apenas as repúblicas de Sérvia e Montenegro. No ano de 2003, foi fundada a União de Sérvia e Montenegro, e em Junho de 2006, Montenegro e Sérvia, enfim, separaram-se e tornaram-se países independentes. A região de Kosovo, até hoje, tenta se separar da Sérvia.

IUGOLAVIA 1X1 BRASIL - Copa do Mundo 1954

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OS ANOS DE OURO DO FUTEBOL IUGOSLAVO

Em 1950, os iugoslavos voltaram com tudo, disputando a Copa do Mundo no Brasil. Após golear Suíça e México, os iugoslavos precisavam apenas de um empate contra a seleção brasileira, no Maracanã, para prosseguir no Mundial, eliminando assim os anfitriões. Mas a seleção canarinho conseguiu se vingar da eliminação de 30, ao vencer por 2x0.A partir de então, a Iugoslávia conseguiria grande destaque, tornando-se uma das seleções mais temidas do mundo. Após a Copa de 1950, disputou mais três mundiais seguidos: 1954, 1958 e 1962. A partir de 1960, os iugoslavos chegariam aos melhores resultados de sua história. Na primeira edição da Eurocopa, realizada em 60, os eslavos do sul foram vice-campeões, sendo derrotados pela URSS na decisão. Nas semifinais, conseguiram uma vitória espetacular por 5x4 contra a anfitriã França, de Winieski e Vincent, mas sem o seu grande nome da Copa de 1958: Justin Fontaine. O jogo estava 4x2 para os “le bleus” até os 30 minutos do segundo tempo, mas em um intervalo de 4 minutos, os iugoslavos viraram para 5x4. Na decisão, após Galic marcar o primeiro gol, a URSS empataria no segundo tempo e conseguiria a virada na prorrogação. Daquele time faziam parte, craques como Galic, Vidinic, Matus e Kostic.No mesmo ano, a seleção iugoslava conseguiu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma, ao derrotar a Dinamarca na Final. O ouro olímpico de 1960 aconteceu após três medalhas de prata em 1948, 1952 e 1956. Vale lembrar que a partir de 1952, as seleções que disputavam os jogos olímpicos eram amadoras, menos as seleções do leste europeu, já que, em teoria, os jogadores dos países socialistas não eram profissionais. Esse “amadorismo de fachada” permitiu aos iugoslavos mandarem sua seleção principal para as Olimpíadas, a partir de 1952, até 1980, quando a Fifa autorizaria a presença de profissionais que não tivessem disputado uma Copa do Mundo. Com isto, em 1960, a mesma base que foi vice campeã européia, também foi medalha de ouro em Roma. Na decisão contra a Dinamarca, vitória por 3x1, com gols de Galic, Matus e Kostic.Na Copa do Mundo de 1962, no Chile, a seleção iugoslava, já muito cotada pelo sucesso em 60, conseguiria um resultado expressivo. Após passar por Uruguai, Colômbia e Alemanha Ocidental, a seleção do leste europeu seria parada apenas pela Tchecoslováquia, nas semifinais. Soskic era responsável por belas defesas, Jerkovic era o motor do time e Galic e Sklobar eram o terror das defesas adversárias. Na disputa de terceiro lugar, ao perder por 1x0 para o Chile, os iugoslavos terminariam em quarto lugar.

BRASIL 3X3 IUGOSLAVIA - 1968
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Com o fim da Iugoslávia, a seleção nacional também desmembrou-se, dando lugar à cinco novas seleções: Sérvia e Montenegro, Croácia, Macedônia, Bósnia e Eslovénia. Mais recentemente a Seleção Servo-montenegrina de Futebol desmembrou-se tal como os próprios estados, dando origem à Montenegro e à Sérvia, sendo esta última considerada a sucessora oficial da Seleção Iugoslava.



Dzajic foi um dos maiores craques do futebol iugoslavo.

1) A Seleção Iugoslava participou de nove Copas do Mundo, ou seja, 50% dos mundias.

2) As Copas do Mundo que a Iugoslava participou foram as seguintes: 1930, 1950, 1954, 1958, 1962, 1974, 1982, 1990 e 1998.

3) Uma das melhores participações da Iugoslávia em Copas do Mundo foi em 1962, quando a Seleção atuou em seis partidas, venceu três e perdeu três. Nesta Copa do Mundo a Iugoslávia marcou dez gols e sofreu sete.

4) Nas nove participações da Iugoslávia em Copas do Mundo, a Seleção atuou em 37 partidas, venceu 16, empatou oito e perdeu 13.

5) O aproveitamento da Iugoslávia em Copas do Mundo é a seguinte: 43,3% de vitórias, 21,6% de empates e 35,1%.

6) A Iugoslávia marcou em suas participações em Copas do Mundo 60 gols e sofreu 46, tem um saldo positivo de 14.



BEARA um grande goleiro.



Vladimir BEARA disputou 3 copas do mundo
e é apontado como um dos 5 maiores goleiros
em todos os tempos no futebol mundial.


7) A outra melhor participação da Iugoslávia em Copas do Mundo foi em 1930, quando em três jogos, venceu duas e perdeu uma. Naquela Copa do Mundo marcou sete gols e sofreu sete também."

8)A primeira partida da Iugoslávia em Copas do Mundo foi em 1930, em partida contra o Brasil, a Iugoslávia venceu, por 2 a 1, com gols de Tirnanic e Bek.

9) O jogador iugoslavo Drazen Jerkovic foi o artilheiro da Copa do Mundo de 1962, no Chile, quando marcou 5 gols.

10) O quarto gol contra marcado na história das Copas do Mundo foi do iugoslavo Horvat, esse gol foi pró para a Alemanha Ocidental, na vitória alemã por 2 a 0, no dia 27 de Junho de 1954.


Iugoslavia 2x1 Brasil na Copa de 1930.

11) Nas três primeiras participações da Iugoslávia em Copas do Mundo ( 1930, 1950 e 1954) houve confrontos em Brasil e Iugoslávia. Em 1930 a Iugoslávia venceu por 2 a 1, em 1950 o Brasil venceu por 2 a 0 e em 1954 houve o empate por 2 a 2.

Grandes jogadores iugoslavos :


Beara jogou nas copas de 50, 54 e 58.
Zebec jogou nas copas de 54 e 58 e foi vice campeão da Eurocopa de 62
Milutinović jogou nas copas de 54 e 58.
Katalisnki atuou na Copa de 74 e foi quarto lugar na Eurocopa de 76
Oblak atuou na Copa de 74 e foi quarto lugar na Eurocopa de 76
Dzajic atuou nas Eurocopas de 68 e 76 alem da copa do mundo de 74
Popivoda jogou a Copa de 74 e foi quarto lugar da Eurocopa em 76
Surjak jogou nas copas de 74 e 82 e Eurocopa de 76.
Acimovik jogou na Copa de 74 e nas Eurocopas de 68 e


Davor Šuker jogou a Copa de 90 pela Iugoslavia e a de 98 pela Croacia.
Foi eleito pela FIFA como o terceiro melhor jogador do mundo pela FIFA em 1998. Perdendo para Zinédine Zidane (1º) e Ronaldo (2º).


Savicevic fazendo gol no Milan.
A Iugoslávia foi então dividida e hoje são paises independentes com suas proprias seleções nacionais.

Sérvia
Croácia
Montenegro
Eslovénia
Bósnia e Herzegovina
Macedónia


SELEÇÃO DA CROACIA (terceira colocada na Copa de 98)
Grandes jogadores
Davor Suker
Zvonimir Boban
Ivica Olic
Robert Jarni
Niko Kovač
Robert Kovač
Robert Prosinečki
Dario Šimić
Siniša Mihajlović
Zlatko Vujović


SELEÇÃO DA ESLOVENIA
Srečko Katanec
Danilo Popivoda
Branko Oblak
 
SELEÇÃO DA MACEDONIA
Darko Pančev

SELEÇÃO DE MONTENEGRO
Dejan Savićević
Predrag Mijatović

SELEÇÃO DA SERVIA
Dragan "Piksi" Stojković
Rajko Mitić
Ilija Petković
Dejan Petković
Dejan Stanković
Miroslav Đukić
Darko Kovačević
Savo Milošević
Dejan Govedarica


SELEÇÃO DA BOSNIA HERZEGOVINA
Davor Jozić
Muhamed Mujić
Ivica "Švabo" Osim
Dušan Bajević
Safet "Pape" Sušić



Stankovic fazendo sucesso na Internazionale

Como seria a seleção da Iugoslávia atualmente? Provavelmente alguns destes jogadores fariam parte.


Goleiros:


Samir Handanovič – Eslovênia – Udinese
Vladimir Stojković – Sérvia – Sporting
Vedran Runje – Croácia – Lens

Sem contestação na escolha, os três goleiros mais votados são jogadores consolidados em suas seleções nacionais, mesmo que o prestígio nos clubes não seja igualmente grande, já que apenas Vedran Runje se confirmou como titular na meta de sua equipe, no caso o Lens da França, enquanto Vladimir Stojković, assim como Samir Handanovič acabaram sofrendo com os inúmeros empréstimos no decorrer de suas carreiras.


Defensores:
Vedran Ćorluka – Croácia – Tottenham
Ivica Dragutinović – Sérvia – Sevilla


Meios:
Dejan Stanković – Sérvia – Inter
Darijo Srna – Croácia – Shakhtar Donetsk
Niko Kranjčar – Croácia – Tottenham Hotspur
Zvjezdan Misimović – Bósnia – Wolfsburg
Miralem Pjanić – Bósnia – Lyon
Zdravko Kuzmanović – Sérvia – Stuttgart
Luka Modric – Croácia – Tottenham


Comandado pelo craque da Internazionale, Dejan Stanković, o provável meio-campo da Iugoslávia não ficaria atrás em qualidade do setor defensivo da equipe. Com várias opções, desde ofensivas com Luka Modrić, Zvjezdan Misimović e Miralem Pjanić, até outros que desempenhariam funções de contenção, o meio-campo formado com um processo de entrosamento seria um dos mais fortes da atualidade.


Atacantes:
Edin Džeko – Bósnia – Wolfsburg
Mirko Vučinić – Montenegro – Roma
Vedad Ibišević – Bósnia – Hoffenheim
Goran Pandev – Macedônia – Lazio

Destaque do Wolfsburg e peça fundamental da seleção da Bósnia, Edin Džeko seria presença certa na atual seleção iugoslava. Artilheiro da última Bundesliga, o jovem atacante veria uma briga acirrada na disputa pela outra vaga no ataque, caso jogasse com dois homens de frente. Com 19 gols na temporada passada, atuando pelo Hoffenheim, Vedad Ibišević seria o companheiro ideal de Džeko, embora o restante dos atacantes na lista também são destaques em seus clubes e seleções

3 comentários:

  1. Acredito que a Iuguslávia poderia ter sido campeã em 98, se ainda fosse unificada. A Croácia de Suker, Prosinecki, Jarni, Boban, etc foi a sensação da Copa. A Iuguslávia tinha um time tão bom quanto, Mijatović, Mihajlović, Stankovic, Milošević, etc.

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  2. Antonio , concordo plenamente com você. Esta divisão enfraqueceu sem duvida alguma o futebol dos balcãs e se estivessem ainda unidos poderiam ser campeões , não apenas naquela copa de 98 mas até mesmo hoje em dia pois posuem jogadores espalhadso prograndes times mundo afora.

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  3. A Iugoslávia teve grandes seleções. E sempre deu trabalho para a Seleção Brasileira. Basta lembra que na primeira Copa do Mundo fomos eliminados por eles, além também do time de 50, que deu muito trabalho para os brasileiros. E em 54, quando houve empate. Vale também lembrar da brilhante participação da Iugoslávia na Copa do Mundo de 1962. Mesmo dividida, ainda apresentava nas Copas excelentes equipes, sendo que em 98 a Croácia eliminou a badalada Alemanha. Nos anos 50 tinha Beara como goleiro, um dos melhores do mundo na epoca. É um caso de seleção que apresentou bons times, algo semelhante à Tchecoslováquia, sendo que a única diferença é que nunca chegou à uma final.

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